domingo, 30 de novembro de 2014

IMAGENS da LVSITÂNIA - Distrito de Évora


O património arqueológico e histórico da antiga província romana da LVSITANIA é rico e diverso, e está espalhado por todo o território. Apesar de não termos grandes espaços monumentais, posso garantir que vestígios do nosso passado não nos faltam e que estão por aí, bem debaixo dos nossos pés. Consegui fazer-vos sentir pequenos nesta grande história? Óptimo, a ideia era essa. 

Agora viagem comigo por ela, com o maior conjunto de dólmens e menires de toda a Península Ibérica, especialmente nos distritos de Évora (referenciados 150 monumentos megalíticos) e de Portalegre, com o Cromeleque dos Almendres (um dos mais relevantes monumentos do género na Europa) e Anta do Zambujeiro (maior dólmen de Portugal) em Évora,  obviamente, não ficará também indiferente aos muitos castelos e fortificações, mais ou menos preservados, e por vestígios de diferentes civilizações e culturas, nomeadamente, num recuo à época dos Imperadores e das Legiões a um passado com dois mil anos, será uma viagem no tempo marcada pela natureza e pelo património pelo Alto Alentejo.

A rede de estradas disseminada por todo o Império foi essencial para a deslocação no apoio militar rápido às legiões romanas na atuação de combate em qualquer ponto de conflitualidade, ao mesmo tempo, demonstrando que uma boa rede viária pode incrementar o desenvolvimento económico-administrativo e social de toda uma região. Estas infraestruturas se ainda persistem ficam muito a dever ao facto da sua técnica inovadora de preparação e construção do terreno, de tal modo que, dois mil anos depois, ainda resistem à evolução dos tempos continuando a fazer parte do nosso quotidiano, na beleza paisagística dos nossos Parques Naturais, por vezes, de acessos difíceis despertando mais o nosso espírito de aventura e redescoberta com ausência de sinalética adequada, contudo, será sempre aliciante o contato com as nossas gentes simples e humildes mas possuidoras dum património único e histórico.

Um outro aspecto a ter em linha de conta é o facto de que na grande maioria dos casos, as pontes “antigas” ou “velhas” são conhecidas como romanas, contudo, os nossos investigadores na sua classificação diferenciaram-nas designando-as de outra forma; as “pontes romanas” são pontes com nítidos indícios romanos, as “pontes romano-medievais” quando em presença materiais romanos reutilizados em posteriores reconstruções na Idade Média e Idade Moderna e, as restantes apesar da ausência de vestígios romanos na sua construção encontram-se no alinhamento de comprovados itinerários romanos sendo possível admitir a existência duma ponte anterior, neste caso, “pontes romana?-medievais”.


Évora (EBORA)


Évora é como um mil-folhas: camada a camada, a cidade foi-se formando, desde há mais de dois milénios, que gentes decidiram ocupar esta região para dela fazer o seu lar, a sua vida. Os vestígios que hoje em dia sobressaem são relativos a monumentos megalíticos, à grande conquista Romana, até à conquista Muçulmana, à reconquista do território pelos cristãos e formação do Reino, alcançando a sua época dourada durante o séc. XV quando se tornou residência dos Reis de Portugal, até aos dias de hoje, tudo se torna claro neste emaranhado: uma cidade rica, carregada de história por descobrir. O centro histórico é Património da Humanidade pela UNESCO desde 1986.

Comecemos então a nossa viagem pela grande Praça Pública (Forum e Templo), bem no centro da cidade, estendendo-se do limite sul do Jardim até à Sé e do Palácio da Inquisição até ao Palácio do Cadaval. Era dos mais importantes espaços públicos da cidade romana de Ebora Liberalitas Iulia, local de encontro da população, das decisões e onde se afixavam editais públicos ou eram lidos, em voz alta, os decretos emanados do senado, em Roma, este modelo foi adoptado a partir de início do século I d.C., data provável da sua construção. No local do fórum também é construído um santuário dedicado ao culto imperial, símbolo da coesão do império, centrado num Templo e pórticos monumentais, hoje está mais consensualmente aceite que tenha sido dedicado à deusa romana da caça “Diana”.



As ruínas do complexo termal, construídas entre os séculos II d.C./III d.C., no interior da Câmara Municipal, na Praça de Sertório, foram as termas públicas, desempenhando um papel importante na vida da população, no trato da higiene pessoal, como local de convívio e de negócio.



Com a instabilidade do império a partir do séc. III d.C., obrigou à construção da muralha defensiva de que alguns vestígios ainda subsistem, o Arco Romano D. Isabel, no entroncamento da rua Menino Jesus com a rua D. Isabel, da antiga Porta na muralha romana, entre outras que existiam, a Porta do Raimundo, Porta do Machede e Porta da Lagoa.

Arco Romano D. Isabel - antiga Porta da Muralha Romana
Porta do Raimundo - antiga porta da cidade
Muito provavelmente estaremos na presença de fortes indícios de anterior aqueduto romano em resultado das últimas sondagens arqueológicas preliminares realizadas, permitindo encontrar numa sapata aonde assenta o actual materiais diferentes de construção relativamente ao actual, Aqueduto Quinhentista da Água de Prata, que será alvo de estudos científicos


Marco Miliário, dedicado ao imperador Maximino e Máximo

Local: interior das instalações das Estradas de Portugal
Acesso: circular de Évora (rotunda da Opel) contornar rotunda à direita e seguir placa indicativa Estradas de Portugal (rua Aníbal Tavares)

Ponte Antiga do Xarrama
Estado de conservação: falta reconhecer o local
Acesso: Évora (EN254), imediações ao aeródromo de Évora

Tourega (Évora)

Villa Romana de Tourega ou das Martas 

No sentido de Alcáçovas, a cerca de 12 km de Évora, as ruínas de uma villa romana, a data da ocupação entre séc. I d.C./séc. IV d.C., foi um importante estabelecimento rural na economia na região pela localização limítrofe a Évora e apoio à via imperial que por aqui passava.

Vista do Edifício Termal 
Como na generalidade das villas romanas, era constituída pela área residêncial do proprietário (pars urbana), dos seus trabalhadores (pars rustica), pars frumentaria (celeiros, estábulos, lagares de azeite) e edifício termal destinado a banhos privativos pois os banhos romanos sempre estiveram associados à cultura romana: para onde quer que os romanos fossem, os banhos iam com eles, não se limitava a lavagem do corpo, embora o asseio fosse o objectivo, mas uma mistura de diversas e diferentes actividades: libertar suor, exercício, sauna, natação, banhos de sol, jogos com bola, ser “raspado” e esfregado.


A nossa viagem incide somente ao edifício termal por um corredor que nos leva a um edifício com duas áreas aquecidas pressupondo-se tratar de um edifício dotado com termas duplas, para homens e mulheres, na sala do frigidarium com natatio (piscina) para banhos frios, e salas tepidarium e caldarium para banhos quentes aquecido por um sistema de aquecimento assente sobre “suspensurae (arcos) do “hypocaustrum” (aquecimento subterrâneo) sob os quais circulava o ar quente produzido proveniente das “praefurnia” e, sobre as mesmas eram colocadas as caldeiras, geralmente de bronze, a partir das quais a água quente era conduzida às piscinas de água quente por canalizações em chumbo, ainda no mesmo local as estruturas de outro edifício de dimensões mais amplas que serviria para o armazenamento de água.






A villa romana de Tourega, encontra-se aberta ao público sendo para isso necessário solicitar as chaves de acesso na casa junto da igreja, está classificada como Imóvel de Interesse Público.

Acesso: Évora/Alcáçovas (EN380) em Tourega por caminho de terra batida cerca de 800 metros, situa-se nas traseiras de cemitério

S. Brás do Regedouro 
Ponte Romana?-Medieval de Alcalainha

Estado de conservação: rural – vestígios de calçada romana original
Via romana: itinerário XII Lisboa-Alcácer do Sal-Évora-Mérida
Acesso: S. Brás de Regedouro (EN380) no cruzamento para a povoação, por caminho de terra batida, cerca de 3km

Valverde (Évora)
Miliário Anepígrafo


Local: cruzamento anterior à Anta do Zambujeiro por caminho à esquerda, cerca de 200 metros
Acesso: Évora/Alcáçovas (EN380) a Valverde (CM1079)

Nossa Senhora da Boa Fé (Évora)
Ponte Antiga do Lagar da Boa Fé

Estado de conservação: rural
Acesso: Évora/Santiago do Escoural (EN370) a Boa Fé ponte está sinalizada no interior da povoação

S. Brissos (Évora)
Miliário Anepígrafo


Local: Igreja Paroquial numa da extrema da igreja
Acesso: Évora/Santiago do Escoural (EN370) a S. Brissos (CM1079-1)


Nossa Senhora d´Aires (Viana do Alentejo)

A data da fundação da primitiva ermida que deu origem ao actual santuário perdeu-se na história. Perante tal facto, surgem duas teses esgrimindo cada uma delas seus argumentos: a primeira, atribuindo a sua fundação à Ordem do Templo, sustentada pela presença da Cruz de Cristo na capela-mor, a segunda, que através duma inscrição em latim, atribui a sua fundação ao lavrador Martim Vaqueira, que por voto, terá ordenado a construção na sua Herdade de Paredes. Esta Herdade de paredes está num outro debate histórico, uma vez que alguns estudiosos põem a hipótese que também este espaço religioso, nomeadamente a designação de Aires, terá emanado da hipotética existência da cidade romana de Ares, que a existir, teria existido no espaço desta herdade. Deste modo, o nome de Senhora D`Aires terá evoluído ao longo dos tempos, desde senhora de Ares até à sua forma actual. O Santuário de Nossa Senhora D`Aires é Monumento Nacional desde 2012.



No adro do santuário estão inseridas duas inscrições funerárias Duas Aras (inscrições funerárias)

Epitáfio de Letoides



Epitáfio de Euprepria


Nossa Senhora de Machede
Miliário
Local: saída da Ponte
Acesso: saída Évora (EN254) a Nossa Senhora de Machede (EM526)

Monsaraz
Miliário
Local: Ermida Santa Catarina, serve de pilar de suporte ao Altar-Mor
Acesso: Monsaraz


Santa Vitória do Ameixial (Estremoz)

Villa Romana de Sta Vitória do Ameixial

A cronologia da villa terá sido ocupada a partir séc. I d.C., como é documentado pelo aparecimento de uma moeda de Nero mas a ocupação foi durante os finais do séc. III d.C. a início do séc. IV d.C.


A área da villa romana engloba uma pars rustica (instalações destinadas aos servos e escravos que trabalhavam a terra), uma pars frumentaria (lagares de vinho e azeite, celeiro e armazéns diversos), situar-se-iam na base da elevação a norte, e uma pars urbana (área residencial dos proprietários), com um peristylium central com salas e corredores pavimentados a mosaicos, em torno desse peristilo, incluindo a cozinha e compartimentos de apoio, e uma rede de saneamento e circulação de águas. Esta área da villa estendia-se ao longo de toda a elevação, descendo para oeste encontrando-se grande parte sob a povoação.

O sítio arqueológico é Monumento Nacional, encontra-se protegido e encerrado ao público.
Acesso: Santa Vitória do Ameixial (EN245) está sinalizada à entrada da povoação

Évoramonte
Miliário dedicado a Crispo, Licínio Júnior e Constantino II

Tratando-se de uma visita ao interior da igreja, pelo facto, de que na maioria das igrejas e capelas deste país encontram-se encerradas teremos de ter algum cuidado aquando da deslocação a este local

Local: Igreja Matriz de Stª Maria (assenta a pia baptismal)
Acesso: Évoramonte (EN18)


Estremoz

Museu Municipal de Estremoz Prof. Joaquim Vermelho

Colunas em mármore (séc. III/IV d.C.)

Capitel (séc. III/IV d.C.)

Santana do Campo (Arraiolos)

Templo Romano




Outros vestígios romanos junto à Igreja
Local: Igreja Paroquial de Santa Ana – Monumento Nacional
Acesso: Arraiolos (EN370), desvio a Santana do Campo