sábado, 2 de agosto de 2014

DISTRITO DE PORTALEGRE


O património arqueológico e histórico da antiga província da LVSITANIA que surge à luz do dia é bastante diversificado e valioso, apesar de não existirem grandes espaços monumentais posso garantir que vestígios não nos faltam, encontram-se é dispersos um por pouco por todo o lado e bem debaixo dos nossos pés. Motivo suficiente para vos fazer pequenos nesta história? Óptimo, a ideia era essa. Agora embarquemos nesta viagem rumo ao passado pelos trilhos dos romanos, e no maior conjunto de dólmenes e menires de toda a Península Ibérica, especialmente nos distritos de Évora (referenciados 150 monumentos megalíticos) e de Portalegre, com o Menir da Meada, o mais alto da Península Ibérica, com sete metros acima do solo, em Castelo de Vide, obviamente, não ficará também indiferente aos muitos castelos e fortificações, mais ou menos preservados, e por vestígios de diferentes civilizações e culturas, nomeadamente, num recuo à época dos Imperadores e das Legiões a um passado com dois mil anos, será uma viagem no tempo marcada pela natureza e pelo património pelo Alto Alentejo. 

Circuito I
AMMAIA

Em pleno Parque Natural da Serra de S. Mamede, em S. Salvador de Aramenha no concelho de Marvão, a cidade romana de Ammaia é certamente o mais importante vestígio existente na região do Norte Alentejano. A sua área central é constituída pela Qtª do Deão e Tapada da Aramenha, possuindo um área de aproximadamente 25 hectares onde se estima uma população entre 4 e 5 mil habitantes, foi fundada no final do séc. I a.C. e início do séc. I d.C., por iniciativa do imperador Cláudio elevada a “civitas (44-45 d.c.) e a “municipium na dinastia dos Flávios, no entanto, apenas existem dados no reinado de Lúcio Vero, em 166 d.C.. No século V a cidade sucumbiu perante uma tromba de água de lama e pedras duma elevação vizinha, tendo ficado soterrada, entretanto, as pedras da antiga cidade que foram resistindo e aparecendo foram utilizadas na construção de palácios, igrejas e muralhas em Portalegre, Marvão e Castelo de Vide, com particular destaque, a estrutura da Porta Sul granítica, o ex-libris da antiga cidade, é levada para Castelo de Vide em 1710 e mais tarde destruída.

Nos trabalhos de renovação das instalações onde está inserido o Museu Monográfico pôs a descoberto ruínas de uma habitação soterradas trazendo à luz do dia a antiga cidade escondida e muito procurada.

A catástrofe que a havia destruído também a conservou!

Venham então daí conhecer um pouco melhor aquilo que foi a cidade da Ammaia, começando pela Porta Sul sendo ainda visíveis duas estruturas circulares que revelam ser o arranque de dois torreões, estes ladeavam uma das portas da cidade à Muralha e ligadas por um Arco. No interior, estaremos praça pública pavimentada com blocos de granito bastante regulares e os dois lajeados ladeavam uma das principais ruas da cidade, o “cardus maximus” dirigindo-se ao forum, contudo, os vestígios da calçada romana original desapareceram restando apenas as pedras que constituem a soleira da Porta Sul composta por cinco pedras de granito, duas delas encontradas “in situ”, a construção do conjunto monumental é da segunda metade do séc. I d.C., obrigando a demolição parcial de habitações mais antigas que remontam aos inícios do império.


Muralha Defensiva
Praça Pública

Porta de Entrada na cidade
Continuando a viagem imagine-se a percorrer o “cardus maximus” com o frenesim e reboliço de negócios em contraste com a quietude de hoje ao forum da cidade, sem antes de atravessarmos a estrada nacional que pela sua passagem destruiu parte das estruturas dos edifícios que o compunham. Chegados ao forum, é visível o podium do Templo, de planta rectangular apresentando enchimento em terra argilosa revestido com blocos de granito, dividido em duas partes (a cella e pórtico do átrio), as paredes de um criptopórtico e um pórtico que circundava a área do templo. Este era o local de excelência para qualquer cidade romana, de culto e de intensa actividade comercial e económica, consequentemente, seria um ponto de convergência da população, onde se afixavam editais públicos ou eram lidos, em voz alta, dos decretos emanados do senado, em Roma. O forum de Ammaia é exemplo do modelo adoptado a partir de meados do séc. I d.C., por muitas cidades desde o reinado de Augusto, que os imperadores tentavam a sua permanência no poder pela assunção divina e pelo culto imperial vindo a tornar-se no principal meio de coesão do império, deste modo, no local do fórum cívico era construído um grande santuário centrado num Templo em pórticos monumentais que o rodeavam, na mesma praça estariam monumentos honoríficos dos habitantes e magistrados da cidade. 

Podium do Templo no Forum


Uma parte significativa do Complexo Termal do forum foi destruído pela passagem da estrada nacional, da restante é possível identificar um “natatio”, um tanque maior ao ar livre, a sala destinada a banhos frios frigidarium e, um pequeno tanque revestido por placas de mármore que estaria nos banhos quentes (tepidarium,caldarium). Os edifícios termais eram locais lúdicos e indispensáveis para os romanos, para tratamento da higiene pessoal como pelo papel terapêutico das massagens de tonificação e relaxamento do corpo, desempenhando um papel social e político enquanto espaços de relacionamento e convivência dando respostas às necessidades próprias do “modus vivendi” romano, num ritual imprescindível e quase diário – o costume do banho.

Tepidarium ou Frigidarium

Natatio

Museu Monográfico

As ruínas de uma área habitacional da cidade encontram-se parcialmente sob o edifício do Museu enriquecido pela exposição permanente do espólio descoberto dor trabalhos arqueológicos que se continuam a realizar contendo diversos elementos da cultura material romana com peças de cerâmicas, epigrafias, numismática, objetos de adorno e vidros. 


Dollium (séc. IV)

As ruínas da cidade romana estão classificadas como Monumento Nacional

S. Salvador de Aramenha
Ponte Romana-Medieval da Madalena 

Estado de conservação: ruínas
Construção: séc. I d.C.
Via romana: Ammaia a Évora
Acesso: S. Salvador de Aramenha (EM521), na continuidade da estrada do sítio arqueológico, junto da ponte os Olhos de Água

Portagem
Ponte Medieval da Portagem 

Estado de conservação: aberta à circulação – requalificada recentemente
Via romana: Ammaia a Cáceres
Acesso: Portagem (EN359), enquadrada na praia fluvial 

Ponte Romana da Ribeira das Trutas 

Estado de conservação: ruínas
Construção: séc. I d.C.
Acesso: Portagem (EN246-1)
Classificação: Imóvel de Interesse Público


Circuito II

Alter do Chão

Estação Arqueológica de Ferragial d´El-Rei

A estação arqueológica de Ferragial d´El-Rei é composta por uma luxuosa “domus”, um edifício termal público e uma necrópole da Antiguidade Tardia, sendo a pequena expressão de parte da cidade romana de Abelterium.

Consta-se que, durante a sua passagem por Abelterio, o imperador Adriano, devido à forte resistência e contestação da população local às legiões romanas terá mandado destruir a cidade, por volta do ano 120 d.C., daí a designação da via romana que conduz à ponte romana tenha sido designada por “Via Adriana”. 


Estamos perante uma pequena parte daquilo que deveria ter sido um amplo edifício termal público da cidade. Os banhos romanos estavam associados à cultura romana: para onde quer que os romanos fossem, os banhos iam com eles. Estes banhos não se limitavam a uma lavagem do corpo, embora o asseio fosse parte do objectivo. Tratava-se de uma mistura de diversas e diferentes actividades: libertar suor, exercício, sauna, natação, banhos de sol, jogos com bola, ser “raspado” e esfregado, eram banhos turcos mais completos, incluindo extras opcionais como o barbeiro.

Pois então iniciemos a viagem pelo apodyterium” (vestiários) estava muito próximo da entrada das termas, estava equipado com bancos corridos, nichos ou armários nas paredes, para guardarem seus pertences. Os utilizadores, de seguida, dirigiam-se à sala destinada aos banhos frios “frigidarium”, dispondo uma ou duas piscinas “natatio”, ao ar livre ou não, passando depois à sala destinada aos banhos quentes “tepidarium”, “caldarium” e “sudatorium”, esta parte do edifício estava aquecido por um sistema de aquecimento assente sobre “suspensurae (arcos) do “hypocaustrum” (aquecimento subterrâneo) sob os quais circulava o ar quente produzido proveniente das “praefurnia” e, sobre as mesmas eram colocadas as caldeiras, geralmente de bronze, a partir das quais a água quente era conduzida às piscinas de água quente por canalizações em chumbo. 




Fazendo parte do complexo termal, existia um outro pequeno edifício, a “ latrina”, de uso colectivo, equipado com banco em alvenaria ou mármore com orifícios ovoides, semelhantes aos atuais assentos sanitários, sob este banco corria permanentemente água, proveniente da cloaca e, noutra parede teria uma fonte, utilizada para higiene pessoal. 


No edifício termal, as obras de ampliação na área aquecida podem estar relacionadas com o aumento da população ou com a necessidade da construção de uma nova ala de banhos para permitir a separação por sexos, pois as mulheres estariam excluídas da frequência das instalações na mesma altura.

Neste caso estamos em presença de uma “domus” de grande dimensão e sumptuosa, situada a nordeste do edifício termal, o proprietário deveria ser uma figura ilustre da cidade, de inquestionável riqueza e gosto requintado, decorando a residência de luxo, com diversas pinturas murais e pavimentos em mosaicos geométricos e figurativos, foi precisamente através dum desses mosaicos que deu o nome de Casa de Medusa, devido a esta figura mitológica surgir no escudo segurado por Eneias e representado num mosaico figurativo, infelizmente não está exposto ao público que a visita.


O “peristilium”, pátio porteado que permitia a entrada de luz natural e arejamento da casa tinha um jardim interior, uma fonte e diversas estátuas, de que é exemplo a cabeça da criança e diversas bases de estátuas. Para o pátio abria-se o “triclinium”, a sala de jantar composta por três leitos, nos quais o proprietário e seus convidados se reclinavam confortavelmente e deleitavam em soberbos banquetes, pavimentada a mosaico policromático, com motivos figurativos. Em redor do peristilo, a cozinha e as “cubiculas”, seriam os aposentos da casa, com acesso através de corredores laterais, a ausência de janelas para o exterior e a entrada de luz natural eram substituídas por portas viradas para o jardim.




No extremo oposto à entrada da casa estaria a “sala de representação”, sala de convívio e confraternização com fonte de água ao centro revestida a mármore e uma abside.


Centro Interpretativo

O espólio apresentado é diverso sendo objetos oriundos dos trabalhos arqueológicos realizados, sendo as mais significativas o original do contentor cerâmico, a cabeça de uma criança, bases de estátuas e um golfinho em bronze que provavelmente estaria a jorrar água no peristilo ou na sala de representação.

A estação arqueológica está classificada como Imóvel de Interesse Público, todos os locais estão assinalados com notas explicativas apesar de a visita ser guiada.

Ponte Romana de Vila Formosa



Estado de conservação: desactivada - pedonal
Construção: séc. I d.C./séc. II d.C.
Via romana: itinerário XIV Lisboa a Mérida, de Ponte de Sôr a Alter do Chão
Acesso: pela antiga estrada nacional Alter do Chão/Ponte Sôr (EN369), sinalizada na estrada nacional
Classificação: Monumento Nacional


Cabeço de Vide

Balneário Romano das Termas da Sulfúrea

Águas sulfurosas utilizadas pelos Romanos desde o ano 118 a.C.


Calçada Romana (pequeno troço)

Característica: calçada sobre terra batida coberta por pedra miúda, em bom estado de preservação com vegetação rasteira
Via romana: itinerário XIV Lisboa a Mérida, variante de Alter do Chão a Monforte pela “Estrada de S. Domingos”
Acesso: Termas de Cabeço de Vide (EN369), cruzando a estrada nacional, caminho em terra batida a calçada é visível junto ao muro subindo à rua de Santo Mártir

Vale do Peso
Ponte Romana?-Medieval
Estado de conservação: rural - com vestígios de calçada
Via romana: Idanha-a-Velha a Évora e a Aramenha (Ammaia)
Acesso: Vale do Peso (EN245), rua em frente da Igreja Matriz na primeira à esquerda passando fontanário por caminho de terra batida à esquerda (propriedade privada)

Crato
Ponte Romana-Medieval do Chocanol 

Estado de conservação: rural 
Via romana: Idanha-a-Velha a Évora e a Aramenha (Ammaia)
Acesso: Crato (1km) /Alter do Chão (EN245), visível da ponte atual
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Ponte Velha do Prado 

Estado de conservação: rural 
Via romana: Idanha-a-Velha a Évora e a Aramenha (Ammaia)
Acesso: saída do Crato (500 mt) /Alter do Chão (EN 245) caminho à direita estrada em terra batida (5km)
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Benavila (Avis)
Miliário Anepígrafo e Epitáfio de Lobesa



Local: Capela Nossa Senhora Entre-Águas como coluna de alpendre, contornando a capela no anexo em ruína parede exterior
Acesso: Benavila (EN370)

Ervedal (Avis)
Ara consagrada a Fontana

Local: junto a fonte
Acesso: Ervedal (EN243)

Circuito III

Monforte

Villa Romana de Torre Palma

Estamos perante uma enorme “villae”, correspondendo ao conceito de “villae áulica” residência duma poderosa família, os BASILLI, através de uma inscrição encontrada construindo uma sumptuosa e faustosa casa fixando-se de modo permanente, entre séc. II d.C./séc. IV d.C., explorando um vasto latifúndio. Supõe-se que o primeiro proprietário tenha sido um veterano da legião romana devido à proximidade e existência de um acampamento militar situado a oeste da villa num outeiro em frente a Vaiamonte.

Estes edifícios multiplicaram-se essencialmente a partir dos séculos III e IV d.C., num movimento que tem sido identificado como o da fuga para os campos e que surge mercê da insegurança social, leva a que grandes senhores se refugiem no campo, de modo a afastarem-se das turbulências sociais que eram cada vez mais frequentes nos grandes centros urbanos.

Peristilium

Peristilium e Triclinium
A “pars urbana”, zona residencial e faustosa do proprietário, composta por um pátio quadrangular com alpendre assente em colunas e um tanque central, o “impluvium”, pavimentado a mosaico policromático, motivos geométricos e figurativos, entrada da villa e por uma sala de recepção “tabilium”, pavimentada pelo célebre mosaico das Musas, em torno por um vasto pátio interior de forma trapezoidal, continua à sala destinada à prática musical e ao convívio, pavimentada pelo mosaico dos Cavalos, “exedra”, o “peristyliumcentral pavimentado a mosaico geométrico e figurativo, jardim com colunatas soberbas e piscina ornamental, a sala destinada aos banquetes, o “triclinium”, patenteava o apreço dos donos pela natureza demonstrada nas flores e frutos dourados dos frescos revestindo as paredes e o pavimento constituído pelo mosaico das Flores.




Em torno do grande pátio estariam as construções ligadas à exploração agrícola, “pars frumentaria”; celeiro, lagares de vinho e azeite, armazéns dos apetrechos ligados às tarefas agrícolas, transformação dos produtos e estábulos.

A partir deste grande pátio existiria uma ligação a um outro mais pequeno e ladeado pelos alojamentos dos escravos e servos, “pars rustica”.

Lagares
A Oeste, são descortinados dois conjuntos de edifícios termais, o primeiro conjunto seria dos proprietários, independente e com certa magnificência, composto por uma sala “apodyterium” (vestiários) e, por um corredor passavam às salas destinadas aos banhos frios, tépidos e quentes (frigidarium, tepidarium e caldarium).

Na ala Este, as estruturas de um Templo dedicado a “Marte” e de um edifício termal mais modesto destinado aos servos, junto da sua área residencial.

Termas Ala Este - Tanque
Termas Ala Este
A noroeste uma Necrópole visigótica com várias sepulturas e um complexo de ruínas de uma Basílica Paleocristã, provavelmente datada do séc. IV d.C., com três naves e absides contrapostas, onde se pode observar um “Baptistério” em forma de Cruz de Lorena e dois lanços opostos de quatro degraus, considerado como sendo dos mais raros na Península Ibérica, só similar na Palestina e no Norte de África.

Basílica Paleocristã
Baptistério

Necrópole
Acesso: localizada numa suave colina, junto a um pequeno riacho, na Herdade Torre de Palma, em Monforte, a visita é guiada e toda a área arqueológica está classificada como Monumento Nacional.

Ponte Medieval da Vila

Estado de conservação: aberta à circulação 
Via romana: itinerário XIV Lisboa a Mérida, variante de Alter do Chão a Monforte 
Acesso: Monforte (IP2), visível da estrada principal
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Ponte Romana da Leca

Estado de conservação: desativada 
Via romana: itinerário XIV Lisboa a Mérida, variante de Alter do Chão a Monforte 
Acesso: Monforte (IP2), ao lado da ponte atual

Arronches
Ponte Romana? do Monte de Pisão
Estado de conservação: falta reconhecer o local
Via romana: itinerário XV Lisboa - Alvega - Mérida
Acesso: Arronches (Monte do Pisão – Assunção)

Calçada Romana Passeio do Vassálo

Característica: calçada em pedra regular, em bom estado de preservação
Via romana: itinerário XV Lisboa - Alvega - Mérida
Acesso: Arronches, da Ponte do Porto Mane pelo Passeio do Vassálo à Ponte do Caia

Circuito IV

Campo Maior

Muro
Barragem Romana do Muro




Acesso: Campo Maior, na Av. Calouste Gubenkian na bifurcação seguir a Horta do Muro após Qta S. Joaquim (a 300 mt entre olivais) a muralha encontra-se do lado esquerdo da estrada 

Museu Aberto – Município de Campo Maior


Marco Miliário ao imperador Domiciano 

Marco Miliário a Domiciano (81-96 d.c.)

Canalização Romana

Ouguela
Ponte Romana da Ns. Sra da Enxara 



Estado de conservação: ruínas
Via romana: itinerário XIV - variante do Monte das Esquilas a Mérida por Ad Septem Aras
Acesso: Ouguela (EN373) seguir placa para Santuário Nossa Sra. Enxara

Barbacena (Elvas)
Ponte Romana?-Medieval da Nossa Sra da Lapa

Estado de conservação: rural
Via romana: itinerário XIV - variante do Monte das Esquilas a Mérida por Ad Septem Aras
Acesso: Barbacena (EN243), está sinalizada à entrada da povoação, caminho de terra batida, cerca de 6km e junto da Anta da Coutada

Circuito V
Arneiro (Nisa)

Área Arqueológica do Conhal do Arneiro

Região economicamente rica ao nível da exploração mineira do seu subsolo aonde se extraíram inúmeros metais preciosos, o Arneiro, a oeste de Salavessa, ocupando mais de 90 hectares delimitados pelo ribeiro do Arneiro, margem esquerda do rio Tejo e Portas do Ródão.

·   na altura época, existiria um troço de acesso à exploração mineira a partir de Salavessa.

O Conhal do Arneiro indica-nos a existência de uma lavra a céu aberto onde possivelmente se extraia ouro por desmonte gravítico dos depósitos sedimentares constituídos por conglomerados. Os vestígios desta exploração de origem romana ocupando uma área superior a 40 hectares entre o ribeiro do Vale e a Serra de S. Miguel com enormes amontoados de seixos rolados de quartzito designados por conhos. Estes depósitos associados ao rio Tejo foram designados por Plínioo Velho”, na primeira metade do séc. I de “Aurifer Tagus”, onde o ouro aparece pela erosão de rochas paleozóicas com abundantes filões e veios de quartzo auríferos. Os depósitos auríferos seriam desmanchados pela força erosiva da água captada na bacia hidrográfica da ribeira de Nisa, através de um engenhoso sistema hidráulico de canais de encaminhamento de água a “Vala dos Mouros”, talhados a meia encosta e direcionados para os depósitos sedimentares.

A jusante situavam-se os tanques de decantação e os lavadouros onde era feita a separação das pepitas de ouro, num processo de selecção gravítica forneceria ouro puro que não necessitava de qualquer tipo de tratamento.


O volume de sedimentos trabalhados por decénios terá sido superior a 10 milhões de m3, para terem sido extraídos, pouco mais, de 3 toneladas de ouro.

Subsiste ainda, próximo do extremo norte do Conhal, o Castejo, um relevo de 15 metros de altura que ocuparia uma posição central entre os canais de evacuação.

Nisa
Ponte Romana?-Medieval da Senhora da Graça 

Estado de conservação: rural
Via romana: Idanha-a-Velha a Évora e Ammaia, variante por Salavessa e ligação a Alpalhão por Nisa
Acesso: Nisa/Pé da Serra (EM526), visível da ponte atual

Calçada Romana da Senhora da Graça



Característica: calçada sobre terra batida coberta por pedra miúda, na extensão de 1,5 km à ponte, bastante irregular 
Via romana: Idanha-a-Velha a Évora e Ammaia, variante por Salavessa e ligação a Alpalhão por Nisa
Acesso: Nisa/Pé da Serra (EM526) no parque de estacionamento no Santuário junto a capela por caminho em frente 

Amieira do Tejo
Ponte Romana?-Medieval de Vila Flor 

Estado de conservação: rural 
Via romana: Conimbriga a Alvega/Ammaia pela Barca da Amieira
Acesso: Barragem do Fratel (IP2) cortar para Monte Claro/Albarrol (EN359) na placa indicativa para Nisa à direita, caminho em terra batida (2km)

Comenda
Ponte Romana?-Medieval da Venda 

Estado de conservação: recentemente requalificada - pedonal
Via romana: itinerário XV Lisboa - Alvega – Mérida
Acesso: Comenda (EM1138) – no Parque de Merendas da Venda

Gavião
Barragem/Represa Romana 


Acesso: Gavião (EN118), no entroncamento para a Barragem de Belver