sábado, 2 de abril de 2016

DISTRITO DE BEJA

O património arqueológico histórico-cultural da antiga província da LVSITANIA na parte que corresponde ao território de Portugal que chegou aos nossos dias é bastante diversificado, apesar de não existirem grandes espaços monumentais posso garantir que vestígios não nos faltam, encontram-se é dispersos um por pouco por todo o lado e bem debaixo dos nossos pés, pontes e vias romanas, cidades e villas que outrora fervilharam vida. Motivo mais do que suficiente para nos sentirmos pequenos nesta história? Óptimo, a ideia era essa. Agora embarquemos nesta viagem ao passado pelos trilhos dos romanos no Baixo Alentejo pelo distrito de Beja iniciando na sede e capital de distrito pela cidade de Beja.

Crê-se que a cidade possa ter sido fundada pelos Celtas, 400 a.C., com a conquista romana, esta cidade passa a fazer parte do Império Romano, ao qual pertenceu durante mais de 600 anos, com o nome alterado para Pax Iulia na época romana. Na dinastia do imperador Augusto, Pax Iulia tornou-se numa civitas cuja importância crescente acabaria por fazê-la a capital de um dos três "conventus" da Lusitânia, denominado Conventus Pacensis”, em 16-15 a.C.. Atravessavam-na duas vias essenciais: uma delas, de Ebora (ou Évora) vinda de Olisipo (a antiga Lisboa) e Emerita Augusta (Mérida), a capital da província; a outra ligava-a Salacia (actual Alcácer do Sal) e a Sevilhamuito contribuindo para que se tornasse num importante entreposto comercial para o escoamento dos seus produtos e matérias-primas a outras províncias do Império e da bacia do Mediterrâneo Oriental. 

Locais identificados da antiga Pax Iulia trilhados pelos romanos que chegaram até nós:

Porta de Évora com o seu Arco Romano classificado como Monumento Nacional, julga-se que tenha sido erguido no séc. III/IV d.C., juntamente com as muralhas da então Pax Iulia.

Calçada, na rua D. Dinis, seguindo ao fórum da cidade na zona actual da Praça da República.

Porta de Mértola, demolida, e transladada para a Igreja Nossa Senhora da Conceição onde ainda se encontra.

Identificado está um Templo Romano, do século I d.C., faltando agora escavar e colocá-lo à mostra, para o efeito, estão a decorrer negociações por parte Câmara de Beja para adquirir o edifício da antiga tipografia do jornal Diário do Alentejo e que está instalado “em cima de grande parte”.

Museu Regional de Beja (Museu Rainha D. Leonor)

em breve (imagens)

Penedo Gordo


Villa Romana de Pisões (encerrada ao público há 2 anos)

Ficha Técnica
Local
Penedo Gordo
Acesso
Aberto para visitas em grupos e por marcação, através da C.M. de Beja (Maria João Maceda ou Rui Aldegalega – 284311800), ou da Direcção Regional da Cultura do Alentejo - 266769450 (Susana Correia 96 2372285/965501251)
Duração estimada da visita
2 horas
Classificação 
IMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
6,8 kms


em breve (imagens)


Rota I 
Beja - Vidigueira/Vila de Frades

Vidigueira/Vila de Frades


Villa Romana de S. Cucufate

Estamos perante uma enorme villa, corresponde ao conceito de “villae áulica”, residência permanente de poderosa família que construiu uma sumptuosa e faustosa casa explorando um vasto latifúndio. Estas casas multiplicaram-se essencialmente a partir dos séculos III/IV d.C., num movimento identificado como o da fuga para os campos mercê da insegurança social levando que grandes senhores se refugiem no campo, de modo, a afastarem-se das turbulências sociais cada vez mais frequentes nos grandes centros urbanos.


Existiram três fases de construção, uma primeira fase, edificada em meados do século I d.C., entretanto demolida para dar origem a outra nos meados do século II d.C., posteriormente, destruída para se erguer, na segunda metade do século IV d.C., a villa palaciana cujas ruínas ainda hoje permanecem.

Para quem a visita a entrada em muito corresponde sensivelmente à aproximação da antiga villa, quem chegava via primeiro o Templo Romano, uma construção isolada, consagrada a divindades pagãs.


Em frente da villa havia um jardim aproveitando o pequeno e suave declive do terreno até a um grande tanque podendo ter servido de piscina em dias quentes de Verão, hábito comum numa região quente.


A villa é composta por dois contrafortes que se ligam no alto por meio de arcadas, por cima, sobre o que resta, um outro andar que seria o piso nobre residencial da construção. Por três pequenas escadas acedia-se a um comprido palco descoberto onde os senhores da casa aguardariam as suas visitas, de seguida, uma espaçosa galeria cuja abóboda veio abaixo por completo, denotando-se ainda nos extremos os arranques, e a porta de entrada às traseiras da casa através de um corredor com duas portas, uma de cada lado, davam para a adega, os armazéns e celeiros, contudo, o percurso para o visitante não se faz deste modo mas pela esquerda pela Igreja (antigos celeiros abobadados) pelos armazéns de vinho e azeite para se chegar ao dito corredor.






Nas traseiras da villa um segundo tanque ou piscina construído na segunda fase, meados do séc. II d.C., conservado no séc. IV d.C., ao longo dele lançou-se uma galeria de arcos de volta inteira que suportavam, no piso superior, uma varanda que correspondia à da fachada. Da villa do século II, conservaram-se o triclinium com pavimento róseo e algumas salas que se vêem nas traseiras do edifício, este foi destelhado e os seus muros derrubados em grande parte, o que seria uma sala coberta passou a ser agora, um espaço ensombrado por uma pérgola e no qual se podiam servir-se as refeições em tempo de calor. 



As outras salas, a nascente do triclinium apontam para terem ficado reservadas ao feitor da villa e residência de alguns criados. O acesso ao piso residencial era através de uma só escada estreita e íngreme, a uma varanda comprida que corria ao longo da fachada, guarnecida de madeira, dando acesso aos quartos, a um salão octogonal e a um salão com abside.





Desanexado da villa, deve ter sido projectado o edifício termal porém nunca foi construído tendo-se remodelado as termas da antiga segunda villa, com o seu frigidarium, tepidarium e caldarium. A sul delas, vêem-se os alicerces de um grande corpo, rematado em abside, com poderosos muros contrafortados, deve ter sido previsto para uma sala de recepção mas não chegou nunca a erguer-se. 



Do lado nascente conservam-se os muros da pars rústica, da villa do século II, instalações para os criados da lavoura e o lagar onde permanecem dois pesos no local.



Ficha Técnica
Local
Vila de Frades - está sinalizada na estrada
Acesso
Horários e dias de funcionamento do Sítio Arqueológico
Manhãs: 10,00h - 13,00h (horário de Inverno: 15 Setembro a 2 de Maio)
Tardes: 14,00h - 17,30h (horário de Inverno: 15 Setembro a 2 de Maio)
Manhãs: 10,00h – 12,30h (horário de Verão: 2 de Maio a 15 de Setembro)
Tardes: 14,30h – 18,30h (horário de Verão: 2 de Maio a 15 de Setembro)
Encerra às segundas-feiras, terça-feira de manhã e feriados
Duração estimada da visita
2 horas
Classificação
MONUMENTO NACIONAL

Ficha Técnica 
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
27,4 kms
Duração recomendada
1 dia

Vila de Frades
Museu do Arco

Ficha Técnica 
Horários de Inverno e Verão
Manhãs: 10,00h – 13,00h
Tardes: 14,00h – 17,30h


Rota II
Beja – Alfundão – Vila Ruiva – Alvito – Vila Nova da Baronia

Alfundão (Ferreira do Alentejo)
Ponte Romana

Estado: pedonal
Via romana: Alcácer do Sal a Beja
Acesso: Peroguarda (EN 387) a Alfundão, cerca de 3 km, seguir indicação de ponte romana – junto ao Largo Inocêncio Ventura

Vila Ruiva (Cuba)
Ponte Romana-Medieval

Estado: aberta à circulação rodoviária
Construção: séc. I a.C./séc. I d.C., 20 arcos só restam 3 pilares originais romanos
Via romana: Évora a Beja
Acesso: Vila Ruiva (EN 258-1) seguir indicação de ponte romana na estrada a Albergaria dos Fusos
Classificação: Monumento Nacional

Barragem Romana


Local: em frente da Ermida Nossa Senhora Represa por caminho de terra batida (80 mts)
Acesso: Vila Ruiva/Cuba (EN 258)
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Alvito
Ponte da Pedra

Estado: aberta à circulação rodoviária
Via romana: Évora a Beja, variante por Ns. d´Aires a Beja por Alvito 
Acesso: Alvito (EN 258)

Vila Nova da Baronia (Alvito)
Ponte Romana?-Medieval do Azinhal


Estado: Pedonal
Via romana: Évora a Beja, variante por Ns. d´Aires a Beja por Alvito
Acesso: Alvito/Vila Nova da Baronia (EN 257

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
73,9 kms
Duração recomendada
1 dia


Rota III
Beja - Serpa – Moura 


Rota IV
Beja - Mértola – Almodôvar - Messejana



em breve (continuação)

terça-feira, 19 de maio de 2015

DISTRITO DE COIMBRA

O património arqueológico e histórico da antiga província da LVSITANIA que surge à luz do dia é bastante diversificado e valioso, apesar de não existirem grandes espaços monumentais posso garantir que vestígios não nos faltam, encontram-se é dispersos um por pouco por todo o lado e bem debaixo dos nossos pés. Motivo suficiente para sentirmos pequenos nesta história? Óptimo, a ideia era essa. Agora embarquemos nesta viagem rumo ao passado pelos trilhos dos romanos.


Coimbra

Criptopórtico romano
Local: Museu Machado de Castro

Circuito I

CONIMBRIGA

Terminadas as hostilidades com Cartago (265-146a.C.), Roma iniciou um novo ciclo de campanhas militares cujo objetivo seria a ocupação da Hispânia, e na campanha de Decimus Junius Brutus Galaico, em 139 a.C., Conimbriga foi ocupada, mais tarde, na dinastia de Augusto e estatuto de “municipium” impulsionou-lhe um forte impulso urbanístico e arquitetónico com as construções do fórum, do anfiteatro e das termas, posteriormente, nas dinastias imperiais dos Flávios (69-96 d.C.) na edificação das Insulae (áreas residenciais) e das sumptuosas e faustosas “domus”. 

Atualmente pode-se reconstituir a extensão máxima da cidade dos meados do séc. I d.C., devido a troços conservados da muralha alto-imperial, aberta nas principais vias de acesso por portas de que uma se conhece em planta, do final do séc. I d.C. inícios do séc. II d.C., composta por três passagens, uma central mais larga lajeada destinada à via e duas mais estreitas (pedonais). 


Nos finais do séc. III, a degradação da situação militar nas fronteiras e a instabilidade interna no Império Romano levou à fortificação de algumas cidades, como aconteceu em Roma no reinado do imperador Marco Aurélio (270-275 d.C.). Em Conímbriga, levou a uma redução significativa do perímetro da cidade com a demolição de edifícios como a Casa dos Repuxos, Casa dos Esqueletos, Casa da Cruz Suástica e monumentos como o Anfiteatro e Termas da Muralha para fornecimento de matéria-prima para a construção de uma muralha com maior envergadura, com cerca de 6 m de altura, destinada a uma guarnição militar permanente, composta por escadas, acessos e passeios de ronda. 


No final da calçada romana, lado direito, o edifício mais emblemático de Conímbriga a Casa dos Repuxos, uma “domus” aristocrática, construída na primeira metade do séc. II sobre um outro edifício de data anterior que parcialmente foi aproveitado.com o seu grande peristilium central, preservando a estrutura original hidráulica com mais de quinhentos repuxos, pavimentado por um conjunto de mosaicos figurativos com cenas de caças, estações do ano, aves e animais marinhos, e passagens da mitologia, no triclinium (sala de refeições) no lado oposto da entrada da casa, nos cubiculos (quartos) e no peristilo lateral. O acesso à latrina faz-se através duma escadaria situada no peristilium.








Pelo lado esquerdo, conserva-se um edifício comercial (lojas), através dum grande corredor com criptopórtico, dando acesso a várias caves. 


As duas casas que seguem são a Casa da Cruz Suástica (cujo nome deriva ao motivo que decora parte dos seus mosaicos) com vários compartimentos dispostos à volta do peristilium central pavimentados com mosaicos geométricos e a Casa dos Esqueletos (nome derivado à existência de uma necrópole que aí existiu). Comum a ambas as casas é o facto dos grandes compartimentos serem o triclinium (sala de refeições) e um cubículo (quarto) de grandes dimensões. 








As Termas da Muralha, é o edifício junto à muralha e mal conservado, separado pela Casa dos Esqueletos por uma Rua Transversal, do edifício termal distingue-se uma natatio e o caldarium destinado às mulheres.




Passando a muralha do Baixo-Império, à esquerda, uma luxuosa “domus”, a Casa de Cantaber, a construção poderá corresponder à época flaviana (69-96 d.C.). A casa ocupa todo um quarteirão à volta dum eixo principal entrada/peristilium/triclinium com piscinas ornamentais em jardins com colunatas soberbas, e com peristilos laterais (quatro no total) permitindo, deste modo, a entrada de luz aos compartimentos, incluindo também termas privativas com seu próprio complexo de banho e sistema de aquecimento. 




Ao fundo da Casa de Cantaber, a Basílica Paleo-Cristã com três naves, adaptada a partir de um edifício residencial anterior, distingue-se a Capela-Mor, a Nave e o Baptistério.


Pelo lado direito, a Ínsula do Aqueduto, seria um prédio que ocupava todo um quarteirão, dividido em várias unidades residenciais teve pelo menos três pisos, e o castellum, tanque de planta quadrangular, ponte da chegada do aqueduto que encanava a água potável de Alcabideque até Conímbriga, num percurso de cerca de 3 km, sendo ainda visível um desses arcos, sendo a partir deste reservatório se fazia a distribuição da água pelos diferentes bairros da cidade, termas e fontes. Passado o arco segue-se as Termas do Aqueduto que correspondem a uma remodelação posterior à muralha do baixo-império do que tinha sido originalmente um edifício termal muito maior que teve de ser demolido para construir a estrutura defensiva. O que é visível destas termas é a parte central dedicada aos banhos: a grande natatio (piscina) de água fria e o frigidarium (sala de banhos frios), encostadas ao muro do aqueduto, precedendo as pequenas salas destinadas ao tepidarium (banhos mornos) e caldarium (banhos quentes).




O Forum era o centro de qualquer cidade romana, e o de Conímbriga é exemplo do modelo adotado a partir de meados do séc. I por muitas cidades. Desde a morte de Augusto (14 d.C.) que os imperadores tentaram a sua permanência no poder pela assunção divina e o culto imperial tornou-se no principal meio de coesão do império, deste modo, no local do antigo fórum cívico era construído um grande santuário dedicado ao culto imperial, centrado num templo e em pórticos monumentais que, a diferentes alturas o rodeavam, na praça central estariam monumentos honoríficos aos habitantes e magistrados da cidade, perdendo-se quase na sua totalidade. Sob o fórum anterior (do reinado de Augusto, 27 a.C.-14 d.C.), a basílica e o templo à volta da praça, o bairro indígena que ficava próximo a alguns quarteirões, construíram-se as Ínsulas Centrais (oeste do fórum, do Vaso Fálico, norte das Termas do Sul) e lojas de comércio (tabernae).


As Termas do Sul, as principais termas da cidade estavam localizadas num edifício a sul do fórum com duas áreas abertas nos extremos e uma fechada, dedicada aos banhos, na parte central. A zona da entrada, aberta, era centrada numa grande piscina (natatio) de água fria; daí entrava-se na zona coberta onde se centravam as salas de banhos frios, mornos e quentes (frigidarium, tepidarium e caldarium). A outra área aberta e a principal das termas era a palaestra, acedendo-se por uma enorme escadaria.






Quando os romanos ampliaram o povoado pré-romano de Conímbriga para transformarem a cidade que idealizavam, deixaram dentro do perímetro da muralha do Alto-Império uma larga extensão de terreno incluindo um vale profundo, não adequado para construção de habitações, crê-se que desde logo foi destinado para a construção do grande edifício de espetáculos – o Anfiteatro. Tinha uma planta de forma elíptica com entradas diretamente para uma ampla arena, a oeste, podendo ser vistas em Condeixa-a-Velha, e a leste, mas as entradas monumentais faziam-se desde a cidade para as filas superiores de assentos. A importância do anfiteatro e as zonas circundantes tornaram-se áreas de prestígio, mas isto não impediu que, em finais do século III, o edifício fosse demolido para fornecer material e dar lugar à construção da muralha.




As ruínas romanas da cidade estão classificadas como Monumento Nacional

Museu Monográfico de Conímbriga 

Alcabideque
Castellum

Os romanos aproveitaram uma nascente para abastecimento de água à cidade de Conimbriga, a cerca de 3 km de distância, construindo um Castellum e um Aqueduto (em finais séc. I a.C.), designando “caput acquae” atual topónimo de Alcabideque, uma arabização do nome latino.

Do período romano são ainda visíveis restos do tanque semicircular que protegeu a nascente e a torre. Sob a torre de captação é possível ver o poço de decantação das águas de onde partia o aqueduto que abastecia a cidade de Conimbriga. Este aqueduto para a época é pequeno, distinguindo-se pela capacidade técnica da altura porque grande parte do seu traçado é subterrâneo, a uma profundidade de 7 metros, emergindo em alguns troços aéreos ao aproximar-se da cidade.







O acesso ao local está devidamente sinalizado em Condeixa-a-Nova, distando desta, cerca de 4,5km, situando-se em frente ao parque de Santo António

Circuito II
Rabaçal (Penela)

Villa Romana do Rabaçal

Localizada a poucas milhas romanas de Conímbriga, estamos perante uma enorme “villae”, correspondendo ao conceito de “villae áulica” residência de uma poderosa família que construiu uma sumptuosa e faustosa casa fixando-se permanentemente, no séc. IV d.C., explorando uma vasta área.

Estes edifícios multiplicaram-se essencialmente a partir dos séculos III e IV d.C., num movimento que tem sido identificado como o da fuga para os campos e que surge mercê da insegurança social, leva a que grandes senhores se refugiem no campo, de modo a afastarem-se das turbulências sociais frequentes nos centros urbanos.


Como na generalidade das villas romanas, esta possuía uma pars rústica (alojamento dos servos e escravos) e uma pars frumentaria com estruturas de apoio à agricultura (celeiro, lagar, estábulos) conhecendo-se alguns muros, pavimentos e canalizações, a pars urbana (zona residencial dos proprietários) estava separada por um valado, dominando uma ligeira elevação a norte a área dos balneários, como preceitua Vitrúvio no séc. I a.C. acerca da disposição dos banhos, a separação e afastamento desta unidade para funcionamento de fornalhas com fogo de lenha, ligadas por sistemas de condutas de aquecimento de ar, água e pavimentos da área residencial e rústica, cumprindo uma das normas fundamentais de segurança na prevenção contra incêndios.


Actualmente, a pars rustica, a pars frumentaria e os balneários são partes da villa ainda por explorar, restando-nos área visitável a “pars urbana” (residência senhorial): a entrada da villa, a receção, a torre de vigia e o peristilium central e octogonal, um jardim interior, rodeado por colunatas e embelezado com uma fonte e diversas esculturas, permitindo a entrada de luz natural e arejamento da casa aos aposentos da casa pois estes não dispunham de janelas, ao redor do peristilium, as cubiculas (quartos), a cozinha, o triclinium sala onde seriam realizadas as refeições que presenteava os seus convidados em soberbos banquetes, todas as salas estavam pavimentadas em mosaicos policromáticos, com motivos geométricos e figurativos, sendo o mais representativo o mosaico que retracta os dias da semana, os meses e estações do ano, representadas por quatro nobres damas com influências europeia e de influências africanas e orientais, só isto seria motivo de atracção mas de imediato fica a frustração pois estão cobertos.




Acesso: Condeixa-a-Nova (IC3) seguir placa indicativa ao Rabaçal, no Museu adquire-se o ingresso para a visita guiada à villa romana e ao Museu, está classificado como Imóvel de Interesse Público.


Museu do Rabaçal

No Museu está patente uma exposição permanente contendo elementos da cultura material romana, constituída por peças recolhidas aquando dos trabalhos de escavação na villa, por diversas cerâmicas, metais, epígrafes, moedas, objetos de adorno, vidros e decorações parietais de mármore, a colecção está dividida em vários temas: epigrafia, o quotidiano, atividade económica e arquitetura, ainda no mesmo espaço está exposto o miliário a Décio da milha VIII desde Conímbriga.



Circuito III
BOBADELA

A região e povoação da Bobadela hoje é uma freguesia de Oliveira de Hospital mas há dois mil anos foi uma antiga cidade romana, na verdade, desconhece-se qual seria o seu nome latino de Bobadela, apenas se sabe que seria “splendidissimae”, inscrição que se observa na fachada da igreja matriz mas a existência dum acampamento militar, a cerca de 30 km, perto de Secarias (Arganil), aliada à riqueza de recursos naturais a terá contribuído para o desenvolvimento económico e social da “civitas”, e mais tarde já na dinastia dos Flávios (69-96 d.C.) com o estatuto de “municipium”, presentemente, o centro histórico de Bobadela está classificado como Monumento Nacional.




Desse esplendor, temos o privilégio de se conhecer a localização do fórum, como sabemos, o fórum romano era o centro de qualquer cidade romana, local de encontro da população, das decisões a tomar, onde se afixavam editais públicos ou eram lidos, em voz alta, as decisões emanadas do senado, em Roma, presentemente, desconhece-se a data da construção, presume-se na dinastia dos Flávios (69-96 d.C.) ou, numa data posterior quando a praça foi remodelada no tempo do imperador Trajano (98-117 d.C.). Neste largo, situa-se um dos dois ex-líbris de Bobadela - o Arco Romano – corresponderia provavelmente a uma das entradas para a praça pública mantendo um pequeno troço em calçada, subjacente ao arco, há mais de dois mil anos, igualmente, a réplica da cabeça de uma estátua, talvez se trate da representação do imperador Domiciano (81-96 d.C.) o original está no museu Machado de Castro, em Coimbra. 






O segundo - o anfiteatro – edificado nos inícios do século II d.C., mas durante o século IV, foi abandonada sua utilização devido á crise instalada em Roma, caracterizava-se por uma ampla arena em forma elíptica com bancadas em madeira e amovíveis, permitindo desta forma uma variedade de espectáculos, hoje vulgarmente designado por “pavilhão multiusos”, as entradas situavam-se nos extremos norte e sul, com seis compartimentos quadrangulares que seriam os cárceres, de dimensões distintos, dos gladiadores e dos animais.




Percorrer a pé as pequenas ruelas é o mais aconselhado, pois vestígios romanos não faltam espalhados nesta povoação, à porta das casas ou a servir de apoio a quintais aos alpendres, observar-se-ão capitéis, colunas e silhares, na rua Emília Pestana Coelho, ao meio desta e no lado direito, um capitel romano colocado em posição invertida permite repousar e contemplar um pouco.


Finalizando a minha visita a esta riquíssima povoação repleta de história e no caminho para o cemitério a ponte romana sobre o rio Cavalos, que servia as vias romanas de ligação ao litoral, Mealhada a Coimbra, e ao interior, Viseu a Mangualde

Ponte Romana de Bobadela 


Estado de conservação: aberta à circulação
Via romana: Mealhada e Coimbra a Bobadela
Acesso: Bobadela, junto ao cemitério

Vila Pouca da Beira
Calçada Romana
Estado de conservação: falta reconhecer o local
Via romana: Mangualde a Bobadela, ligação de Bobadela ao rio Alva a Avô
Acesso: Vila Pouca da Beira (EN230)

Vila Franca da Beira 
Calçada Romana
Estado de conservação: falta reconhecer o local
Via romana: Mangualde a Bobadela
Acesso: Vila Franca da Beira (EN231-2)

Travanca de Lagos 
Ponte das Roçadas “Romana”

Estado de conservação: rural
Via romana: Mangualde a Bobadela
Acesso: Andorinha (CM1313), a partir do Largo José Pais, seguir rua dos Outeirinhos alcatroada até ao seu termo, num pequeno largo o caminho faz-se em terra batida sempre a descer, passa-se uma habitação (2 km) com estruturas em ruínas, aqui o caminho bifurca mas pela esquerda e, novamente, pela direita até à ponte “romana”

Lagares da Beira 
Calçada Romana (pequeno troço)

Característica: calçada lajeada em bom estado de preservação, por terreno florestal
Via romana: Mealhada a Bobadela
Acesso: Lagares da Beira (EM502), sinalizada na estrada, o troço inicia-se pouco baixo de habitação particular e algum cuidado com os cães pois andam soltos 

Lourosa (Oliveira do Hospital)

Um pequeno desvio, por quem passa na antiga estrada da Beira, valerá a pena visitar a Igreja Moçárabe de S. Pedro de Lourosa, classificada como Monumento Nacional, é um dos raros templos pré-românicos existentes no país, tem grande importância pelo seu valor histórico e arqueológico datando do tempo da primeira reconquista, mas tratando-se de uma visita ao interior da igreja, pelo facto, de que na maioria das igrejas e capelas deste país encontram-se encerradas teremos de ter algum cuidado aquando da deslocação a este local. 


A sua arquitetura é tipicamente moçárabe e de tradição visigótica caracterizando-se pela utilização dos arcos em ferradura assentes em colunas romanas. Realço para uma lápide que se encontra sobre a verga da porta principal ostenta a data da fundação “era de 950 d.C.” (era de César correspondente ao ano de 912 d.C. da era cristã), no seu exterior encontram-se inúmeras sepulturas, algumas antropomórficas, utilizadas em épocas diversas. 


Quase todos os materiais de construção provêm do reaproveitamento de restos de edifícios romanos, visigodos ou árabes, no entanto, desconhece-se a existência de qualquer ocupação romana em S. Pedro de Lourosa. De facto, confirma-se um gosto “à romana”, os capitéis e colunas são muito semelhantes aos que se encontram na basílica em Idanha-a-Velha e, de salientar a mesa do altar-mor é suportada por duas aras romanas anepígrafas, isto é, dois pequenos altares em pedra destinados a possuir uma inscrição destinando-se a servir como monumentos funerários.



Circuito IV
Tábua
Ponte Antiga

Estado de conservação: submersa pela Barragem da Agueira
Via romana: Mealhada a Bobadela, de Sula por Mortágua, Santa Comba Dão e Tábua
Acesso: Tábua (EN234-6)

Calçada Romana da Pedra da Sé

Característica: calçada lajeada em bom de preservação, por terreno florestal
Construção: séc. I d.C.
Via romana: Mealhada a Bobadela, de Sula por Mortágua, Santa Comba Dão e Tábua
Acesso: Tábua (EN234-6), junto ao rio Mondego e antiga ponte ou pela Pedra da Sé
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Midões (Tábua)

Quem se dirigir para Midões, vila perto de Tábua, com inúmeros solares e igrejas, interessa-nos a Capela de S. Sebastião e a ponte romana de Sumes, na aldeia do Coito de Midões.


Não correndo o risco de a capela se encontrar encerrada, porque o que nos interessa observar está na parede exterior do lado sudeste, em baixo, duas belas pedras, cada uma com sua epígrafe, assinalando a construção de dois templos em Bobadela a expensas de Cantius Modestinus, uma inscrição ao Genius Municipum e outra a Vitoria, este é o mesmo dedicante com que iremos deparar em inscrições de Egitânia (Idanha-a-Velha), em honra de Marte e de Vénus.




Continuando a Póvoa de Midões, na rua Engº Macedo dos Santos, encastrada na parede de habitação, uma outra epígrafe que afirma a edificação de uma ponte ou fonte em honra do imperador Tito.


Ponte de S. Geraldo 

Estado de conservação: rural – pouca visibilidade devido à vegetação envolvente
Via romana: Viseu a Bobadela, variante com travessia do Mondego em Póvoa de Midões
Acesso: Coito de Midões a S. Geraldo (CM1304) a uma centena de metros da ponte romana de Sumes

Ponte Romana de Sumes

Estado de conservação: rural – com muita vegetação envolvente
Via romana: Viseu a Bobadela, variante com travessia do Mondego em Póvoa de Midões
Acesso: Coito de Midões a S. Geraldo (CM1304), sinalizada na estrada, por caminho de terra batida
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Circuito V

Penacova
Epitáfio de Frontoni
Local: embutido na parede de um compartimento da sacristia da Igreja Matriz

Vila Nova de Poiares
Ponte Romana-Medieval de Mucela

Estado de conservação: aberta à circulação (silhares de origem romana)
Via romana: Coimbra a Bobadela, variante Ponte Mucela/Estrada da Beira
Acesso: Ponte de Mucela (EN17)

Moura Morta
Ponte Antiga e Calçada 

Estado de conservação: pedonal - vestígios (origem romana?)
Via romana: Coimbra a Bobadela, variante Ponte Mucela/Estrada da Beira
Acesso: Moura Morta, partindo da Ponte de Mucela

Circuito VI

Coja

Miliário ao imperador Teodósio séc. IV
Local: capela da Sra. da Ribeira - falta reconhecer o local
Acesso: Coja em direção a Vale, a capela fica do lado esquerdo 

Secarias

Castellum da Lomba do Canho - falta reconhecer o local 

Acampamento Militar junto ao rio Alva - falta reconhecer o local
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Avô
Calçada Romana
Característica: falta reconhecer o local
Via romana: Mangualde a Bobadela, ligação de Bobadela ao rio Alva a Avô
Acesso: Avô, ligando à Aldeia das Dez

Calçada Romana
Característica: calçada do Bairro de Stº. António
Via romana: Mangualde a Bobadela, ligação de Bobadela ao rio Alva a Avô
Acesso: Avô 

Góis
Calçada Romana
Característica: calçada ao cemitério – falta reconhecer o local
Via romana: Coimbra a Bobadela, rede viária em torno das minas de Góis, Lousã e Arganil
Acesso: Góis