domingo, 30 de novembro de 2014

IMAGENS da LVSITÂNIA - Distrito de Évora


O património arqueológico e histórico da antiga província romana da LVSITANIA é rico e diverso, e está espalhado por todo o território. Apesar de não termos grandes espaços monumentais, posso garantir que vestígios do nosso passado não nos faltam e que estão por aí, bem debaixo dos nossos pés. Consegui fazer-vos sentir pequenos nesta grande história? Óptimo, a ideia era essa. Agora viagem comigo pelos trilhos dos romanos no maior conjunto de dólmens e menires de toda a Península Ibérica, especialmente no distrito de Évora (referenciados 150 monumentos megalíticos), o Cromeleque dos Almendres (dos mais relevantes monumentos do género na Europa) e Anta do Zambujeiro (maior dólmen em Portugal), e não ficará também indiferente aos muitos castelos e fortificações, mais ou menos preservados, vestígios de diferentes civilizações, culturas num recuo à época dos Imperadores e das Legiões a um passado com dois mil anos de história, será uma viagem no tempo marcada pela natureza e pelo património pelo Alto Alentejo.

Évora 

A cidade de Évora é como um mil-folhas: camada a camada, a cidade foi-se formando, desde há mais de dois milénios, que gentes decidiram ocupar esta região para dela fazer o seu lar, a sua vida. Os vestígios que hoje em dia sobressaem são relativos a monumentos megalíticos, à grande conquista Romana, até à conquista Muçulmana, à reconquista do território pelos cristãos e formação do Reino, alcançando a sua época dourada durante o séc. XV quando se tornou residência dos Reis de Portugal, até aos dias de hoje, tudo se torna claro neste emaranhado: uma cidade rica, carregada de história por descobrir com o seu centro histórico considerado como Património da Humanidade pela UNESCO desde 1986.

Comecemos a visita pela grande praça públicaforum e templo” bem no centro da cidade, estendia-se do limite sul do Jardim à Sé e do Palácio da Inquisição até ao Palácio do Cadaval, era dos mais importantes espaços públicos da cidade romana de Liberalitas Iulia Evora, local de excelência para qualquer cidade romana, de culto e de intensa actividade comercial, ponto de convergência da população onde se afixavam editais públicos ou eram lidos, em voz alta, os decretos emanados do senado, em Roma, modelo adoptado a partir de início do século I d.C. e data provável da sua construção, no centro um Templo dedicado ao culto imperial, símbolo da coesão do império, presentemente está mais consensualmente aceite que tenha sido dedicado à deusa romana da caça “Diana”.



Um outro ponto de interesse serão as ruínas do complexo termal, construídas entre os séculos II d.C./III d.C., e no interior da Câmara Municipal de Évora localizada na Praça de Sertório, local lúdico e indispensável para tratamento da higiene pessoal das massagens e relaxamento do corpo complementado por um papel social e político enquanto espaços de relacionamento e convivência dando respostas às necessidades muito próprias do “modus vivendi” romano, num ritual imprescindível e quase diário – o costume do banho.



Da antiga muralha defensiva da cidade alguns vestígios ainda subsistem, entre eles o Arco Romano D. Isabel e antiga Porta da Muralha, no entroncamento da rua Menino Jesus com a rua D. Isabel, entre outras que existiam, a Porta do Raimundo, Porta do Machede e Porta da Lagoa.

Arco Romano D. Isabel - antiga Porta da Muralha Romana
Porta do Raimundo - antiga porta da cidade
Finalmente, nas imediações do Convento São Bento de Cástris, seguindo por caminho de terra batida ao Aqueduto Quinhentista da Água de Prata, a visualização numa das sapatas assente em materiais diferentes de construção relativamente às actuais, apontando estarmos em presença de fortes indícios de anterior aqueduto romano, resultado das últimas sondagens arqueológicas e alvo de estudos científicos.



Marco Miliário, dedicado ao imperador Maximino e Máximo

Local: interior das instalações das Estradas de Portugal
Acesso: circular de Évora (rotunda da Opel) contornar rotunda à direita e seguir placa indicativa Estradas de Portugal (rua Aníbal Tavares)

Ponte Antiga do Xarrama
Estado de conservação: falta reconhecer o local
Acesso: Évora (EN254), imediações ao aeródromo de Évora


Circuito I

Tourega (Évora)

Villa Romana de Tourega ou das Martas 

No sentido de Alcáçovas, a cerca de 12 km de Évora, as ruínas de uma villa romana, a data da ocupação entre séc. I d.C./séc. IV d.C., foi um importante estabelecimento rural na economia na região pela localização limítrofe a Évora e apoio à via imperial que por aqui passava.

Vista do Edifício Termal 
Como na generalidade das villas romanas, era constituída pela área residêncial do proprietário (pars urbana), dos seus trabalhadores (pars rustica), pars frumentaria (celeiros, estábulos, lagares de azeite) e edifício termal destinado a banhos privativos pois os banhos romanos sempre estiveram associados à cultura romana: para onde quer que os romanos fossem, os banhos iam com eles, não se limitava a lavagem do corpo, embora o asseio fosse o objectivo, mas uma mistura de diversas e diferentes actividades: libertar suor, exercício, sauna, natação, banhos de sol, jogos com bola, ser “raspado” e esfregado.


A nossa viagem incide somente ao edifício termal por um corredor que nos leva a um edifício com duas áreas aquecidas pressupondo-se tratar de um edifício dotado com termas duplas, para homens e mulheres, na sala do frigidarium com natatio (piscina) para banhos frios, e salas tepidarium e caldarium para banhos quentes aquecido por um sistema de aquecimento assente sobre “suspensurae (arcos) do “hypocaustrum” (aquecimento subterrâneo) sob os quais circulava o ar quente produzido proveniente das “praefurnia” e, sobre as mesmas eram colocadas as caldeiras, geralmente de bronze, a partir das quais a água quente era conduzida às piscinas de água quente por canalizações em chumbo, ainda no mesmo local as estruturas de outro edifício de dimensões mais amplas que serviria para o armazenamento de água.






A villa romana de Tourega, encontra-se aberta ao público sendo para isso necessário solicitar as chaves de acesso na casa junto da igreja, está classificada como Imóvel de Interesse Público.

Acesso: Évora/Alcáçovas (EN380) em Tourega por caminho de terra batida cerca de 800 metros, situa-se nas traseiras de cemitério

S. Brás do Regedouro 
Ponte Romana?-Medieval de Alcalainha

Estado de conservação: rural – vestígios de calçada romana original
Via romana: itinerário XII Lisboa-Alcácer do Sal-Évora-Mérida
Acesso: S. Brás de Regedouro (EN380) no cruzamento para a povoação, por caminho de terra batida, cerca de 3km

Valverde (Évora)
Miliário Anepígrafo


Local: cruzamento anterior à Anta do Zambujeiro por caminho à esquerda, cerca de 200 metros
Acesso: Évora/Alcáçovas (EN380) a Valverde (CM1079)

Nossa Senhora da Boa Fé (Évora)
Ponte Antiga do Lagar da Boa Fé

Estado de conservação: rural
Acesso: Évora/Santiago do Escoural (EN370) a Boa Fé ponte está sinalizada no interior da povoação

S. Brissos (Évora)
Miliário Anepígrafo


Local: Igreja Paroquial numa da extrema da igreja
Acesso: Évora/Santiago do Escoural (EN370) a S. Brissos (CM1079-1)

Circuito II

Nossa Senhora d´Aires (Viana do Alentejo)

A data da fundação da primitiva ermida que deu origem ao actual santuário perdeu-se na história. Perante tal facto, surgem duas teses esgrimindo cada uma delas seus argumentos: a primeira, atribuindo a sua fundação à Ordem do Templo, sustentada pela presença da Cruz de Cristo na capela-mor, a segunda, que através duma inscrição em latim, atribui a sua fundação ao lavrador Martim Vaqueira, que por voto, terá ordenado a construção na sua Herdade de Paredes. Esta Herdade de paredes está num outro debate histórico, uma vez que alguns estudiosos põem a hipótese que também este espaço religioso, nomeadamente a designação de Aires, terá emanado da hipotética existência da cidade romana de Ares, que a existir, teria existido no espaço desta herdade. Deste modo, o nome de Senhora D`Aires terá evoluído ao longo dos tempos, desde senhora de Ares até à sua forma actual. O Santuário de Nossa Senhora D`Aires é Monumento Nacional desde 2012.



No adro do santuário estão inseridas duas inscrições funerárias Duas Aras (inscrições funerárias)

Epitáfio de Letoides



Epitáfio de Euprepria




Circuito III

Santa Vitória do Ameixial (Estremoz)

Villa Romana de Sta Vitória do Ameixial

A cronologia da villa terá sido ocupada a partir séc. I d.C., como é documentado pelo aparecimento de uma moeda de Nero mas a ocupação foi durante os finais do séc. III d.C. a início do séc. IV d.C.


A área da villa romana engloba uma pars rustica (instalações destinadas aos servos e escravos que trabalhavam a terra), uma pars frumentaria (lagares de vinho e azeite, celeiro e armazéns diversos), situar-se-iam na base da elevação a norte, e uma pars urbana (área residencial dos proprietários), com um peristylium central com salas e corredores pavimentados a mosaicos, em torno desse peristilo, incluindo a cozinha e compartimentos de apoio, e uma rede de saneamento e circulação de águas. Esta área da villa estendia-se ao longo de toda a elevação, descendo para oeste encontrando-se grande parte sob a povoação.

O sítio arqueológico é Monumento Nacional, encontra-se protegido e encerrado ao público.
Acesso: Santa Vitória do Ameixial (EN245) está sinalizada à entrada da povoação

Évoramonte
Miliário dedicado a Crispo, Licínio Júnior e Constantino II

Tratando-se de uma visita ao interior da igreja, pelo facto, de que na maioria das igrejas e capelas deste país encontram-se encerradas teremos de ter algum cuidado aquando da deslocação a este local

Local: Igreja Matriz de Stª Maria (assenta a pia baptismal)
Acesso: Évoramonte (EN18)


Estremoz

Museu Municipal de Estremoz Prof. Joaquim Vermelho

Colunas em mármore (séc. III/IV d.C.)

Capitel (séc. III/IV d.C.)

Circuito IV

Santana do Campo (Arraiolos)

Templo Romano




Outros vestígios romanos junto à Igreja
Local: Igreja Paroquial de Santa Ana – Monumento Nacional
Acesso: Arraiolos (EN370), desvio a Santana do Campo

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

IMAGENS da LVSITÂNIA - Distrito de Santarém


O património arqueológico e histórico da antiga província romana da LVSITANIA é rico e diverso, e está espalhado por todo o território. Apesar de não termos grandes espaços monumentais, posso garantir que vestígios do nosso passado não nos faltam e que estão por aí, bem debaixo dos nossos pés. Consegui fazer-vos sentir pequenos nesta grande história? Óptimo, a ideia era essa. Agora viagem comigo pelos trilhos dos romanos.

Santarém 

Os registos da cidade de Santarém remontam ao séc. VIII a.C., mas foi a conquista desta região pelos romanos, no ano de 138 a.C., nas campanhas militares do cônsul Décimo Júnio Bruto Galaico estabeleceu um acampamento militar desconhecendo-se com exactidão a sua localização mas sabe-se que foi próximo a Santarém.

A cidade de então teria três assentamentos; uma cidadela fortificada que aqui existia desde a Idade do Bronze antes da chegada dos romanos na antiga Alcáçova Medieval e Jardins das Portas do Sol, Scallabis, uma zona portuária onde atracavam as galés romanas e se faziam as trocas comerciais, tudo indica que fosse no lugar de Alfange, um Portus ou cataplus, por último, onde se instalou o acampamento romano de Júlio César no Bairro do Pereiro, mantendo uma guarnição militar permanente, altura que o aglomerado deve ter sido fortificado, em 61 a.C., neste período da dominação é baptizada por Scallabis Praesidium Iulium.


A dinastia de Augusto, muito contribuiu para que Scallabis se tornasse num dos mais importantes centros administrativos e económicos, como entreposto comercial do médio Tejo com outras províncias do Império da bacia do Mediterrâneo Oriental e passagem da mais importante via imperial do ocidente ibérico de Lisboa, Olisipo a Bracara Augusta e Legio (Leão), a grande base militar da Hispânia, no arruamento da ancestral Estrada de Alfange mas junto ao rio a via bifurcava noutra via a Emerita Augusta atravessando o rio Tejo mais adiante por uma ponte que existia de barcas.

Todo este dinamismo foi conseguido pela divisão da província da Lusitânia em três unidades judiciais mais pequenas denominadas por “conventus” (distritos), obtendo a designação de “Conventus Scallabitanus“, e sede de distrito em 16-15 a.C., ficando administrativamente acima de Felicitas Iulia (Lisboa), as outras duas: o “Conventus Pacensisem Pax Julia, actual Beja e o “Conventus Emeritensisem Emerita Augusta, capital da província, hoje Mérida.

Foi no âmbito da candidatura da cidade a Património Mundial que se fez um trabalho de investigação onde se detectaram que os arruamentos no Bairro do Pereiro são todos rectilíneos e perpendiculares com pilastras e cunhais em algumas habitações, bem diferentes doutros arruamentos limítrofes mais pequenos e sinuosos, típicos da Idade Média. Um acampamento romano obedecia a determinados critérios, um dos quais seria que a rua principal “cardus maximus”, na direcção norte/sul, muito bem poderia corresponder às ruas Miguel Bombarda/Capelo e Ivans atravessada por uma outra “decumanus maximus”, nascente/poente, ruas João Afonso/1º de Dezembro, e no urbanismo do bairro do Pereiro correspondia precisamente à divisão em talhões e por sua vez em actus e centúrias, no cruzamento do cardus e o decumanus o forum da futura cidade, contudo, não pondo em dúvida ou questão o cruzamento do cardus e decumanus mas tudo poderá apontar que o cruzamento possa ter sido um pouco mais abaixo junto à Igreja do Milagre, o Templo dos Minimus, templo sagrado dos romanos que dá origem ao Forum e daqui a arquitectura urbanística de qualquer cidade romana nas extremidades as Portas da cidade e na periferia as Termas e o Anfiteatro. Num outro ponto do bairro, na rua António Santos estamos perante um troço da muralha medieval, contudo, poderá ter tido correspondência aos limites do acampamento militar romano fortificado por paliçadas ou muralhas. 

Muge
Ponte Romana? de Muge 

Estado de conservação: pedonal - requalificada recentemente
Via romana: itinerário XIV Lisboa-Alter do Chão-Mérida
Acesso: Muge (EN114), junto ao Palácio dos Duques do Cadaval
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Coruche
Ponte “Romana” da Coroa 

Estado de conservação: pedonal
Via romana: Santarém a Évora
Acesso: Coruche (EN114-3), à esquerda na segunda ponte junto de habitação
Classificação: Imóvel de Interesse Municipal

Circuito I 
Torres Novas

Villa Romana de Cardillio


A villa romana de Cardílio era uma villa agrícola, composta por 22 divisões, e a denominação deve-se a inscrições que refere o nome de “Cardilium”, proprietário que a mandou erigir para residência de família. As diversas campanhas arqueológicas revelaram alterações substanciais na planta da casa, entre os séc.I d.C. e séc.IV d.C., trazendo igualmente à luz do dia um significativo complexo de termas privadas a sudoeste da habitação. 




A entrada principal seria a poente do claustro, pavimentada em mosaicos de tesselas, constituído por vários painéis distribuídos pelos diversos quartos de cores vivas e motivos geométricos, predominando as tranças e os entrelaçados, aves de grupos opostos e os retratos dos proprietários da villa com motivos agrícolas, num dos quais, a meio da segunda fila, a inscrição:


 Inscrição

“VIVENTES CARDILIUM
ET AVITAM FELIZ TURRE”

 Tradução

CARDÍLIO E AVITA
SEJAM FELIZES VILLA DA TORRE



Noutro painel, na fila imediatamente abaixo, e descentrado para a esquerda, busto de CARDILLIO, de cabelo curto e ombro direito nu, com pregas na toga de púrpura, presa por fíbula, e o de AVITA, de cabeleira de vidros azuis-claros e tesselas azuis-escuros, e com veste que deixa desnudado o ombro direito.


Em terceiro painel, bem emoldurado, um grupo de quatro aves com flores pendentes nos bicos, postas duas a duas, em sentidos diametralmente opostos, no entanto, esta figuração humana poderá ser uma alegoria relacionada com as estações do ano, neste caso, com o Outono e o Inverno.

O peristilium elemento central da villa permitia a entrada de luz natural e arejamento da casa, tinha um jardim interior embelezado com inúmeras plantas, uma fonte e diversas esculturas. Denotam-se vestígios de doze colunas, quatro de cada lado, formando um claustro, pavimentado por seis tapetes de mosaicos. Ao centro, um quadrado que seria um jardim com um poço revestido de alvenaria, de cerca de sete metros de profundidade, no extremo sul. No jardim ainda podemos ver uma conduta e ruínas de paredes de construção anterior e uma calha ao longo dos quatros lados do quadrado. 

A entrada principal seria a poente do claustro, pavimentada por mosaicos de tesselas. Este mosaico é constituído por vários painéis, num dos quais, colocado a meio da segunda fila, inscrição atrás referida. Noutro painel, na fila imediatamente abaixo, e descentrado para a esquerda, busto de CARDILLIO, de cabelo curto e ombro direito nu, com pregas na toga de púrpura, presa por fíbula, e o de AVITA, de cabeleira de vidros azuis-claros e tesselas azuis-escuros, e com veste que deixa desnudado o ombro direito. Em terceiro painel, bem emoldurado, um grupo de quatro aves com flores pendentes nos bicos, postas duas a duas, em sentidos diametralmente opostos.




A exedra, precedida de pórtico com quatro colunas de frente e duas laterais, as bases que se conheceram de três de colunas eram em mármore das quais só uma ainda existe.

A nordeste do peristilo descortinamos um “tanque”, ladeado por colunas de tijolo, em três das suas quatro faces, a “latrina”, compartimento equipado com um banco de alvenaria, eventualmente, de mármore com orifícios ovoides, semelhantes aos atuais assentos sanitários sob este banco corria permanentemente água, proveniente da cloaca, e muito perto o edifício termal


Falta entretanto dar o relevo ao, ex-libris da villa, o magnífico estado de conservação e preservação do sistema de aquecimento central (hipocaustro) das “praefurnia” em arcaria de tijolo, através do qual o ar quente produzido circularia pelos arcos e pelas paredes duplas dos quartos com canalizações em chumbo permitindo o aquecimento e sobre as praefurnia eram normalmente colocadas caldeiras, geralmente de bronze, a partir das quais a água quente em canalizações de chumbo era conduzida às salas dos banhos quentes ao tepidarium e ao caldarium.


Toda a visita à villa romana é acompanhada por um guia após uma apresentação prévia. Situa-se no perímetro urbano de Torres Novas, saída da (A23), é Monumento Nacional

Museu Municipal Carlos Reis

No Museu Municipal Carlos Reis está patente todo o espólio das escavações da villa Cardílio, nomeadamente, moedas dos séculos II, III e IV d.c., vidros assírios e egípcios gravados e estuques coloridos, cerâmicas dos séculos I e II d.c., supondo-se produção de Valerius Paternus que as criava em Mérida e a estátua de Eros, datada séc. I d.c., revelando-se como uma das mais importantes peças encontradas.


Calçada Romana Bom Amor (Casal Quebrada)

Característica: vestígios da calçada nas bermas, muito irregular
Via romana: itinerário XVI Braga a Lisboa
Acesso: Torres Novas, na Fonte do Bom Amor seguir pela esquerda até habitações, a partir daqui por caminho de terra batida descendo à ribeira passando pela Quinta Marquês (Gateiras)

Alcorochel
Ponte Romana?  

Estado de conservação: rural – vestígios de calçada
Via romana: itinerário XVI Braga a Lisboa
Acesso: Alcorochel, pela rua da Garcia, Largo do Poço Novo e rua da Ribeira, segue por caminho de terra batida


Circuito II

Tomar 

A cidade romana Seilium ou Selium, actual Tomar, situava-se na margem esquerda do rio Nabão que a percorria, à altura da ocupação romana os povos desta região dedicavam-se, essencialmente, da agricultura e da exploração mineira.

Concluída a ocupação definitiva da Hispânia e clarificada a situação política em Roma, o imperador Augusto, reorganiza-a política e administrativamente. Criam-se novos núcleos urbanos e adaptam-se os já existentes, construindo-se vias de comunicação e desenvolvendo-se as preexistentes, quer terrestres quer fluviais.  


Integrada numa das três províncias Hispânia, a Lusitânia, Seilium seria uma das 34 “civitates stipendiariae” entre 16-13 a.C. sob a alçada do “conventus Scallabitanus”, com sede em Scallabis, no reinado de Vespasiano, 69-79 d.C., durante a dinastia dos Flávios, 69-96 d.C., ascende à categoria de “municipium” comprovada na inscrição “genius municipii” podendo ser vista no exterior da base do lado poente da Torre de Menagem do Castelo Templário. O estatuto de “municipium” muito a ajudou para que se tornasse num importante entreposto comercial com comunicações terrestres ao litoral e interior da província e ligação a Mérida, mas sobretudo pela passagem da via imperial do ocidente ibérico de Lisboa, Olisipo a Bracara Augusta e Legio (Leão), a grande base militar da Hispânia e por via fluvial porque o rio Tejo era navegável até Santarém, desta forma, permitindo a subida de barcos de média calagem e não é de excluir a possibilidade das mercadorias subirem rio acima mas em barcos de pequeno porte, para trocas comerciais de bens com outras províncias do Império da bacia do Mediterrâneo Oriental.


Da antiga cidade pouco resta está confinada a uma pequena área circunscrita às ruas da Carrasqueira, Manuel de Matos, Santa Iria e Carlos Campeão, estando o sítio arqueológico sem qualquer vigilância ou protecção com muita vegetação envolvente, deste modo, não permitindo visualizar em boas condições a área intervencionada.

Estão a descoberto na rua Carlos Campeão alicerces de monumento público e da praça pública no Forum, datado do séc. I d.C., conservando-se ainda estruturas das tabernae (lojas), da Basílica (Tribunal) e da Curia (reunião do Conselho), é ainda possível a identificação das duas vias principais o cardus maximus e o decumanus maximus, nascente/poente, a sul da Basílica e o cardus no lado do poente.




Toda a área circundante da Alameda Um de Março e Avenida Norton de Matos, e as ruas circunscritas: Rua Carlos Campeão, Rua Amorim Rosa, encontram-se classificadas como Imóvel de Interesse Público

Paialvo
Calçada Romana Casal Salgueiro

Característica: vestígios resta somente o traçado do caminho
Via romana: itinerário XVI Braga a Lisboa
Acesso: Paialvo (EM558), pela rua da Escola, passando a via férrea, ao Centro de Dia e rua Via Romana por caminho de terra batida 

Vila Nova de Paialvo
Ponte "Romana" da Pedra

Estado de conservação: rural – com vestígios de calçada
Via romana: itinerário XVI Braga a Lisboa
Acesso: Lamarosa/Pé de Cão (EM539), passando zona fabril, à direita por caminho de terra batida ao lado da ribeira

Póvoa
Ponte Romana? da Póvoa 

Estado de conservação: em ruínas
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Caxarias
Acesso: Tomar/Póvoa (EM526), pela Estrada do Prado, na povoação, rua da Ponte Romana (frente a Escola Primária), parte do percurso em caminho de terra batida 

Carvalhal/Fervenças
Ponte Romana? da Azenha do Curto

Estado de conservação: rural
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Caxarias
Acesso: da Póvoa a Vale Venteiro, cortar a Carvalhal/Fervenças, passando Fervenças na curva à direita, segue à ponte romana no açude e Azenha do Curto

Junceira/Carril (Tomar)
Ponte Romana? 

Estado de conservação: pedonal - enquadrada em parque de merendas
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha, Mouriscas - Rio Tejo pela “Estrada da Serra”
Acesso: Tomar/Serra (EM 531) seguir placa indicativa de Instituto Politécnico passar debaixo da A13 seguir sinalização de ponte romana, junto à barragem do Carril

Carregueiros (Tomar)
Calçada Romana de Valinhos
Característica: 
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Caxarias
Acesso: Carregueiros (IC9/EN 113)


Circuito III
Ourém

Atalaia Romana no morro do castelo na Porta de Santarém

Calçada Romana da Mulher Morta

Característica: calçada sobre terra batida coberta por pedra miúda, em bom estado de preservação
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Ourém
Acesso: Castelo de Ourém (centro histórico)

Atouguia
Ponte Romana? de S. Sebastião 

Estado de conservação: aberta à circulação
Construção: séc. II d.C. e séc. III d.C.
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Ourém
Acesso: Atouguia/S.Sebastião, na placa indicativa para Atouguia, por rua a 20 metros mais à frente à direita

Valada
Ponte Romana? da Valada

Estado de conservação: necessita intervenção
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Caxarias
Acesso: Valada (EN113), seguindo as ruas Penha de França e do Canto, passando uma primeira ponte, por caminho de terra batida pela direita, ponte a 200 metros

Agroal/Porto Velho (Ourém)
Calçada Romana
Característica: 
Via romana:
Acesso: Agroal

Circuito IV



Rio Maior

Villa Romana de Rio Maior I

Acesso: Rio Maior - para visitas será através da Galeria Municipal – Casa Senhorial d´El Rei D. Miguel 243 907 424

Casais da Igreja (Rio Maior)
Forno Romano
Local: Casais da Igreja (EN 114)

Alcanede
Ponte Romana?-Medieval de Alcanede

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Construção: séc. III d.C.
Via romana: Leiria a Santarém, variante por Porto de Mós
Acesso: Alcanede (EN361), pela rua da Ponte Romana
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Alqueidão da Serra (Porto de Mós)
Calçada Romana

Característica: calçada em blocos de pedras regulares, extensão de 300 metros, em bom estado de preservação
Via romana: Leiria a Santarém
Construção: séc. I a.C./séc. I d.C.
Acesso: Alqueidão da Serra, seguir sinalização na povoação, inicia-se junto a parque de merendas
Classificação: Imóvel de Interesse Público


Circuito V

Ortiga

Estação Arqueológica de Vale de Junco

A estação arqueológica de Vale de Junco, situa-se na freguesia de Ortiga, concelho de Mação, na transversal à Rua dos Mouros e sinalizada junto a posto de abastecimento passando a última habitação do lado esquerdo no início da descida em caminho de terra batida (200 metros) em encosta privilegiada com vista para o rio Tejo - acesso livre, ao abandono total.

Seria uma villa romana agrícola, de apoio à via romana Alvega a Salamanca que perto passaria. Da villa resta parte do complexo termal, devido ao seu estado de ruínas ainda é possível ter-se a perceção da entrada do edifício, o atrium ladeado pelo apodyterium (vestiário), a sala destinada aos banhos frios frigidarium, a natatio (piscina), no interior do tanque consegue-se ver parte do revestimento, e a sala destinada aos banhos quentes o tepidarium e o caldarium. Distingue-se ainda, parte dos muros e da canalização que abasteceria o edifício com a água da ribeira de Eiras e a existência diversos vestígios espalhados na área envolvente







Mação
Ponte Romana? da Ladeira d´El-Rei

Estado de conservação: pedonal - requalificada recentemente
Construção: séc. I a.C./ séc. I d.C.
Via romana: Alvega a Salamanca
Acesso: Mação
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Mação
Ponte Romana? da ribeira de Eiras (Ribra de Paia Fome)

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Construção: séc. I a.C./ séc. I d.C.
Via romana: Alvega a Salamanca
Acesso: Mação/Envendos (EN 3)
Classificação: Imóvel de Interesse Municipal

Mação
Ponte Romana? do Coadouro sobre o rio Frio

Estado de conservação: aberta à circulação
Via romana: Conimbriga a Alvega/Aramenha (Ammaia)/Idanha-a-Velha
Acesso: Mação/Abrantes (EN 3)

Vale da Mua
Ponte Romana? da ribeira do Carvoeiro
Estado de conservação: 
Via romana: Alvega a Salamanca
Acesso: Vale da Mua

Portela de Colos (Cardigos)
Ponte Romana-Medieval dos Três Concelhos

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Construção: séc. I a.C./ séc. I d.C.
Via romana: Conimbriga a Alvega/Aramenha (Ammaia)/Idanha-a-Velha e  
Tomar a Oleiros por Vila de Rei
Acesso: Cardigos (IC 8)/Portela de Colos seguir placa de sinalização
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Alferrarede (Abrantes)
Ponte Represa-Romana? de Alferrarede
Estado de conservação: falta reconhecer o local
Construção: séc. I d.C./ séc. IV d.C.
Via romana: Conimbriga a Alvega/Aramenha (Ammaia)/Idanha-a-Velha
Acesso: Olho-de-Boi, saída 10 (A 23) Alferrarede/Sardoal
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Mouriscas (Abrantes)
Inscrições Romanas (3)

Local: interior da Igreja Matriz no corredor do lado direito