sábado, 2 de abril de 2016

DISTRITO DE BEJA

O património arqueológico histórico-cultural da antiga província da LVSITANIA na parte que corresponde ao território de Portugal que chegou aos nossos dias é bastante diversificado, apesar de não existirem grandes espaços monumentais posso garantir que vestígios não nos faltam, encontram-se é dispersos um por pouco por todo o lado e bem debaixo dos nossos pés, pontes e vias romanas, cidades e villas que outrora fervilharam vida. Motivo mais do que suficiente para nos sentirmos pequenos nesta história? Óptimo, a ideia era essa. Agora embarquemos nesta viagem ao passado pelos trilhos dos romanos no Baixo Alentejo pelo distrito de Beja iniciando na sede e capital de distrito pela cidade de Beja.

Crê-se que a cidade possa ter sido fundada pelos Celtas, 400 a.C., com a conquista romana, esta cidade passa a fazer parte do Império Romano, ao qual pertenceu durante mais de 600 anos, com o nome alterado para Pax Iulia na época romana. Na dinastia do imperador Augusto, Pax Iulia tornou-se numa civitas cuja importância crescente acabaria por fazê-la a capital de um dos três "conventus" da Lusitânia, denominado Conventus Pacensis”, em 16-15 a.C.. Atravessavam-na duas vias essenciais: uma delas, de Ebora (ou Évora) vinda de Olisipo (a antiga Lisboa) e Emerita Augusta (Mérida), a capital da província; a outra ligava-a Salacia (actual Alcácer do Sal) e a Sevilhamuito contribuindo para que se tornasse num importante entreposto comercial para o escoamento dos seus produtos e matérias-primas a outras províncias do Império e da bacia do Mediterrâneo Oriental. 

Locais identificados da antiga Pax Iulia trilhados pelos romanos que chegaram até nós:

Porta de Évora com o seu Arco Romano classificado como Monumento Nacional, julga-se que tenha sido erguido no séc. III/IV d.C., juntamente com as muralhas da então Pax Iulia.

Calçada, na rua D. Dinis, seguindo ao fórum da cidade na zona actual da Praça da República.

Porta de Mértola, demolida, e transladada para a Igreja Nossa Senhora da Conceição onde ainda se encontra.

Identificado está um Templo Romano, do século I d.C., faltando agora escavar e colocá-lo à mostra, para o efeito, estão a decorrer negociações por parte Câmara de Beja para adquirir o edifício da antiga tipografia do jornal Diário do Alentejo e que está instalado “em cima de grande parte”.

Museu Regional de Beja (Museu Rainha D. Leonor)

em breve (imagens)

Penedo Gordo


Villa Romana de Pisões (encerrada ao público há 2 anos)

Ficha Técnica
Local
Penedo Gordo
Acesso
Aberto para visitas em grupos e por marcação, através da C.M. de Beja (Maria João Maceda ou Rui Aldegalega – 284311800), ou da Direcção Regional da Cultura do Alentejo - 266769450 (Susana Correia 96 2372285/965501251)
Duração estimada da visita
2 horas
Classificação 
IMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
6,8 kms


em breve (imagens)


Rota I 
Beja - Vidigueira/Vila de Frades

Vidigueira/Vila de Frades


Villa Romana de S. Cucufate

Estamos perante uma enorme villa, corresponde ao conceito de “villae áulica”, residência permanente de poderosa família que construiu uma sumptuosa e faustosa casa explorando um vasto latifúndio. Estas casas multiplicaram-se essencialmente a partir dos séculos III/IV d.C., num movimento identificado como o da fuga para os campos mercê da insegurança social levando que grandes senhores se refugiem no campo, de modo, a afastarem-se das turbulências sociais cada vez mais frequentes nos grandes centros urbanos.


Existiram três fases de construção, uma primeira fase, edificada em meados do século I d.C., entretanto demolida para dar origem a outra nos meados do século II d.C., posteriormente, destruída para se erguer, na segunda metade do século IV d.C., a villa palaciana cujas ruínas ainda hoje permanecem.

Para quem a visita a entrada em muito corresponde sensivelmente à aproximação da antiga villa, quem chegava via primeiro o Templo Romano, uma construção isolada, consagrada a divindades pagãs.


Em frente da villa havia um jardim aproveitando o pequeno e suave declive do terreno até a um grande tanque podendo ter servido de piscina em dias quentes de Verão, hábito comum numa região quente.


A villa é composta por dois contrafortes que se ligam no alto por meio de arcadas, por cima, sobre o que resta, um outro andar que seria o piso nobre residencial da construção. Por três pequenas escadas acedia-se a um comprido palco descoberto onde os senhores da casa aguardariam as suas visitas, de seguida, uma espaçosa galeria cuja abóboda veio abaixo por completo, denotando-se ainda nos extremos os arranques, e a porta de entrada às traseiras da casa através de um corredor com duas portas, uma de cada lado, davam para a adega, os armazéns e celeiros, contudo, o percurso para o visitante não se faz deste modo mas pela esquerda pela Igreja (antigos celeiros abobadados) pelos armazéns de vinho e azeite para se chegar ao dito corredor.






Nas traseiras da villa um segundo tanque ou piscina construído na segunda fase, meados do séc. II d.C., conservado no séc. IV d.C., ao longo dele lançou-se uma galeria de arcos de volta inteira que suportavam, no piso superior, uma varanda que correspondia à da fachada. Da villa do século II, conservaram-se o triclinium com pavimento róseo e algumas salas que se vêem nas traseiras do edifício, este foi destelhado e os seus muros derrubados em grande parte, o que seria uma sala coberta passou a ser agora, um espaço ensombrado por uma pérgola e no qual se podiam servir-se as refeições em tempo de calor. 



As outras salas, a nascente do triclinium apontam para terem ficado reservadas ao feitor da villa e residência de alguns criados. O acesso ao piso residencial era através de uma só escada estreita e íngreme, a uma varanda comprida que corria ao longo da fachada, guarnecida de madeira, dando acesso aos quartos, a um salão octogonal e a um salão com abside.





Desanexado da villa, deve ter sido projectado o edifício termal porém nunca foi construído tendo-se remodelado as termas da antiga segunda villa, com o seu frigidarium, tepidarium e caldarium. A sul delas, vêem-se os alicerces de um grande corpo, rematado em abside, com poderosos muros contrafortados, deve ter sido previsto para uma sala de recepção mas não chegou nunca a erguer-se. 



Do lado nascente conservam-se os muros da pars rústica, da villa do século II, instalações para os criados da lavoura e o lagar onde permanecem dois pesos no local.



Ficha Técnica
Local
Vila de Frades - está sinalizada na estrada
Acesso
Horários e dias de funcionamento do Sítio Arqueológico
Manhãs: 10,00h - 13,00h (horário de Inverno: 15 Setembro a 2 de Maio)
Tardes: 14,00h - 17,30h (horário de Inverno: 15 Setembro a 2 de Maio)
Manhãs: 10,00h – 12,30h (horário de Verão: 2 de Maio a 15 de Setembro)
Tardes: 14,30h – 18,30h (horário de Verão: 2 de Maio a 15 de Setembro)
Encerra às segundas-feiras, terça-feira de manhã e feriados
Duração estimada da visita
2 horas
Classificação
MONUMENTO NACIONAL

Ficha Técnica 
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
27,4 kms
Duração recomendada
1 dia

Vila de Frades
Museu do Arco

Ficha Técnica 
Horários de Inverno e Verão
Manhãs: 10,00h – 13,00h
Tardes: 14,00h – 17,30h


Rota II
Beja – Alfundão – Vila Ruiva – Alvito – Vila Nova da Baronia

Alfundão (Ferreira do Alentejo)
Ponte Romana

Estado: pedonal
Via romana: Alcácer do Sal a Beja
Acesso: Peroguarda (EN 387) a Alfundão, cerca de 3 km, seguir indicação de ponte romana – junto ao Largo Inocêncio Ventura

Vila Ruiva (Cuba)
Ponte Romana-Medieval

Estado: aberta à circulação rodoviária
Construção: séc. I a.C./séc. I d.C., 20 arcos só restam 3 pilares originais romanos
Via romana: Évora a Beja
Acesso: Vila Ruiva (EN 258-1) seguir indicação de ponte romana na estrada a Albergaria dos Fusos
Classificação: Monumento Nacional

Barragem Romana


Local: em frente da Ermida Nossa Senhora Represa por caminho de terra batida (80 mts)
Acesso: Vila Ruiva/Cuba (EN 258)
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Alvito
Ponte da Pedra

Estado: aberta à circulação rodoviária
Via romana: Évora a Beja, variante por Ns. d´Aires a Beja por Alvito 
Acesso: Alvito (EN 258)

Vila Nova da Baronia (Alvito)
Ponte Romana?-Medieval do Azinhal


Estado: Pedonal
Via romana: Évora a Beja, variante por Ns. d´Aires a Beja por Alvito
Acesso: Alvito/Vila Nova da Baronia (EN 257

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
73,9 kms
Duração recomendada
1 dia


Rota III
Beja - Serpa – Moura 


Rota IV
Beja - Mértola – Almodôvar - Messejana



em breve (continuação)

sábado, 7 de fevereiro de 2015

DISTRITO DE SETÚBAL

O património arqueológico histórico-cultural da antiga província da LVSITANIA na parte que corresponde ao território de Portugal que chegou aos nossos dias é bastante diversificado, apesar de não existirem grandes espaços monumentais posso garantir que vestígios não nos faltam, encontram-se é dispersos um por pouco por todo o lado e bem debaixo dos nossos pés, pontes e vias romanas, cidades e villas que outrora fervilharam vida. Motivo mais do que suficiente para nos sentirmos pequenos nesta história? Óptimo, a ideia era essa. Agora embarquemos nesta viagem ao passado pelos trilhos dos romanos nos estuários do Tejo e Sado com enseadas abrigadas envolvidas, por terras ricas e produtivas permitindo a fixação de diferentes comunidades humanas pré-romanas e romanas, por vestígios arqueológicos do advento do estuário do Sado como centro produtor de sal e salga de peixe descobertas em Tróia e Setúbal, e com as ruínas da cidade romana de Miróbriga em Santiago do Cacém.

Em Setúbal como pontos de interesse de vestígios romanos temos o Pelourinho de Setúbal, na Praça Marquês de Pombal, verificando-se que os elementos que compõem o pelourinho, a coluna e o capitel são romanos, provavelmente, oriundos de Tróia, gratificante será recuar no tempo ao realizar a pé um troço da via romana que ligava Lisboa a Mérida de Setúbal no Casal das Figueiras (Bairro do Viso) com início na rua do Caminho Romano terminando no Grelhal, na denominada “Estrada do Viso”.

Praça da República - Coluna com capitel romano

Capitel Romano
Calçada Romana Estrada do Viso

Característica: calçada sobre terra batida coberta por camada de pedras talhadas em bom estado de conservação na extensão
Via romana: itinerário XII Lisboa – Alcácer – Évora - Mérida
Acesso: Setúbal, no Casal das Figueiras (Bairro do Viso) rumo ao Grelhal (EN10)

Portinho da Arrábida

Estação Arqueológica do Creiro

Na estrada de acesso à praia do Portinho da Arrábida, encontra-se o que seria um complexo industrial de produção de salga e molho de peixe à base de cavala e muito apreciado entre os romanos denominado por garum, a sua ocupação é datada entre o séc. I d.C./séc. V d.C., é possível observar a unidade fabril, os armazéns e o edifício termal com a área destinada aos banhos quentes (caldarium e tepidarium) e frios (frigidarium), um pouco mais afastado, um poço indispensável ao bom funcionamento do complexo de preparados piscícolas que exigia um grande volume de água.

Tanques de salga de peixe

Área Termal
Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
13,1 kms
Duração estimada da visita 
30 minutos

Corroios/Seixal

Olaria Romana

Na sociedade romana os artigos de cerâmica estavam presentes em quase todas as actividades do quotidiano. Uma grande propriedade rural podia dispor da sua própria olaria (edifício, fornos e matérias-primas) e contratar oleiros que ali se deslocavam sazonalmente, seriam artesões livres para executarem as suas tarefas, desconhece-se se era prática ou excepção sobre os regimes de propriedade e de trabalho, ou modos de funcionamento das olarias.



Mas, em muitos casos, como na Quinta do Rouxinol, as olarias assumiam-se como centros de artesanato intensivo, provavelmente em laboração contínua, fabricando uma grande variedade de artigos: materiais de construção (tijolos, telhas planas e de meia-cana), recipientes de armazenagem, loiça de cozinha, ânforas ou candeias de iluminação (lucernas). Instalavam-se na proximidade das fontes de matérias-primas (argila, lenha e água) e centros de consumo tirando partido das vias de comunicação disponíveis fossem terrestres, fluviais ou marítimas.

Os fornos romanos eram de planta, aproximadamente, circular ou rectangular e, compostos por duas partes sobrepostas separadas por uma grelha perfurada para facilitar a circulação do ar quente: a câmara de cozedura e a câmara de combustão. 

No primeiro forno, ainda se conserva a câmara de combustão, em forma de pêra e um pequeno corredor de acesso na zona mais estreita, denota-se três arcadas que suportariam a grelha sobre a qual eram colocadas as peças, já não havendo vestígios quer da grelha nem da câmara de cozedura. 


No segundo forno, semelhante ao primeiro mas a estrutura aqui está melhor conservada, também com três arcadas se suporte da grelha e a existência de pilar de suporte a uma dessas arcadas. 



O terceiro forno limitado a pequeno fragmento da parede. Para além dos três fornos, é visível uma pequena estrutura em forma de ferradura, podendo ter funcionado de apoio ao segundo forno, para cozedura de materiais mais sensíveis.


A olaria romana da Quinta do Rouxinol produziu essencialmente ânforas e loiça doméstica, de várias formas para diversas utilidades e, reprodução de lucernas para iluminação a óleo colocado no interior ou azeite, embebido em pequenas mechas de fibras entrelaçadas vegetais, saíam por um ou mais bicos e facilmente se inflamavam.




Ficha Técnica
Local
Corroios
Acesso
Condicionado, realizando-se apenas em contexto de acções pontuais em Programas de Iniciativas acompanhadas pelo Serviço de Arqueologia, deve-se contactar previamente o Ecomuseu Municipal do Seixal ou a Câmara Municipal do Seixal 
Distância percorrida
36,1 kms
Duração estimada da visita
1 hora
Classificação
MONUMENTO NACIONAL

Rota I
Setúbal - Tróia – Alcácer do Sal

Tróia

Estação Arqueológica de Tróia

As ruínas romanas de Tróia são testemunho de um grande complexo industrial de salgas de peixe construído na primeira metade do século I d.C., provavelmente, durante a dinastia dos Júlios-Cláudios. O seu abandono verificou-se por volta do século VI d.C., mas a sua decadência já se vinha verificando a partir do século IV d.C., com a desagregação do império levou à progressiva deterioração das rotas comerciais e dos mercados consumidores.


Este complexo com o seu desenvolvimento veio a tornar-se um povoado urbano, para além das múltiplas “oficinas de salga” também foi zona residencial, complexo termal, necrópoles, um mausoléu e uma basílica paleocristã.

Mausoléu


Estrutura da Basílica e Necrópole
De facto, este povoado banhado pelo Atlântico não foi um ponto isolado mas parte de uma ampla cadeia comercial garantindo o fornecimento de produtos e iguarias do mar e a excepcional produção de sal das margens do rio Sado, fabricava-se peixe salgado e molhos de peixe, entre os quais o famoso garum, pasta ou molho que servia para condimentar os alimentos, obtida das vísceras de atum ou cavala misturadas com outros peixes a que eram adicionadas ervas aromáticas, depois de acondicionados em ânforas seriam levadas por barco para Roma e a outras províncias do Império.


Entrada e escadaria de acesso ao poço
A villa industrial possuía um balneário assegurando os banhos tanto aos proprietários como aos trabalhadores, fossem eles livres ou escravos. As termas tinham numa ala, a sala de ginástica (palaestra), apodyterium, frigidarium e piscinas, e na outra, a parte aquecida, o tepidarium e o caldarium sobre hipocaustum, zona subterrânea formada por arcos que sustentavam o piso superior ligada a uma fornalha (praefurnium) que produzia o calor.

Palaestra, fundo Frigidarium e Tepidarium, lado direito Apodyterium

Fornalhas (praefurnium)

Caldarium
Pela esquerda, na entrada da área arqueológica e não muito distante desta, ainda em fase de escavações estamos em presença de uma terceira oficina de tanques de salga (cetarias), ao fundo o local dos fornos. 



A área visitável é uma pequena amostra dum vasto complexo arqueológico cujos vestígios se estendem ao longo de mais de 2 km de areal pela margem esquerda do rio Sado. 

Todo o espólio arqueológico das ruínas está em exposição no Tróia Golf (entrada gratuita).

Ficha Técnica
Abertura e Encerramento do Sítio Arqueológico
Visita das ruínas ao longo do circuito com o acompanhamento de uma arqueóloga (tlf: 265499400)
Março a Maio e Outubro – 1º Sábado às 15,00h
Junho e Setembro – Sábado às 15,00h
Julho e Agosto – Quartas e Sábado às 10,30h
Janeiro e Fevereiro – Encerrada
Distância percorrida
FERRY
Duração estimada da visita
1h 30 minutos
Classificação 
MONUMENTO NACIONAL E PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE DA UNESCO 


Alcácer do Sal


A região de Alcácer do Sal desde a Antiguidade foi local de forte presença humana como demonstram os vestígios arqueológicos descobertos desde a Idade do Ferro, do período Romano ao Muçulmano, da época Medieval Cristã à Moderna, até à época Contemporânea.

Precisamente onde actualmente se ergue o Castelo de Alcácer do Sal num morro protegido e sobranceiro ao rio se implantou o núcleo populacional primitivo da Idade do Ferro que mais tarde depois com a ocupação romana também foi o local escolhido para a implantação da cidade denominada na época romana por SALACIA. Quando aqui chegaram os romanos o povoado já estaria romanizado e é no decorrer do conflito opondo Pompeu e Júlio César, a população aliando-se a Pompeu recebeu em troca o estatuto de Direito Latino “Forum Romano de Salacia Urbs Imperatoria”.

A área geográfica da cidade encontrava-se muito para além do seu limite, controlando um território relativamente afastado de si, entre Setúbal a Grândola, num amplo vale de terras férteis permitindo uma agricultura diversificada, condições favoráveis para outras indústrias surgiram na produção de sal, no desenvolvimento da pesca e da indústria conserveira, garum (pasta de peixe), na produção de artigos em cerâmica e de materiais de construção (tijolos, telhas planas e de meia-cana), loiça de cozinha, ânforas ou candeias de iluminação (lucernas), muito contribuindo para uma intensa actividade comercial com outras províncias do Império da bacia do Mediterrâneo, proporcionada pelo rio Callipus (rio Sado) como via fluvial.


A entrada da cidade fazia-se pela rua da Fábrica, Convento de Santo António no Largo de S. Francisco, contornava a necrópole de S. Francisco Frades até à base do morro do castelo numa área plana em frente da Igreja Stª Maria, a sua grande praça pública fórum. Está identificado um edifício de caracter público um Templo ou Santuário de planta rectangular, é possível observar-se algumas placas marmóreas “in situ” revestindo o pavimento, no lado sul, uma muralha destinada à contenção de terras da plataforma onde outros edifícios se implantaram num dos lados menores, desconhecendo-se a sua funcionalidade, podemos estar na presença da Basílica ou a da Cúria, local de reunião do senado.

Forum Romano no morro do Castelo




Cisterna Romana da Fonte da Talha
A presença da cisterna romana, situada na rua da Fonte da Talha nas imediações da Escola Secundária da Fonte da Talha, deverá estar associada ao Aqueduto Romano no Bairro rio Clérigos, que abastecia a cidade e fontes de água.  



Cripta Arqueológica do Castelo - Museu Municipal Pedro Nunes 

As obras de beneficiação do Convento de Nossa Senhora de Aracaeli em pousada D. Afonso III, permitiu por a descoberto uma enorme quantidade de ruínas da ocupação humana deste local de diferentes épocas.

Quem se desloque ao morro do Castelo uma visita à cripta arqueológica é imprescindível pela espectacularidade do património arqueológico em exposição e pela diversificada riqueza do numeroso espólio em exposição composto por peças de cerâmicas, epígrafes, moedas, objetos de adorno e vidros romanos correspondendo a uma das mais importantes coleções a nível nacional.

Inicia-se a visita à cripta com a visualização de um documentário, na sala multimédia, sobre a história da ocupação humana de Alcácer do Sal.

Imperador Cláudio




Ficha técnica
Abertura e horário de funcionamento da Cripta Arqueológica
Manhãs: 09,30h – 13,00h (horário de verão: Julho e Agosto)
Tardes: 15,00h – 18,30h (horário de verão: Julho e Agosto)
Manhãs: 09,00h – 12,30h (horário de inverno: Setembro a Junho)
Tardes: 14,00h – 17,30h (horário de inverno: Setembro a Junho)
Encerra: Segunda-feira e Feriados
Classificação
MONUMENTO NACIONAL

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
46,8 kms
Duração recomendada
1 dia 

Rota II
Setúbal - Santa Catarina de Sítimos – Torrão - Grândola

Santa Catarina de Sítimos


Villa Romana de Santa Catarina de Sítimos

A pacata aldeia alentejana de Santa Catarina de Sítimos possui um importante património histórico-cultural devidamente sinalizado quando se entra na aldeia, contudo, facilmente se acede ao espaço arqueológico porque está sem qualquer tipo de vigilância e protecção.

Originalmente era uma villa agrícola, datada dos meados do séc. I a.C. e terá perdurado até meados do séc. V/VI d.C., era uma importante estrutura económica na economia rural onde estava integrada pela localização perto a Salacia e do porto fluvial, mas principalmente, no apoio à via romana Alcácer do Sal a Beja.

Da observação do sítio arqueológico é possível ver uma “natatio” (piscina) e a escadaria de acesso ao seu interior, visualizam-se ainda vestígios do pavimento, ainda está por definir a finalidade, provavelmente, fazendo parte do complexo termal mais amplo da villa, ou como um espaço de culto pagão à deusa “Venus”, deusa romana do amor e beleza. 





Ficha Técnica
Local
Santa Catarina de Sítimos
Acesso
Aberta ao público e entrada gratuita
Duração estimada da visita
20 minutos


Torrão

Estação Arqueológica da Fonte Santa

Neste caso estamos perante um complexo industrial ou edifício termal e um tanque/piscina, a ocupação do espaço é entre o séc. I d.C. e séc. V d.C., é suposto que se tratasse dum complexo termal pelos vestígios em presença, um tanque, uma cisterna, um compartimento e uma conduta de abastecimento de água.

A estação arqueológica está localizada no interior do Centro Escolar do Torrão, pode ser observada pelo exterior, pois, encontra-se delimitada com gradeamento do Centro Escolar, na rua da Fonte Santa e rua Dr. Bento Jesus Caraça,



Ao mesmo tempo podemos recuar no tempo ao percorrermos um pequeno troço da via romana que de Alcácer do Sal passava na villa romana de Santa Catarina de Sítimos rumo a Beja, são cerca de 400 metros localizados à entrada do Torrão, na curva apertada (à direita) descendo para a travessia do rio Xarrama, onde deveria existir uma ponte romana.

Calçada Romana

Característica: calçada sobre terra batida coberta por camada de pedra talhada numa extensão de 300 metros
Construção: séc. I d.C.
Via romana: Alcácer a Beja
Acesso: à entrada do Torrão (EN5-2) situada num pequeno morro (à direita), imediatamente ao entroncar com a estrada oriunda de Alcáçovas e Évora, sinalizada no local, 

Grândola

Estação Arqueológica do Cerrado do Castelo


Quem circule no (IC1), uma breve paragem em Grândola servirá para retemperar energias para a viagem que ainda falta realizar, ao mesmo tempo proporcionará uma rápida visita a um património histórico-cultural escondido fora dos roteiros turísticos, refiro-me neste caso uma villa romana, localizada no interior da Escola Básica 1, na rua Nossa Senhora da Penha. De facto, a existência de uma pequena ribeira e identificada uma barragem romana situada a sul, no lugar conhecido por Pêgo da Moura numa pequena elevação, proporcionava uma fácil irrigação a terrenos de cultivo e abastecimento de água indicia um pequeno povoado integrado no conjunto de uma villa ou estalagem romana em apoio à via romana Alcácer do Sal (Salacia) a Santiago do Cacém (Mirobriga). A ocupação do lugar está datada entre o séc. I d.C. e séc. V d.C., a existência de apoio descritivo sobre a estação arqueológica ajudará o visitante na identificação do espaço e o mesmo sucedendo na visita à barragem romana.


D) - Poço 

B) - Natatio

C) - Salas
Ficha Técnica
Local
Interior EB1 de Grândola (Rua Nossa Senhora da Penha)
Acesso
Aberta ao público e entrada gratuita
Duração estimada da visita
20 minutos
Classificação
IMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO

Barragem Romana Pêgo da Moura 


Ficha Técnica
Local
Pêgo da Moura, no caminho para TR do Monte Cabeço do Ouro
Acesso
Grândola, saída (IC1) para Santa Margarida da Serra (EN120) na placa indicativa na estrada
Distância percorrida
3,0 Km
Duração estimada da visita
10 minutos
Classificação
IMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
148,3 Kms
Duração recomendada
1 dia

Rota III
Setúbal - Santiago do Cacém - Alvalade

Santiago do Cacém

CIDADE ROMANA DE MIROBRIGA

Em Santiago do Cacém e não muito distante desta, no cimo de uma colina, dotada de uma localização estratégica outros povos desde a Idade do Bronze e do Ferro escolheram este local para se fixarem na procura de segurança e bem-estar que o lugar lhes proporcionava para si e para a sua família e gerações vindouras, criando um povoado que mais tarde com a ocupação romana aproveitaram para também fundarem a sua própria cidade, MIROBRIGA, no século I d.C. até ao séc. V d.C..

Foi neste período que se deu a revitalização do antigo povoado tornando-o na principal cidade romana da costa ocidental a sul do Tejo, muito devido ao “estatuto de estipendiária” como Plínio a assinalou, ou seja, povoado fortificado sem qualquer privilégio e que pagava imposto. A cidade estendia-se por mais de dois quilómetros, a população fixa não deveria ultrapassar os dois mil e quinhentos habitantes, comum às cidades de pequena dimensão, tornando-se livres, submetidas como era usual a vários tipos de imposições e cargas fiscais.

No decurso das dinastias imperiais do Flávios (69-96) o quotidiano da cidade foi intenso, com a obtenção do estatuto de direito latino ou romano “municipium”, confirmando assim uma integração plena dos seus habitantes na cultura, economia e sociedade romana, o impulso surge com as construções do fórum, do Templo e das tabernae (lojas) adjacentes, e mais tarde, na dinastia dos Antoninos o aglomerado urbano estende-se a zonas mais baixas onde se edificaram os dois edifícios balneares ou termais e o hipódromo, único existente em Portugal.

A vitalidade da cidade mantém-se até ao séc. III d.C., com uma progressiva diminuição na segunda metade do séc. IV d.C., contudo, não se pode falar propriamente de um colapso, apesar da crise interna continua a verificar-se importações de cerâmicas de origem africana a que se juntam trocas comerciais com o Mediterrâneo Oriental. O abandono definitivo ter-se-á verificado após ter sido pilhada e incendiada em que as construções funcionaram como matéria-prima para edificações seguintes medievais, para o castelo de Santiago do Cacém.

Vista geral da área arqueológica

Legenda
1 - escadaria de acesso à calçada
2 - área habitacional, séc. I d.C. a séc. IV d.C.
3a - termas oeste, séc. II d.C.
3b - termas este, séc. I d.C.
4 - ponte romana, séc. I a.C.
5 - domus
6 - tabernae
7 - acrópole/fórum, séc. I d.C.
8 - templo central, séc. I d.C.
9 - templo de Venus, séc. I d.C.
10 - calçada romana
11 - capela de S. Brás

A entrada às ruínas da antiga cidade inicia-se pela zona habitacional grande parte ainda por escavar, o acesso faz-se por uma larga escadaria, algumas estruturas de habitações podem ser ainda observadas desenvolvendo-se uma calçada que funcionava como entrada à praça pública, o fórum.


Na Acrópole, o santuário centrado num Templo, dedicado a culto imperial, na praça pública, do lado esquerdo ao templo principal, dois outros templos, um rectangular e quadrangular, à direita, diversas estruturas de edifícios de apoio ao fórum, este seria o local de excelência de qualquer cidade romana, de culto e intensa actividade comercial, ponto de convergência da população onde se afixavam editais públicos ou eram lidos, em voz alta, os decretos emanados do senado, em Roma. 



A sul do fórum, desenvolve-se a área comercial constituída por diversas lojas tabernae, de pequenas dimensões comunicando directamente para a rua, uma calçada faz a ligação do fórum e da praça pública a esta área comercial e a uma domus, admitindo-se que fosse de grandes dimensões em torno de um átrio que deveria ser porteado, esta domus tem sido identificada como sendo uma hospedaria pela existência de vários quartos e salas de refeições decorados com pinturas murais, datadas dos meados do séc. I d.C., do período de Nero ou inícios do período Flaviano




A oeste, descendo a calçada romana estaremos perante o complexo balnear da cidade. O primeiro edifício a ser construído foi o das Termas Este (séc. I d.C.), e mais tarde, devido ao desajuste da capacidade do primeiro foi construído um outro, as Termas Oeste (séc. II d.C.). 



A entrada ao edifício das Termas Oeste fazia-se por dois degraus, à esquerda, um corredor em forma de um L ao fundo seria a latrina, em frente, uma porta de grandes dimensões e uma soleira “in situ” acede-se a sala ampla com duas divisões o apodyterium (vestiários) em ambos os lados, à direita, uma porta para a parte superior a palaestra (sala de ginástica). Em frente, por duas portas passa-se a uma sala rectangular dos banhos frios, o frigidarium, com duas natatio, uma de cada lado no topo, e finalmente, a área destinada às salas dos banhos quentes composta por quatro divisões, duas delas indefinidas, um tepidarium e um caldarium, todas assentes sobre o hipocaustum, zona subterrânea formada por arcos que sustentavam o piso superior ligada a uma fornalha (praefurnium) que produzia calor.






A característica diferenciadora em relação às Termas Este está no sistema de aquecimento, em que a circulação do ar é através de paredes duplas do tepidarium e do caldarium, com alguma atenção minuciosa é ainda visível.


Contíguo às Termas Oeste está o edifício das Termas Este, acedendo-se a ele descendo mais dois lanços de degraus à porta de entrada, esta bem mais pequena relativamente à porta de entrada das termas oeste, no interior pela direita, um corredor dá acesso a uma divisão sem função específica e o mesmo sucede a divisória de construção circular no topo, à esquerda, uma sala com longo corredor rectangular, o apodyterium, e um extenso banco ao longo de toda a sala, por uma passagem no topo, as salas de banhos, o frigidarium, com uma natatio pavimentada mas protegida, o tepidarium e o caldarium, assentes sobre o hipocaustum e fornalhas (praefurnium).







Ponte Romana


Em local não aberto ao público, a cerca de um quilómetro do aglomerado urbano, as ruínas do hipódromo, provavelmente, talvez o único em Portugal com uma capacidade de 25.000 espectadores, datado do séc. II d.C.. Estes lugares encontravam-se sempre afastados por motivos práticos, dada a grande afluência de público ao mesmo tempo entre a cidade e o local dos jogos existissem também outras estruturas que habitualmente se desenvolveriam junto aos núcleos urbanos, tais como, unidades fabris ou agrícolas e villaes.




Ficha Técnica
Abertura e horário de funcionamento do Sítio Arqueológico
Manhãs: 09,00h – 12,30h
Tardes: 14,00h – 17,30h
Encerra: Segunda-feira e Feriados
Duração estimada da visita
2 horas
Classificação
IMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO

Alvalade
Peso de Lagar Romano

Local: Praça D. Manuel I  

Ponte Romana?-Medieval de Alvalade 

Estado de conservação: pedonal
Via romana: Santiago do Cacém-Alvalade-Beja
Acesso: Alvalade (IC1), encontra-se sinalizada no interior da povoação

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
145,8 Kms
Duração recomendada
1 dia