sexta-feira, 25 de julho de 2014

DISTRITO DE CASTELO BRANCO

O património arqueológico e histórico da antiga província da LVSITANIA que surge à luz do dia é bastante diversificado e valioso, apesar de não existirem grandes espaços monumentais posso garantir que vestígios não nos faltam, encontram-se é dispersos um por pouco por todo o lado e bem debaixo dos nossos pés. Motivo suficiente para vos fazer pequenos nesta história? Óptimo, a ideia era essa. Agora embarquemos nesta viagem rumo ao passado pelos trilhos dos romanos.

Circuito I

Sertã

Na vila da Sertã da época romana, segundo a tradição é atribuída as fundações do castelo, a Quinto Sertório, no entanto, as intervenções aqui realizadas revelam ser da época islâmica.

Sertório, mal sucedido como pretor da Hispânia Citerior e da Ulterior, cargo que assumiu em 83 a.C., é expulso e refugia-se no norte de África, regressa à Península Ibérica em 80 a.C., inicia uma campanha para recuperação das suas províncias após os Lusitanos lhe terem prometido o seu apoio e o terem convidado a ser seu líder. 

Ponte Romana?-Filipina da Carvalha 

Estado de conservação: pedonal - requalificada recentemente
Via romana: Conimbriga a Alvega/Ammaia/Idanha-a-Velha
Classificação: Monumento de Interesse Público

Cumeada
Ponte da Cova do Moinho ou Ponte da Tamolha

Estado de conservação: rural
Construção: entre séc. I d.C. e séc. IV d.C.
Via romana: Conimbriga a Alvega/Ammaia/Idanha-a-Velha
Acesso: Sertã (Cumeada) /Vila de Rei (EN2) a ponte encontra-se sinalizada 

Pedrógão Grande
Forno Romano

Na sociedade romana os artigos de cerâmica estavam presentes em quase todas as actividades do quotidiano. As olarias assumiam-se como centros de artesanato intensivo, provavelmente em laboração contínua, fabricando uma grande variedade de artigos: materiais de construção (tijolos, telhas planas e de meia-cana), recipientes de armazenagem, loiça de cozinha, ânforas ou candeias de iluminação (lucernas). Instalavam-se na proximidade das fontes de matérias-primas (argila, lenha e água) e centros de consumo tirando partido das vias de comunicação disponíveis fossem terrestres, fluviais ou marítimas.

Os fornos romanos eram de planta, aproximadamente, circular ou rectangular e, compostos por duas partes sobrepostas separadas por uma grelha perfurada para facilitar a circulação do ar quente: a câmara de cozedura e a câmara de combustão. Na câmara da cozedura eram colocadas as ânforas, loiça doméstica, telhas, tijolos e outras peças empilhadas cuidadosamente sobre a grelha. Com esta fechada, inicia-se o aquecimento do forno, queimando a lenha na câmara de combustão, podendo atingir temperaturas de 800 a 900º C. O arrefecimento do forno podia demorar dias, onde a entrada de ar contribuía para a determinação da cor das peças: acinzentadas quando rareava o ar; beije ou alaranjadas quando circulava em maior quantidade.

Local: nas traseiras de serração no Cabeço da Cotovia ao Miradouro, sem sinalização e com muita vegetação envolvente

Ponte Filipina 

Estado de conservação: aberta à circulação
Acesso: Pedrógão Grande, junto à Capela da Sra dos Milagres pela Rua da Via Romana à ponte filipina sobre o rio Zêzere subindo a Pedrógão Pequeno

Oleiros
Calçada Romana de Oleiros
Característica: 
Via romana: Conimbriga a Oleiros; Tomar a Oleiros
Acesso: Oleiros - Amieira

S. Pedro do Esteval
Ponte Romana-Medieval da Ladeira de Envendos 

Estado de conservação: rural - com vestígios de calçada
Construção: entre séc. I a.C. e séc. I d.C.
Via romana: Alvega a Salamanca
Acesso: S. Pedro Esteval/Envendos (EN351), sinalizada na estrada
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Ponte do Cobre 

Estado de conservação: rural
Via romana: Alvega a Salamanca, ligação a Vila Velha de Ródão e Perais para travessia do rio Tejo na Lomba da Barca
Acesso: Vila Velha de Ródão (EN18), cortar à esquerda junto a fábrica de papel por estrada municipal passando por fábrica de cerâmica (desativada) continuando ao lugar do Sítio

Perais
Calçada das Telhadas

Característica: vestígios da calçada lajeada, caminho de terra batida numa extensão de cerca 6 km ao rio Tejo
Via romana: Idanha-a-Velha a Ammaia
Acesso: Perais (EN355) – pela Rua da Estalagem

Barragem/Represa Romana da Lameira

 

Acesso: Perais/Alfívrida (EM553) encontra-se assinalada na estrada municipal


Circuito II
Castelo Branco


Na ocupação romana, Castelo Branco teria sido um “vicus”, divisão administrativa de pequena dimensão confinada ao lugar da Cardosa, no triângulo formado pelo Monte S. Martinho, Santuário Nossa Senhora de Mércoles e Capela de Santa Ana, era uma região fortemente romanizada com inúmeros vestígios encontrados, podendo serem vistos no Museu Francisco Tavares Proença, e riqueza do subsolo e extracção mineira das minas do Pó e Tinta, o minério extraído seria transportado até ao Tejo pela calçada da Moura.

Museu Francisco Tavares Proença Júnior

O Museu na área destinada à época romana tem um vasto espólio recuperado em toda a região, dos trabalhos realizados na villa romana da Qtª da Fórnea e de Centum Celas, vários pesos de tear, diversos dolium (talhas), originalmente semienterrados para manterem frescos os líquidos que continham, fragmentos de cerâmica comum, cerâmica cinzenta fina polida, cerâmica pintada, fíbulas, alfinetes, fragmentos de ossos incinerados, objectos de ferro, duas mós e dois marcos miliários, moedas com destaque para um sestércio do imperador Adriano.

Malpica do Tejo
Ponte Romana?-Medieval do Pônsul  

Estado de conservação: pedonal
Via romana: via secundária de Castelo Branco a Malpica do Tejo e Monforte
Acesso: Malpica do Tejo (EN18-8), visível do viaduto

Monforte da Beira
Calçada da Moura
Estado de conservação: falta reconhecer o local
Via romana: via secundária de Castelo Branco a Malpica do Tejo e Monforte
Acesso: Monforte da Beira

Ladoeiro
Ponte Romana da Munheca/Monheca

Estrutura da antiga ponte romana (visível na base de um dos pilares da atual ponte)
Via romana: via secundária de Castelo Branco a Idanha-a-Velha por Ladoeiro
Acesso: Castelo Branco/Ladoeiro (EN240)

Lardosa
Ponte Romana? da Marateca
Estado de conservação: submersa pela barragem da Marateca
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha
Acesso: Lardosa (EN18)

Vale da Torre
Calçada Romana
Característica: 
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha
Acesso: Vale da Torre

Soalheira
Calçada Romana e Fonte do Goducho


Característica: vestígios da calçada lajeada muito irregular por caminho rural
Via romana: Alvega a Salamanca, de Castelo Branco ao Fundão
Acesso: Soalheira (EN18) pela Fonte do Goducho e Rua Caminho Romano à Igreja Matriz e caminho lado esquerdo

Atalaia do Campo
Ponte Velha

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Via romana: 
Acesso: Atalaia do Campo (EN18), seguir placa indicativa Campo de Jogos


Aldeia Histórica Castelo Novo

Calçada Romana


Característica: calçada lajeada no interior da aldeia por vários troços, em bom estado de preservação
Via romana: Alvega a Salamanca, de Castelo Branco ao Fundão
Acesso: Castelo Novo, saída nó 27 (A23)

Alpedrinha
Calçada Romana


Característica: calçada lajeada por terreno montanhoso e florestal, numa extensão de 4 km, em bom estado de conservação 
Via romana: Alvega a Salamanca, de Castelo Branco ao Fundão
Acesso: Alpedrinha (EN18) – parte do Largo D. João V, junto do Palácio do Picadeiro e da Capela de S. Sebastião

Aldeia de Sta Margarida
Templo Romano


Local: Ermida da Nossa Senhora da Granja (EN233) sinalizada na estrada por caminho em terra batida, construção sobre templo romano

Proença-a-Velha
Ponte Antiga

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Via romana: Alvega a Salamanca, de Castelo Branco ao Fundão, ligação a Idanha-a-Velha
Acesso: Proença-a-Velha (EN239)

Fonte da Goma



Circuito III

Aldeia Histórica Idanha-a-Velha 

Não existe data precisa quando aqui chegaram os romanos e se instalaram ou o ano da fundação da cidade. O local seria conhecido de há muito apesar de não se poder concluir da existência de qualquer povoação, onde depois viria a ser Igaedis, haveria talvez decerto uma ocupação dispersa na região antes da ocupação romana quer isto dizer que outros homens por aqui passaram mas sem que seja certo que aqui tenham estabelecido um local para viver de forma duradoura.

Perante a ausência de certezas concretas vão surgindo hipóteses aí surge um cenário verdadeiramente sedutor imaginar os primórdios da futura cidade Igaeditanorum no lugar do acampamento militar de Júlio César quando estes se dirigiram aos Montes Hermínios (Mons Herminus), designação atribuída à Serra da Estrela e último reduto dos povos que apelidamos de Lusitanos, em meados do séc. I a.C.Ainda que tal cenário seja possível até ao momento esta hipótese ainda não está confirmada, apesar das intervenções arqueológicas realizadas no local. A ideia aceite é a de a cidade ter sido criada por C. Norbanus Flaccus, depois da fundação da colónia Norba Caesarina (actual Cáceres, em Espanha), em 35 a.C.. poderá isto significar então que a nova cidade terá sido edificada, criada ou fundada, sem que se tenha sobreposto a uma povoação anterior? Tudo a leva a crer que sim.

Com a pacificação de toda a Hispânia, a dinastia de Augusto, muito contribuiu para Igaeditanorum se tornasse “civitas” e “municipium”, na dinastia seguinte dos Flávios (69-96 d.C.), num dos mais importantes centros administrativos e económico da região rica, na exploração mineira e fértil na agricultura e pastorícia, numa rede viária invejável ligando-a ao litoral a Seillium, Scallabis e Conimbriga pela Covilhã, ao interior a Ammaia e Ebora, e passagem da mais importante via imperial do ocidente ibérico de Lisboa, a Bracara Augusta e Legio (Leão), a grande base militar da Hispânia e a Emerita Augusta, capital da província.

Demoremo-nos um pouco mais nesta antiga cidade, classificada como Monumento Nacional, pasme-se somente em 1997.

Quando se chega a Idanha-a-Velha, deparamo-nos com um terreno privado do lado esquerdo da estrada e a existência da antiga Necrópole com oito sepulturas, mais adiante, a muralharomana”, em forma oval, reconstruída e restaurada em muitos locais, é a primeira construção que se observa, na verdade, desconhece-se quando a fortificação foi construída tudo indica que tenha sido em época tardo-romana ainda que o que se observa possa corresponder a épocas posteriores, uma datação medieval, nos múltiplos elementos arquitectónicos que se encontram reaproveitados na sua construção, como, cornijas, frisos, silhares de época romana. Curiosamente, a destruição da muralha ocorreu no início do século passado, quando a pedra das muralhas foi reutilizada para outras edificações, nomeadamente, na regularização das margens do rio Pônsul ou levada para outros locais, como aconteceu com a aldeia de Alcafozes para onde muita pedra da muralha de Idanha-a-Velha foi transportada, não é pois de estranhar também que alguns testemunhos epigráficos tenham tido destino semelhante.




A entrada da cidade fazia-se através das duas torres no Arco da Porta Norte, pisando as enormes e pesadas lajes graníticas do pavimento da via que terão sido percorridas por milhares de cavalos e pessoas, ao mesmo tempo, não deixa de ser marcante o estado de conservação das paredes, independentemente da questão ser ou não atribuível à época romana. A seguir à ocupação romana, o local foi cristianizado e ocupado por Suevos e Visigodos que, com a criação da diocese, terão construído uma basílica reaproveitando uma construção anterior. Hoje a igreja, que a historiografia tradicional a denominou com a classificação de basílica visigótica, está vazia mas com tanta coisa para ver, as paredes, as imagens, os desenhos, os arcos, os capitéis que culminam as colunas são romanos, bem como o são as bases onde estes assentam. 


A seguir à ocupação romana, o local foi cristianizado e ocupado por Suevos e Visigodos, com a criação da diocese, terão construído uma basílica reaproveitando uma construção anterior. Hoje a igreja, que a historiografia tradicional a denominou com a classificação de basílica visigótica, está vazia mas com tanta coisa para ver, as paredes, as imagens, os desenhos, os arcos, os capitéis que culminam as colunas são romanos, bem como o são as bases onde estes assentam. 


Subindo ao local mais alto de Idanha é possível ver uma Torre imponente, atribuível aos Templários, correspondendo, a uma torre de menagem, construída e assente em um edifício anterior, reconhecível pelo recorte das suas pedras e moldura que finaliza a parte inferior da edificação, tratando-se do podium, isto é, a base de um Templo Romano que estaria no Forum da antiga cidade de Igaedis, era aqui que se localizava o centro da cidade romana, local de culto ao imperador, onde a população se reunia, ocorreriam as assembleias e tomavam decisões. Naturalmente que outros edifícios existiriam neste espaço, outros monumentos, inscrições várias e estátuas pedestais o ornamentavam.


Alguns investigadores defendem que uma célebre personagem tenha aqui mandado construir, meados do séc. I d.C., dois pequenos templos (templetes), dedicados, um a Venus, conhecida por deusa do amor e da beleza, e outro a Marte, deus da guerra e filho de Jupiter, trata-se de C. Cantius Modestinus possuidor de uma fortuna pessoal ultrapassando o censo equestre de 400.000 sestércios relacionada talvez devida à exploração aurífera da região, ou de se tratar dum cavaleiro. Com estas construções Modestinus quis aliar a beleza e a paz, como que replicando a recente conquista do território pelo Império Romano, a estas duas inscrições juntam-se outras duas, em Bobadela (Oliveira do Hospital) – a Vitória e ao Génio do Município.

Pouco se conhece acerca desta personagem, se casou, se teve filhos e quantos, mas sabe-se que teria o mesmo nome de seu pai por uma inscrição romana que pode ser vista, junto à fachada lateral da basílica






Inscrição

C (aio). CAESARI. AVGVSTI. F (ilio)
PONTIF (ici) CO (n) S (uli)  IMP (eratori)
PRINCIPI. IVVENTVTIS
CIVITAS. IGAEDIT (anorum)

Tradução

A Gaio César, filho de Augusto, pontífice, cônsul, imperador, príncipe da juventude – a cidade dos Igeditanos

Fonte: Museu Epigráfico

Descendo ao rio Pônsul, a ponte romana-medieval, séc. I a.C./séc. I d.C. e as ruínas de uma domus, séc. I d.C./ séc. III d.C., que se estendia fora dos limites exteriores à muralha, tendo sido sacrificada para a construção da muralha defensiva com a crise interna do império, passando-se a Porta Sul e por caminho estreito, em terreno agrícola não acessível, encontram-se partes da estrutura do edifício daquilo que seriam as Termas ou os balneários a sul do forum, e muito perto ao rio Pônsul.




Ponte Romana-Medieval 

Estado de conservação: aberta à circulação rural - bom estado
Construção: séc. I a.C./séc. I d.C.
Via romana: Braga a Mérida (Colmeal da Torre – Idanha-a-Velha – Mérida)

Segura
Ponte Romana de Segura

Estado de conservação: aberta à circulação – requalificada recentemente
Via romana: Braga a Mérida (Colmeal da Torre – Idanha-a-Velha – Mérida)
Acesso: Segura (EN355)

Miliário Anepígrafo

Local: Porta Sul

Alcafozes
Miliário 

Local: Muro de habitação – na Rua Fonte Nova

Medelim
Calçada Romana (pequeno troço)

Característica: calçada lajeada no interior da povoação, bom estado de preservação
Via romana: Braga a Mérida (Colmeal da Torre – Idanha-a-Velha – Mérida)
Acesso: Medelim (EN239) - Largo da Igreja perto do cemitério


Circuito IV

Aldeia Histórica Belmonte

A região de Belmonte e a primitiva ocupação humana é incerta mas tudo indica que após a invasão romana da Península Ibérica e com a coexistência da importante via Braga a Mérida fez com que toda esta região se desenvolvesse e florescesse através do escoamento dos seus produtos e matérias-primas para regiões desenvolvidas e prósperas do litoral. A mesma estaria referenciada em documentos medievais do século XII na existência dum caminho “Via da Covilhã” com ligações a Tomar (Seilium) e a Condeixa-a-Velha (Conimbriga) à Serra da Estrela, conhecida por “Estrada da Lã”.

Marco Miliário a Probo

Local: habitação em frente à escadaria da Igreja de Santiago


I - Estação Arqueológica de Centum Cellas ou “Torre de S. Cornélio” 



A ideia deste local corresponder a uma villa é defendida desde 1988, antes disso, outros estudiosos classificaram-no como sendo uma mansio ou estalagem devido à sua proximidade da via militar, atalaia ou prisão, acampamento militar, um “vicus” divisão administrativa de menor dimensão, até a ideia de ter sido um santuário, de facto estamos perante uma Torre para tantas ideias.

A Torre revela-se na parte central e melhor conservada daquela que terá constituído a villa de Lucius Caecilius, um abastado cidadão negociante de estanho, que mandou edificar a sua casa, onde Lúcio Cecílio viveria com a sua família, onde teria os seus escravos, onde tomava os seus banhos em termas aí existentes mas, na verdade, não sabemos se esta era, de facto, a sua casa. Mas quem seria este Lúcio Cecílio cujo nome estava gravado numa pedra, datada do século I d.C., no sítio de Centum Celas. É colocada a hipótese do nosso Lúcio Cecílio integrar um ramo da família Caecilia, uma das mais antigas e nobres de Roma, descendente de Quinto Cecílio Metelo Pio, que combateu Sertório na sequência das guerras que opuseram Pompeu Q. Cecílio Metelo Pio a Sertório (79-72 a.C.), terem fixado residência em Centum Celas.

Desconhece-se a origem do topónimo, embora a tradição atribua esta designação às “cem celas” da prisão aqui teria existido. Nos finais dos séculos III d.C./IV d.C., houve um incêndio que a destruiu parcialmente, mais tarde foi alvo de reconstrução, e segundo a tradição, esteve encarcerado neste edifício/prisão Cornélio, morreu no ano de 253 d.C., dando a designação Torre de S. Cornélio.

A estação arqueológica situa-se em Colmeal da Torre, junto a Belmonte, vedada e classificada como Monumento Nacional.



II - Villa Romana da Quinta da Fórnea

A villa romana da Quinta da Fórnea localiza-se no sopé de uma pequena montanha, numa zona plana, na parte oriental da Serra da Boa Esperança, abrindo-se para um vale que, na época romana, deveria fornecer a riqueza necessária aos proprietários desta grande propriedade. 


Podemos comparar uma villa romana a uma quinta agrícola dos nossos dias, uma grande quinta, onde existia uma casa também ela grande e com várias comodidades, mas que inclui igualmente a propriedade que lhe fornece a riqueza, de onde provêm os recursos agrícolas que tornam a quinta rentável do ponto de vista económico. Também na época romana esta diferenciação era notória e importante, sendo que todas as villae possuíam uma pars urbana, isto é, a zona destinada ao dono e à sua família, com uma habitação que poderia ser muito rica e ornamentada como, em outros casos, poderia ser mais modesta. Estas grandes casas teria também uma pars fructuaria ou pars frumentaria, ou seja, onde se praticava a agricultura, onde o gado pastava, onde se processava a transformação dos produtos e armazenagem.

A ocupação está datada, dos finais séc. II d.C. início séc. III d.C., e abandonada durante o séc. IV d.C.. 

A entrada da villa era feita pelo lado nascente, uma área lajeada com grandes pedras dando acesso às várias divisões e compartimentos que compõem a parte edificada da propriedade, num olhar mais cuidado, ainda se notam as concavidades dos rodados dos carros que transportavam os produtos que iam e vinham, comprovando assim o dinamismo do local.


Mas analisemos de forma concreta esta planta da villa: a entrada principal; a casa do guarda; a casa do forno; os armazéns dos cereais ou a casa da lenha; um telheiro; alojamentos da criadagem; o lagar do vinho, o reservatório da água, o celeiro, os estábulos, o cercado, um armazém; unidades transformadoras e, finalmente uma área destinada á indústria têxtil. Na grande casa do proprietário foram identificadas várias divisões; a sala de jantar; os quartos; a cozinha; o jardim e o pátio central. No balneário pertencente à casa foram reconhecidas a sala dos banhos quentes; a sala dos banhos tépidos; o tanque da água fria; a sala da fornalha e o vestiário.



Sistema de hipocausto
Celeiro e Anexos Agrícolas à esquerda
Não muito distante da actual Quinta da Fórnea, dois mausoléus encontrados terão servido para morada eterna de duas ilustres personagens, colocando-se a hipótese de terem sido mandados fazer pelo dono da villa para serem morada, a si e à sua mulher, numa outra vida.

A villa romana situa-se entre Belmonte e Caria (EN345), está devidamente sinalizada e o percurso da visita está identificado por placas descritivas e informativas sobre os diferentes compartimentos. Foi classificada como Imóvel de Interesse Público.

Bendada (Belmonte)
Pontão Romano do Bacelinho sobre a ribª de Moinhos

Acesso: em Inguias seguir a Bendada, na povoação seguir direcção a Qtª da Ribeira, no alto da subida, cruzamento por caminho de terra batida à esquerda

Vale Formoso (Belmonte)
Calçada Romana das Quintarias (pequeno troço)

Característica: calçada lajeada em bom estado de conservação
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha em Oleiros – Covilhã - Belmonte
Acesso: Vale Formoso (EN232) - do cemitério, partindo junto a poste transformação EDP à estrada nacional


Circuito V

Covilhã

Calçada Romana (pequeno troço)

Característica: só visível junto à berma da rua (alcatroada) 
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha em Oleiros – Covilhã – Belmonte
Acesso: Covilhã (cidade), perto da estação da CP, pela rua da Corredoura


Orjais

Templo Romano da Nossa Senhora das Cabeças.


Na encosta da Serra da estrela, sobranceiro a Orjais, um magnífico Templo Romano que conserva parte do seu podium, sobre o qual se elevava, junto à Capela da Nossa Senhora das Cabeças, não é muito visível devido à intensa vegetação rasteira que o encobre, construído no séc. I a.C., foi provavelmente um santuário regional ou o local da civitas dos Oppidani. Para todos os efeitos, trata-se de um Templo idêntico ao de Évora inserido na cidade, enquanto, o de Orjais está na encosta duma serra voltada a Leste. 



Podium do Templo
Trata-se de um edifício de planta rectangular, toda a estrutura é constituída por silhares de grande aparelho, de faces perfeitamente regularizadas, apresentando-se almofadas ao longo da fachada principal do edifício. As duas inscrições encontradas em Orjais poderão estar relacionadas com o culto praticado neste templo, crê-se que o templo terá sido dedicado a uma divindade indígena ou a "Jupiter".

Cortes de Baixo (Covilhã)
Ponte Antiga do Ourondinho sobre a ribª de Cortes

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha em Oleiros – Covilhã - Belmonte
Acesso: Tortosendo (EN230)

Casegas (Covilhã)
Ponte Romana?


Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha em Oleiros – Covilhã – Belmonte
Acesso: Fundão/Silvares (EN238), cortar a Ourondo/Casegas

Casegas e Ourondo (Covilhã)
Calçada Romana da Lagoa
Característica: 
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha em Oleiros – Covilhã – Belmonte
Acesso: Casegas e Ourondo



Circuito VI

Fundão


Museu Arqueológico Municipal José Monteiro



Terminus Augustallis



Paúl (Fundão)
Ponte Romana? do Paúl 

Estado de conservação: aberta à circulação - recentemente requalificada
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha em Oleiros – Covilhã – Belmonte
Acesso: Paúl (EN341-1)

Souto da Casa (Fundão)
Epitáfio Romano

Local: exterior da Igreja Matriz S. Pedro junto à porta da sacristia e outra interior


Trata-se de uma inscrição romana da 1ª metade do séc. I d.C., que se encontrava num jazigo familiar, hoje desaparecido. Na lápide estava escrita uma mensagem contando uma história familiar, tão antiga como trágica de Lúcio Júlio Timélico, pois ali, estariam sepultadas sua filha Júlia Modesta de 18 anos e a sua mãe Lívia Ninfa de 40 anos, sendo que ele próprio também esperaria ser sepultado um dia.

Pela análise dos nomes do casal tratar-se-ia de um casal de “libertos”, ex-escravos que alcançaram a liberdade dos seus donos.


Valverde (Fundão)
Ponte Romana?-Medieval de Pêroviseu 

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Via romana: Alvega a Salamanca, de Castelo Branco-Fundão-Covilhã por Peroviseu
Acesso: estrada regional de Valverde (a 8 km) a Pêroviseu

Ferro (Fundão)
Inscrição Romana

Local: Junta de Freguesia (9,00h/12,00h – 14,00h/18,00h)

Peso de Lagar Romano

Local: Jardim Público

Capinha (Fundão)
Calçada Romana (pequeno troço)

Característica: vestígios da calçada por caminho rural
Via romana: Braga a Mérida (Colmeal da Torre – Idanha-a-Velha – Mérida)
Acesso: Capinha (EN346) – pela Rua da Capela de S. Marcos

Capinha (Fundão)
Ponte Romana?-Medieval  


Estado de conservação: aberta à circulação
Via romana: Braga a Mérida (Colmeal da Torre - Idanha-a-Velha - Mérida) e a via Alvega a Salamanca, de Castelo Branco 
Acesso: Capinha (EN346) a Penamacor

Meimoa (Penamacor)
Cipo Romano 

Local: Largo da Igreja - Cruzeiro de Meimoa

Ponte Romana?-Filipina de Meimoa

Estado de conservação: aberta à circulação – recentemente requalificada
Via romana: Torre de Almofala a Idanha-a-Velha
Acesso: Meimoa (EN233)
Classificação: Imóvel de Interesse Público