sexta-feira, 25 de julho de 2014

IMAGENS da LVSITÂNIA - Distrito de Castelo Branco

O património arqueológico e histórico da antiga província romana da LVSITANIA é rico e diverso, e está espalhado por todo o território. Apesar de não termos grandes espaços monumentais, posso garantir que vestígios do nosso passado não nos faltam e que estão por aí, bem debaixo dos nossos pés. Consegui fazer-vos sentir pequenos nesta grande história? Óptimo, a ideia era essa. Agora viagem comigo por ela.

A rede de estradas disseminada por todo o Império foi essencial para a deslocação e apoio militar rápido às legiões romanas na atuação de combate em qualquer ponto de conflitualidade, ao mesmo tempo, demonstrando que uma boa rede viária pode incrementar o desenvolvimento económico-administrativo e social de toda uma região. Estas infraestruturas se ainda persistem ficam muito a dever ao facto da sua técnica inovadora de preparação e construção do terreno, de tal modo que, dois mil anos depois, ainda resistem à evolução dos tempos continuando a fazer parte do nosso quotidiano, na beleza paisagística dos nossos Parques Naturais, por vezes, de acessos difíceis despertando mais o nosso espírito de aventura e redescoberta com ausência de sinalética adequada, contudo, será sempre aliciante o contato com as nossas gentes simples e humildes mas possuidoras dum património único e histórico.

Um outro aspecto a ter em linha de conta é o facto de que na grande maioria dos casos, as pontes “antigas” ou “velhas” são conhecidas como romanas, contudo, os nossos investigadores na sua classificação diferenciaram-nas designando-as de outra forma; as “pontes romanas” são pontes com nítidos indícios romanos, as “pontes romano-medievais” quando em presença materiais romanos reutilizados em posteriores reconstruções na Idade Média e Idade Moderna e, as restantes apesar da ausência de vestígios romanos na sua construção encontram-se no alinhamento de comprovados itinerários romanos sendo possível admitir a existência duma ponte anterior, neste caso, “pontes romana?-medievais”. 

Sertã

Na vila da Sertã da época romana, segundo a tradição é atribuída as fundações do castelo, a Quinto Sertório, no entanto, as intervenções aqui realizadas revelam ser da época islâmica.

Sertório, mal sucedido como pretor da Hispânia Citerior e da Ulterior, cargo que assumiu em 83 a.C., é expulso e refugia-se no norte de África, regressa à Península Ibérica em 80 a.C., inicia uma campanha para recuperação das suas províncias após os Lusitanos lhe terem prometido o seu apoio e o terem convidado a ser seu líder. 

Ponte Romana?-Filipina da Carvalha 

Estado de conservação: pedonal - requalificada recentemente
Via romana: Conimbriga a Alvega/Ammaia/Idanha-a-Velha
Classificação: Monumento de Interesse Público

Cumeada
Ponte da Cova do Moinho ou Ponte da Tamolha

Estado de conservação: rural
Construção: entre séc. I d.C. e séc. IV d.C.
Via romana: Conimbriga a Alvega/Ammaia/Idanha-a-Velha
Acesso: Sertã (Cumeada) /Vila de Rei (EN2) a ponte encontra-se sinalizada 

Pedrógão Grande
Forno Romano

Na sociedade romana os artigos de cerâmica estavam presentes em quase todas as actividades do quotidiano. As olarias assumiam-se como centros de artesanato intensivo, provavelmente em laboração contínua, fabricando uma grande variedade de artigos: materiais de construção (tijolos, telhas planas e de meia-cana), recipientes de armazenagem, loiça de cozinha, ânforas ou candeias de iluminação (lucernas). Instalavam-se na proximidade das fontes de matérias-primas (argila, lenha e água) e centros de consumo tirando partido das vias de comunicação disponíveis fossem terrestres, fluviais ou marítimas.

Os fornos romanos eram de planta, aproximadamente, circular ou rectangular e, compostos por duas partes sobrepostas separadas por uma grelha perfurada para facilitar a circulação do ar quente: a câmara de cozedura e a câmara de combustão. Na câmara da cozedura eram colocadas as ânforas, loiça doméstica, telhas, tijolos e outras peças empilhadas cuidadosamente sobre a grelha. Com esta fechada, inicia-se o aquecimento do forno, queimando a lenha na câmara de combustão, podendo atingir temperaturas de 800 a 900º C. O arrefecimento do forno podia demorar dias, onde a entrada de ar contribuía para a determinação da cor das peças: acinzentadas quando rareava o ar; beije ou alaranjadas quando circulava em maior quantidade.

Local: nas traseiras de serração no Cabeço da Cotovia ao Miradouro, sem sinalização e com muita vegetação envolvente

Ponte Filipina 

Estado de conservação: aberta à circulação
Acesso: Pedrógão Grande, junto à Capela da Sra dos Milagres pela Rua da Via Romana à ponte filipina sobre o rio Zêzere subindo a Pedrógão Pequeno

Oleiros
Calçada Romana de Oleiros
Estado de conservação: falta reconhecer o local
Via romana: Conimbriga a Oleiros; Tomar a Oleiros
Acesso: Oleiros - Amieira

S. Pedro do Esteval
Ponte Romana-Medieval da Ladeira de Envendos 

Estado de conservação: rural - com vestígios de calçada
Construção: entre séc. I a.C. e séc. I d.C.
Via romana: Alvega a Salamanca
Acesso: S. Pedro Esteval/Envendos (EN351), sinalizada na estrada
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Ponte do Cobre 

Estado de conservação: rural
Via romana: Alvega a Salamanca, ligação a Vila Velha de Ródão e Perais para travessia do rio Tejo na Lomba da Barca
Acesso: Vila Velha de Ródão (EN18), cortar à esquerda junto a fábrica de papel por estrada municipal passando por fábrica de cerâmica (desativada) continuando ao lugar do Sítio

Perais
Calçada das Telhadas

Estado de conservação: vestígios da calçada ao longo do percurso até ao Tejo, cerca de 6km
Via romana: Idanha-a-Velha a Ammaia
Acesso: Perais (EN355) – pela Rua da Estalagem


Barragem/Represa Romana da Lameira

 

Acesso: Perais/Alfívrida (EM553) encontra-se assinalada na estrada municipal


Castelo Branco


Na ocupação romana, Castelo Branco teria sido um “vicus”, divisão administrativa de pequena dimensão confinada ao lugar da Cardosa, no triângulo formado pelo Monte S. Martinho, Santuário Nssa Srª de Mércoles e Capela de Santa Ana, era uma região fortemente romanizada com inúmeros vestígios encontrados, podendo serem vistos no Museu Francisco Tavares Proença, e riqueza do subsolo e extracção mineira das minas do Pó e Tinta, o minério extraído seria transportado até ao Tejo pela calçada da Moura.

Museu Francisco Tavares Proença Júnior

O Museu na área destinada à época romana tem um vasto espólio recuperado em toda a região, dos trabalhos realizados na villa romana da Qtª da Fórnea e de Centum Celas, vários pesos de tear, diversos dolium (talhas), originalmente semienterrados para manterem frescos os líquidos que continham, fragmentos de cerâmica comum, cerâmica cinzenta fina polida, cerâmica pintada, fíbulas, alfinetes, fragmentos de ossos incinerados, objectos de ferro, duas mós e dois marcos miliários, moedas com destaque para um sestércio do imperador Adriano.

Malpica do Tejo
Ponte Romana?-Medieval do Pônsul  

Estado de conservação: pedonal
Via romana: via secundária de Castelo Branco a Malpica do Tejo e Monforte
Acesso: Malpica do Tejo (EN18-8), visível do viaduto

Monforte da Beira
Calçada da Moura
Estado de conservação: falta reconhecer o local
Via romana: via secundária de Castelo Branco a Malpica do Tejo e Monforte
Acesso: Monforte da Beira

Ladoeiro
Ponte Romana da Munheca/Monheca

Estrutura da antiga ponte romana (visível na base de um dos pilares da atual ponte)
Via romana: via secundária de Castelo Branco a Idanha-a-Velha por Ladoeiro
Acesso: Castelo Branco/Ladoeiro (EN240)

Lardosa
Ponte Romana? da Marateca
Estado de conservação: submersa pela barragem da Marateca
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha
Acesso: Lardosa (EN18)

Vale da Torre
Calçada Romana
Estado de conservação: falta reconhecer o local
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha
Acesso: Vale da Torre

Soalheira
Calçada Romana e Fonte do Goducho


Estado de conservação: vestígios da calçada em parte do percurso
Via romana: Alvega a Salamanca, de Castelo Branco ao Fundão
Acesso: Soalheira (EN18) pela Fonte do Goducho e Rua Caminho Romano à Igreja Matriz e caminho lado esquerdo

Atalaia do Campo
Ponte Velha

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Via romana: 
Acesso: Atalaia do Campo (EN18), seguir placa indicativa Campo de Jogos


Aldeia Histórica Castelo Novo

Calçada Romana

Estado de conservação: bom estado no interior da aldeia
Via romana: Alvega a Salamanca, de Castelo Branco ao Fundão
Acesso: Castelo Novo, saída nó 27 (A23)

Alpedrinha
Calçada Romana

Estado de conservação: bom estado ao longo do percurso, ligando Alpedrinha a Alcongosta pela serra da Gardunha, cerca de 4km
Via romana: Alvega a Salamanca, de Castelo Branco ao Fundão
Acesso: Alpedrinha (EN18) – parte do Largo D. João V, junto do Palácio do Picadeiro e da Capela de S. Sebastião

Aldeia de Sta Margarida
Templo Romano


Local: Ermida da Nossa Senhora da Granja (EN233) sinalizada na estrada por caminho em terra batida, construção sobre templo romano

Proença-a-Velha
Ponte Antiga

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Via romana: Alvega a Salamanca, de Castelo Branco ao Fundão, ligação a Idanha-a-Velha
Acesso: Proença-a-Velha (EN239)

Fonte da Goma



Idanha-a-Velha (IGAEDIS)

Não existe data precisa em que os romanos aqui se instalaram, ou mesmo o ano da fundação da cidade. O local seria conhecido, apesar de não se ter uma existência de uma povoação onde depois viria a ser Igaedis, haveria decerto uma ocupação dispersa na região antes da ocupação romana.

Por estas paragens poderão ter passado Júlio César e seus exércitos quando se dirigiram ao Montes Hermínios (Mons Herminus), designação atribuída à Serra da Estrela e último reduto dos povos que apelidamos de Lusitanos, como afirma o historiador romano Díon Cássio “ partindo dos acampamentos de Cáceres, as legiões romanas poderiam ter percorrido um corredor natural, o mesmo que – poucas décadas depois – será seguido pela estrada imperial com paragem em Igaedis, capital da civitas Igaeditanorum. E neste cenário hipotético, em meados do século I a.C., afigura-se igualmente sedutor imaginar os primórdios da futura cidade dos Igaeditani como estacionamento militar”.

Até ao momento esta hipótese ainda não foi confirmada, a ideia aceite é a de a cidade ter sido criada por C. Norbanus Flaccus, após a fundação de Norba Caesarina (actual Cáceres, em Espanha), em 35 a.C.

Demoremo-nos um pouco mais nesta antiga cidade, classificada como Monumento Nacional, em 1997.

Quando se chega a Idanha-a-Velha (Aldeia Histórica), depara-se num terreno privado do lado esquerdo da estrada a existência de antiga Necrópole com oito sepulturas, mais adiante, a muralharomana”, em forma oval, reconstruída e restaurada em muitos locais, um olhar mais demorado estaremos perante múltiplos elementos arquitectónicos que se encontram reaproveitados na sua construção, como, cornijas, frisos, silhares de época romana, dando indício que a construção desta muralha é de época mais tardia que não no Alto Império, desconhecendo-se quando foi construída.


A entrada da cidade fazia-se através das duas torres no Arco da Porta Norte, pisando as enormes e pesadas lajes graníticas do pavimento da via que terão sido percorridas por milhares de cavalos e pessoas, ao mesmo tempo, não deixa de ser marcante o estado de conservação das paredes, independentemente da questão ser ou não atribuível à época romana. 




A seguir à ocupação romana, o local foi cristianizado e ocupado por Suevos e Visigodos, com a criação da diocese, terão construído uma basílica reaproveitando uma construção anterior. Hoje a igreja, que a historiografia tradicional a denominou com a classificação de basílica visigótica, está vazia mas com tanta coisa para ver, as paredes, as imagens, os desenhos, os arcos, os capitéis que culminam as colunas são romanos, bem como o são as bases onde estes assentam. 


Subindo ao local mais alto de Idanha é possível ver uma Torre imponente, atribuível aos Templários, correspondendo, a uma torre de menagem, construída e assente em um edifício anterior, reconhecível pelo recorte das suas pedras e moldura que finaliza a parte inferior da edificação, tratando-se do podium, isto é, a base de um Templo Romano que estaria no Forum da antiga cidade de Igaedis, era aqui que se localizava o centro da cidade romana, local de culto ao imperador, onde a população se reunia, ocorreriam as assembleias e tomavam decisões. Naturalmente que outros edifícios existiriam neste espaço, outros monumentos, inscrições várias e estátuas pedestais o ornamentavam.


Alguns investigadores defendem que uma célebre personagem tenha aqui mandado construir dois pequenos templos (templetes), dedicados, um a Vénus, conhecida por deusa do amor e da beleza, e outro a Marte, deus da guerra e filho de Júpiter, trata-se de C. Cantius Modestinus. Com estas construções Modestinus quis aliar a beleza e a paz, como que replicando a recente conquista do território pelo Império Romano. A estas duas inscrições juntam-se outras duas, em Bobadela, destinavam-se, decerto, a encimar parte superior duma porta. Pouco se conhece acerca desta personagem, se casou, se teve filhos e quantos, mas sabe-se que teria o mesmo nome de seu pai por uma inscrição romana que pode ser vista, junto à fachada lateral da basílica


Modestinus, o tal pai da Severa Modesta, mas ao que se sabe, este homem não teve qualquer filha chamada Severa Modesta, mas no entanto houve uma Severa em Idanha, talvez até mais do que uma, dela nada se sabe a não ser que morreu mais cedo que a mãe, pois foi sua mãe que mandou gravar, numa grande pedra, a inscrição da qual apenas se conserva o nome SEVERA e a palavra “MATER”, por baixo duas letras, “F” e “C”, indicam a expressão faciendu curavit, que significa “mandou fazer”. 







Descendo ao rio Pônsul, as ruínas de uma domus romana, do séc. I d.C./ séc. III d.C., que se estendia fora dos limites exteriores à muralha, tendo sido sacrificada para a construção da muralha defensiva com a crise interna do império, passando-se a Porta Sul e por caminho estreito, em terreno agrícola não acessível, encontram-se partes da estrutura do edifício daquilo que seriam as Termas a sul do fórum, e muito perto ao rio Pônsul.




Ponte Romana-Medieval 

Estado de conservação: aberta à circulação rural - bom estado
Construção: entre o séc. I a.C. e séc. I d.C.
Via romana: Braga a Mérida (Colmeal da Torre – Idanha-a-Velha – Mérida)

Segura
Ponte Romana de Segura

Estado de conservação: aberta à circulação – requalificada recentemente
Via romana: Braga a Mérida (Colmeal da Torre – Idanha-a-Velha – Mérida)
Acesso: Segura (EN355)

Miliário Anepígrafo

Local: Porta Sul

Alcafozes
Miliário 

Local: Muro de habitação – na Rua Fonte Nova

Medelim
Calçada Romana (pequeno troço)

Estado de conservação: bom estado no interior da povoação
Via romana: Braga a Mérida (Colmeal da Torre – Idanha-a-Velha – Mérida)
Acesso: Medelim (EN239) - Largo da Igreja perto do cemitério


Belmonte

A região de Belmonte e a primitiva ocupação humana é incerta mas tudo indica que após a invasão romana da Península Ibérica e com a coexistência da importante via Braga a Mérida fez com que toda esta região se desenvolvesse e florescesse através do escoamento dos seus produtos e matérias-primas para regiões desenvolvidas e prósperas do litoral. A mesma estaria referenciada em documentos medievais do século XII na existência dum caminho “Via da Covilhã” com ligações a Tomar (Seilium) e a Condeixa-a-Velha (Conimbriga) à Serra da Estrela, conhecida por “Estrada da Lã”.

Marco Miliário a Probo

Local: habitação em frente à escadaria da Igreja de Santiago


Estação Arqueológica de Centum Cellas ou “Torre de S. Cornélio” 



A ideia deste local corresponder a uma villa é defendida desde 1988, antes disso, outros estudiosos classificaram-no como sendo uma mansio ou estalagem devido à sua proximidade da via militar, atalaia ou prisão, acampamento militar, um “vicus” divisão administrativa de menor dimensão, até a ideia de ter sido um santuário, de facto estamos perante uma Torre para tantas ideias.

A Torre revela-se na parte central e melhor conservada daquela que terá constituído a villa de Lucius Caecilius, um abastado cidadão negociante de estanho, que mandou edificar a sua casa, onde Lúcio Cecílio viveria com a sua família, onde teria os seus escravos, onde tomava os seus banhos em termas aí existentes mas, na verdade, não sabemos se esta era, de facto, a sua casa. Mas quem seria este Lúcio Cecílio cujo nome estava gravado numa pedra, datada do século I d.C., no sítio de Centum Celas. É colocada a hipótese do nosso Lúcio Cecílio integrar um ramo da família Caecilia, uma das mais antigas e nobres de Roma, descendente de Quinto Cecílio Metelo Pio, que combateu Sertório na sequência das guerras que opuseram Pompeu Q. Cecílio Metelo Pio a Sertório (79-72 a.C.), terem fixado residência em Centum Celas.

Desconhece-se a origem do topónimo, embora a tradição atribua esta designação às “cem celas” da prisão aqui teria existido. Nos finais dos séculos III d.C./IV d.C., houve um incêndio que a destruiu parcialmente, mais tarde foi alvo de reconstrução, e segundo a tradição, esteve encarcerado neste edifício/prisão Cornélio, morreu no ano de 253 d.C., dando a designação Torre de S. Cornélio.

A estação arqueológica situa-se em Colmeal da Torre, junto a Belmonte, vedada e classificada como Monumento Nacional.



Villa Romana da Quinta da Fórnea

A villa romana da Quinta da Fórnea localiza-se no sopé de uma pequena montanha, numa zona plana, na parte oriental da Serra da Boa Esperança, abrindo-se para um vale que, na época romana, deveria fornecer a riqueza necessária aos proprietários desta grande propriedade. 


Podemos comparar uma villa romana a uma quinta agrícola dos nossos dias, uma grande quinta, onde existia uma casa também ela grande e com várias comodidades, mas que inclui igualmente a propriedade que lhe fornece a riqueza, de onde provêm os recursos agrícolas que tornam a quinta rentável do ponto de vista económico. Também na época romana esta diferenciação era notória e importante, sendo que todas as villae possuíam uma pars urbana, isto é, a zona destinada ao dono e à sua família, com uma habitação que poderia ser muito rica e ornamentada como, em outros casos, poderia ser mais modesta. Estas grandes casas teria também uma pars fructuaria ou pars frumentaria, ou seja, onde se praticava a agricultura, onde o gado pastava, onde se processava a transformação dos produtos e armazenagem.

A ocupação está datada, dos finais séc. II d.C. início séc. III d.C., e abandonada durante o séc. IV d.C.. 

A entrada da villa era feita pelo lado nascente, uma área lajeada com grandes pedras dando acesso às várias divisões e compartimentos que compõem a parte edificada da propriedade, num olhar mais cuidado, ainda se notam as concavidades dos rodados dos carros que transportavam os produtos que iam e vinham, comprovando assim o dinamismo do local.


Mas analisemos de forma concreta esta planta da villa: a entrada principal; a casa do guarda; a casa do forno; os armazéns dos cereais ou a casa da lenha; um telheiro; alojamentos da criadagem; o lagar do vinho, o reservatório da água, o celeiro, os estábulos, o cercado, um armazém; unidades transformadoras e, finalmente uma área destinada á indústria têxtil. Na grande casa do proprietário foram identificadas várias divisões; a sala de jantar; os quartos; a cozinha; o jardim e o pátio central. No balneário pertencente à casa foram reconhecidas a sala dos banhos quentes; a sala dos banhos tépidos; o tanque da água fria; a sala da fornalha e o vestiário.



Sistema de hipocausto
Celeiro e Anexos Agrícolas à esquerda
Não muito distante da actual Quinta da Fórnea, dois mausoléus encontrados terão servido para morada eterna de duas ilustres personagens, colocando-se a hipótese de terem sido mandados fazer pelo dono da villa para serem morada, a si e à sua mulher, numa outra vida.

A villa romana situa-se entre Belmonte e Caria (EN345), está devidamente sinalizada e o percurso da visita está identificado por placas descritivas e informativas sobre os diferentes compartimentos. Foi classificada como Imóvel de Interesse Público.


Bendada (Belmonte)
Pontão Romano do Bacelinho sobre a ribª de Moinhos

Acesso: em Inguias seguir a Bendada, na povoação seguir direcção a Qtª da Ribeira, no alto da subida, cruzamento por caminho de terra batida à esquerda

Vale Formoso (Belmonte)
Calçada Romana das Quintarias (pequeno troço)

Estado de conservação: bem visível mas irregular em toda a sua extensão
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha em Oleiros – Covilhã - Belmonte
Acesso: Vale Formoso (EN232) - do cemitério, partindo junto a poste transformação EDP à estrada nacional


Covilhã

Calçada Romana (pequeno troço)

Estado de conservação: só visível junto à berma da rua (alcatroada)
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha em Oleiros – Covilhã – Belmonte
Acesso: Covilhã (cidade), perto da estação da CP, pela rua da Corredoura


Orjais

Templo Romano da Nossa Senhora das Cabeças.


Na encosta da Serra da estrela, sobranceiro a Orjais, um magnífico Templo Romano que conserva parte do seu podium, sobre o qual se elevava, junto à Capela da Nossa Senhora das Cabeças, não é muito visível devido à intensa vegetação rasteira que o encobre, construído no séc. I a.C., foi provavelmente um santuário regional ou o local da civitas dos Oppidani. Para todos os efeitos, trata-se de um Templo idêntico ao de Évora inserido na cidade, enquanto, o de Orjais está na encosta duma serra voltada a Leste. 



Podium do Templo
Trata-se de um edifício de planta rectangular, toda a estrutura é constituída por silhares de grande aparelho, de faces perfeitamente regularizadas, apresentando-se almofadas ao longo da fachada principal do edifício. As duas inscrições encontradas em Orjais poderão estar relacionadas com o culto praticado neste templo, crê-se que o templo terá sido dedicado a uma divindade indígena ou a "Jupiter".

Cortes de Baixo (Covilhã)
Ponte Antiga do Ourondinho sobre a ribª de Cortes

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha em Oleiros – Covilhã - Belmonte
Acesso: Tortosendo (EN230)

Casegas (Covilhã)
Ponte Romana?


Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha em Oleiros – Covilhã – Belmonte
Acesso: Fundão/Silvares (EN238), cortar a Ourondo/Casegas

Casegas e Ourondo (Covilhã)
Calçada Romana da Lagoa
Estado de conservação: falta reconhecer o local
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha em Oleiros – Covilhã – Belmonte
Acesso: Casegas e Ourondo



Fundão


Museu Arqueológico Municipal José Monteiro



Terminus Augustallis



Paúl (Fundão)
Ponte Romana? do Paúl 

Estado de conservação: aberta à circulação - recentemente requalificada
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha em Oleiros – Covilhã – Belmonte
Acesso: Paúl (EN341-1)

Souto da Casa (Fundão)
Epitáfio Romano

Local: exterior da Igreja Matriz S. Pedro junto à porta da sacristia e outra interior


Trata-se de uma inscrição romana da 1ª metade do séc. I d.C., que se encontrava num jazigo familiar, hoje desaparecido. Na lápide estava escrita uma mensagem contando uma história familiar, tão antiga quanto trágica de Lúcio Júlio Timélico, pois ali, estariam sepultadas sua filha Júlia Modesta de 18 anos e a sua mãe Lívia Ninfa de 40 anos, sendo que ele próprio também esperaria ser sepultado um dia.

Pela análise de estudiosos, dos nomes do casal tratar-se-ia de um casal de “libertos”, ex-escravos que alcançaram a liberdade dos seus donos.


Valverde (Fundão)
Ponte Romana?-Medieval de Pêroviseu 

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Via romana: Alvega a Salamanca, de Castelo Branco-Fundão-Covilhã por Peroviseu
Acesso: estrada regional de Valverde (a 8 km) a Pêroviseu

Ferro (Fundão)
Inscrição Romana

Local: Junta de Freguesia (9,00h/12,00h – 14,00h/18,00h)

Peso de Lagar Romano

Local: Jardim Público

Capinha (Fundão)
Calçada Romana (pequeno troço)

Estado de conservação: vestígios da calçada ao longo percurso
Via romana: Braga a Mérida (Colmeal da Torre – Idanha-a-Velha – Mérida)
Acesso: Capinha (EN346) – pela Rua da Capela de S. Marcos

Capinha (Fundão)
Ponte Romana?-Medieval  


Estado de conservação: aberta à circulação
Via romana: Braga a Mérida (Colmeal da Torre - Idanha-a-Velha - Mérida) e a via Alvega a Salamanca, de Castelo Branco 
Acesso: Capinha (EN346) a Penamacor

Meimoa (Penamacor)
Cipo Romano 

Local: Largo da Igreja - Cruzeiro de Meimoa

Ponte Romana?-Filipina de Meimoa

Estado de conservação: aberta à circulação – recentemente requalificada
Via romana: Torre de Almofala a Idanha-a-Velha
Acesso: Meimoa (EN233)
Classificação: Imóvel de Interesse Público