domingo, 30 de novembro de 2014

IMAGENS da LVSITÂNIA - Distrito de Évora


O património arqueológico e histórico da antiga província romana da LVSITANIA é rico e diverso, e está espalhado por todo o território. Apesar de não termos grandes espaços monumentais, posso garantir que vestígios do nosso passado não nos faltam e que estão por aí, bem debaixo dos nossos pés. Consegui fazer-vos sentir pequenos nesta grande história? Óptimo, a ideia era essa. 

Agora viagem comigo por ela, com o maior conjunto de dólmens e menires de toda a Península Ibérica, especialmente nos distritos de Évora (referenciados 150 monumentos megalíticos) e de Portalegre, com o Cromeleque dos Almendres (um dos mais relevantes monumentos do género na Europa) e Anta do Zambujeiro (maior dólmen de Portugal) em Évora,  obviamente, não ficará também indiferente aos muitos castelos e fortificações, mais ou menos preservados, e por vestígios de diferentes civilizações e culturas, nomeadamente, num recuo à época dos Imperadores e das Legiões a um passado com dois mil anos, será uma viagem no tempo marcada pela natureza e pelo património pelo Alto Alentejo.

A rede de estradas disseminada por todo o Império foi essencial para a deslocação no apoio militar rápido às legiões romanas na atuação de combate em qualquer ponto de conflitualidade, ao mesmo tempo, demonstrando que uma boa rede viária pode incrementar o desenvolvimento económico-administrativo e social de toda uma região. Estas infraestruturas se ainda persistem ficam muito a dever ao facto da sua técnica inovadora de preparação e construção do terreno, de tal modo que, dois mil anos depois, ainda resistem à evolução dos tempos continuando a fazer parte do nosso quotidiano, na beleza paisagística dos nossos Parques Naturais, por vezes, de acessos difíceis despertando mais o nosso espírito de aventura e redescoberta com ausência de sinalética adequada, contudo, será sempre aliciante o contato com as nossas gentes simples e humildes mas possuidoras dum património único e histórico.

Um outro aspecto a ter em linha de conta é o facto de que na grande maioria dos casos, as pontes “antigas” ou “velhas” são conhecidas como romanas, contudo, os nossos investigadores na sua classificação diferenciaram-nas designando-as de outra forma; as “pontes romanas” são pontes com nítidos indícios romanos, as “pontes romano-medievais” quando em presença materiais romanos reutilizados em posteriores reconstruções na Idade Média e Idade Moderna e, as restantes apesar da ausência de vestígios romanos na sua construção encontram-se no alinhamento de comprovados itinerários romanos sendo possível admitir a existência duma ponte anterior, neste caso, “pontes romana?-medievais”.


Évora (EBORA)


Évora é como um mil-folhas: camada a camada, a cidade foi-se formando, desde há mais de dois milénios, que gentes decidiram ocupar esta região para dela fazer o seu lar, a sua vida. Os vestígios que hoje em dia sobressaem são relativos a monumentos megalíticos, à grande conquista Romana, até à conquista Muçulmana, à reconquista do território pelos cristãos e formação do Reino, alcançando a sua época dourada durante o séc. XV quando se tornou residência dos Reis de Portugal, até aos dias de hoje, tudo se torna claro neste emaranhado: uma cidade rica, carregada de história por descobrir. O centro histórico é Património da Humanidade pela UNESCO desde 1986.

Comecemos então a nossa viagem pela grande Praça Pública (Forum e Templo), bem no centro da cidade, estendendo-se do limite sul do Jardim até à Sé e do Palácio da Inquisição até ao Palácio do Cadaval. Era dos mais importantes espaços públicos da cidade romana de Ebora Liberalitas Iulia, local de encontro da população, das decisões e onde se afixavam editais públicos ou eram lidos, em voz alta, os decretos emanados do senado, em Roma, este modelo foi adoptado a partir de início do século I d.C., data provável da sua construção. No local do fórum também é construído um santuário dedicado ao culto imperial, símbolo da coesão do império, centrado num Templo e pórticos monumentais, hoje está mais consensualmente aceite que tenha sido dedicado à deusa romana da caça “Diana”.



As ruínas do complexo termal, construídas entre os séculos II d.C./III d.C., no interior da Câmara Municipal, na Praça de Sertório, foram as termas públicas, desempenhando um papel importante na vida da população, no trato da higiene pessoal, como local de convívio e de negócio.



Com a instabilidade do império a partir do séc. III d.C., obrigou à construção da muralha defensiva de que alguns vestígios ainda subsistem, o Arco Romano D. Isabel, no entroncamento da rua Menino Jesus com a rua D. Isabel, da antiga Porta na muralha romana, entre outras que existiam, a Porta do Raimundo, Porta do Machede e Porta da Lagoa.

Arco Romano D. Isabel - antiga Porta da Muralha Romana
Porta do Raimundo - antiga porta da cidade
Muito provavelmente estaremos na presença de fortes indícios de anterior aqueduto romano em resultado das últimas sondagens arqueológicas preliminares realizadas, permitindo encontrar numa sapata aonde assenta o actual materiais diferentes de construção relativamente ao actual, Aqueduto Quinhentista da Água de Prata, que será alvo de estudos científicos


Marco Miliário, dedicado ao imperador Maximino e Máximo

Local: interior das instalações das Estradas de Portugal
Acesso: circular de Évora (rotunda da Opel) contornar rotunda à direita e seguir placa indicativa Estradas de Portugal (rua Aníbal Tavares)

Ponte Antiga do Xarrama
Estado de conservação: falta reconhecer o local
Acesso: Évora (EN254), imediações ao aeródromo de Évora

Tourega (Évora)

Villa Romana de Tourega ou das Martas 

No sentido de Alcáçovas, a cerca de 12 km de Évora, as ruínas de uma villa romana, a data da ocupação entre séc. I d.C./séc. IV d.C., foi um importante estabelecimento rural na economia na região pela localização limítrofe a Évora e apoio à via imperial que por aqui passava.

Vista do Edifício Termal 
Como na generalidade das villas romanas, era constituída pela área residêncial do proprietário (pars urbana), dos seus trabalhadores (pars rustica), pars frumentaria (celeiros, estábulos, lagares de azeite) e edifício termal destinado a banhos privativos pois os banhos romanos sempre estiveram associados à cultura romana: para onde quer que os romanos fossem, os banhos iam com eles, não se limitava a lavagem do corpo, embora o asseio fosse o objectivo, mas uma mistura de diversas e diferentes actividades: libertar suor, exercício, sauna, natação, banhos de sol, jogos com bola, ser “raspado” e esfregado.


A nossa viagem incide somente ao edifício termal por um corredor que nos leva a um edifício com duas áreas aquecidas pressupondo-se tratar de um edifício dotado com termas duplas, para homens e mulheres, na sala do frigidarium com natatio (piscina) para banhos frios, e salas tepidarium e caldarium para banhos quentes aquecido por um sistema de aquecimento assente sobre “suspensurae (arcos) do “hypocaustrum” (aquecimento subterrâneo) sob os quais circulava o ar quente produzido proveniente das “praefurnia” e, sobre as mesmas eram colocadas as caldeiras, geralmente de bronze, a partir das quais a água quente era conduzida às piscinas de água quente por canalizações em chumbo, ainda no mesmo local as estruturas de outro edifício de dimensões mais amplas que serviria para o armazenamento de água.






A villa romana de Tourega, encontra-se aberta ao público sendo para isso necessário solicitar as chaves de acesso na casa junto da igreja, está classificada como Imóvel de Interesse Público.

Acesso: Évora/Alcáçovas (EN380) em Tourega por caminho de terra batida cerca de 800 metros, situa-se nas traseiras de cemitério

S. Brás do Regedouro 
Ponte Romana?-Medieval de Alcalainha

Estado de conservação: rural – vestígios de calçada romana original
Via romana: itinerário XII Lisboa-Alcácer do Sal-Évora-Mérida
Acesso: S. Brás de Regedouro (EN380) no cruzamento para a povoação, por caminho de terra batida, cerca de 3km

Valverde (Évora)
Miliário Anepígrafo


Local: cruzamento anterior à Anta do Zambujeiro por caminho à esquerda, cerca de 200 metros
Acesso: Évora/Alcáçovas (EN380) a Valverde (CM1079)

Nossa Senhora da Boa Fé (Évora)
Ponte Antiga do Lagar da Boa Fé

Estado de conservação: rural
Acesso: Évora/Santiago do Escoural (EN370) a Boa Fé ponte está sinalizada no interior da povoação

S. Brissos (Évora)
Miliário Anepígrafo


Local: Igreja Paroquial numa da extrema da igreja
Acesso: Évora/Santiago do Escoural (EN370) a S. Brissos (CM1079-1)


Nossa Senhora d´Aires (Viana do Alentejo)

A data da fundação da primitiva ermida que deu origem ao actual santuário perdeu-se na história. Perante tal facto, surgem duas teses esgrimindo cada uma delas seus argumentos: a primeira, atribuindo a sua fundação à Ordem do Templo, sustentada pela presença da Cruz de Cristo na capela-mor, a segunda, que através duma inscrição em latim, atribui a sua fundação ao lavrador Martim Vaqueira, que por voto, terá ordenado a construção na sua Herdade de Paredes. Esta Herdade de paredes está num outro debate histórico, uma vez que alguns estudiosos põem a hipótese que também este espaço religioso, nomeadamente a designação de Aires, terá emanado da hipotética existência da cidade romana de Ares, que a existir, teria existido no espaço desta herdade. Deste modo, o nome de Senhora D`Aires terá evoluído ao longo dos tempos, desde senhora de Ares até à sua forma actual. O Santuário de Nossa Senhora D`Aires é Monumento Nacional desde 2012.



No adro do santuário estão inseridas duas inscrições funerárias Duas Aras (inscrições funerárias)

Epitáfio de Letoides



Epitáfio de Euprepria


Nossa Senhora de Machede
Miliário
Local: saída da Ponte
Acesso: saída Évora (EN254) a Nossa Senhora de Machede (EM526)

Monsaraz
Miliário
Local: Ermida Santa Catarina, serve de pilar de suporte ao Altar-Mor
Acesso: Monsaraz


Santa Vitória do Ameixial (Estremoz)

Villa Romana de Sta Vitória do Ameixial

A cronologia da villa terá sido ocupada a partir séc. I d.C., como é documentado pelo aparecimento de uma moeda de Nero mas a ocupação foi durante os finais do séc. III d.C. a início do séc. IV d.C.


A área da villa romana engloba uma pars rustica (instalações destinadas aos servos e escravos que trabalhavam a terra), uma pars frumentaria (lagares de vinho e azeite, celeiro e armazéns diversos), situar-se-iam na base da elevação a norte, e uma pars urbana (área residencial dos proprietários), com um peristylium central com salas e corredores pavimentados a mosaicos, em torno desse peristilo, incluindo a cozinha e compartimentos de apoio, e uma rede de saneamento e circulação de águas. Esta área da villa estendia-se ao longo de toda a elevação, descendo para oeste encontrando-se grande parte sob a povoação.

O sítio arqueológico é Monumento Nacional, encontra-se protegido e encerrado ao público.
Acesso: Santa Vitória do Ameixial (EN245) está sinalizada à entrada da povoação

Évoramonte
Miliário dedicado a Crispo, Licínio Júnior e Constantino II

Tratando-se de uma visita ao interior da igreja, pelo facto, de que na maioria das igrejas e capelas deste país encontram-se encerradas teremos de ter algum cuidado aquando da deslocação a este local

Local: Igreja Matriz de Stª Maria (assenta a pia baptismal)
Acesso: Évoramonte (EN18)


Estremoz

Museu Municipal de Estremoz Prof. Joaquim Vermelho

Colunas em mármore (séc. III/IV d.C.)

Capitel (séc. III/IV d.C.)

Santana do Campo (Arraiolos)

Templo Romano




Outros vestígios romanos junto à Igreja
Local: Igreja Paroquial de Santa Ana – Monumento Nacional
Acesso: Arraiolos (EN370), desvio a Santana do Campo

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

IMAGENS da LVSITÂNIA - Distrito de Santarém


O património arqueológico e histórico da antiga província romana da LVSITANIA é rico e diverso, e está espalhado por todo o território. Apesar de não termos grandes espaços monumentais, posso garantir que vestígios do nosso passado não nos faltam e que estão por aí, bem debaixo dos nossos pés. Consegui fazer-vos sentir pequenos nesta grande história? Óptimo, a ideia era essa. Agora viagem comigo por ela.

Como é sobejamente reconhecido os romanos notabilizaram-se sem margem para qualquer dúvida, acima de tudo, pela sua capacidade de realização de grandes obras de engenharia, construção e edificação de sofisticadas infraestruturas; aquedutos, estradas e pontes.

A rede de estradas disseminada por todo o Império foi essencial para a deslocação e apoio militar rápido às legiões romanas na atuação de combate em qualquer ponto de conflitualidade, ao mesmo tempo, demonstrando que uma boa rede viária pode incrementar o desenvolvimento económico-administrativo e social de toda uma região. Estas infraestruturas se ainda persistem ficam muito a dever ao facto da sua técnica inovadora de preparação e construção do terreno, de tal modo que, dois mil anos depois, ainda resistem à evolução dos tempos continuando a fazer parte do nosso quotidiano, na beleza paisagística dos nossos Parques Naturais, por vezes, de acessos difíceis despertando mais o nosso espírito de aventura e redescoberta com ausência de sinalética adequada, contudo, será sempre aliciante o contato com as nossas gentes simples e humildes mas possuidoras dum património único e histórico.

Deste modo, as vias romanas ainda persistindo com calçada visível que percorri com grau de exigência e dimensão moderada com apoio de equipamento para caminhada

·        Calçada do Casal Salgueiro (Paialvo/Tomar)
·        Calçada do Bom Amor (Casal Quebrada/Torres Novas)
·        Calçada Romana
·        Calçada Romana

Relativamente às vias romanas com calçada visível de pequena dimensão, por vezes, inseridas na área do perímetro das povoações

·        Calçada em Alqueidão da Serra (Porto de Mós)
·        Calçada da Mulher Morta (Ourém)
·        Calçada Romana
·        Calçada Romana

Na grande maioria dos casos, as pontes “antigas” ou “velhas” são conhecidas como romanas, contudo, os nossos investigadores na sua classificação diferenciaram-nas designando-as de outra forma; as “pontes romanas” são pontes com nítidos indícios romanos, as “pontes romano-medievais” quando em presença materiais romanos reutilizados em posteriores reconstruções na Idade Média e Idade Moderna e, as restantes apesar da ausência de vestígios romanos na sua construção encontram-se no alinhamento de comprovados itinerários romanos sendo possível admitir a existência duma ponte anterior, neste caso, “pontes romana?-medievais”.

As pontes romanas ainda abertas à circulação, encerradas ou requalificadas 

·        Ponte Romana dos Três Concelhos (Colos/Cardigos)
·        Ponte Romana de Muge 
·        Ponte Romana-Medieval de Alcanede 
·        Ponte Romana da Ladeira d´El-Rei (Mação)
·        Ponte Romana de S. Sebastião (Atouguia/Ourém)
·        Ponte Romana do Carril (Serra/Tomar)
·        Ponte Romana da Ribeira d´Eiras (Mação)
·        Ponte Romana

Outras estão irremediavelmente abandonadas ou em ruínas, sendo nosso património deveriam merecer a atenção da parte de quem de direito quanto à sua conservação e preservação

·        Ponte Romana da Póvoa (Tomar)
·        Ponte Romana da Valada (Seiça/Ourém)
·        Ponte Romana 


Santarém (SCALLABIS)


Os registos da cidade de Santarém remontam ao séc. VIII a.c., a conquista desta região pelos romanos inicia-se, em 138 a.c., na campanha militar do cônsul Décimo Júnio Bruto Galaico estabelecendo um acampamento militar em Móron, próximo a Santarém, denominando-a Scallabis, em 90 a.c., Júlio César manteve uma guarnição militar permanente, altura em que o aglomerado deve ter sido fortificado, em 61 a.c., neste período da dominação romana foi baptizada por Praesidium Iulium, mas durante a dinastia de Augusto, assume um papel importante no plano administrativo com a obtenção para fins judiciais, a designação de “Conventus Escalabitanus”, e mantendo o entreposto comercial por via marítima e terrestre com outras províncias do império e da bacia do Mediterrâneo.

Nos dias de hoje, a cidade de Scallabis estaria na Alcáçova de Santarém, ocupando os Jardins da Porta do Sol. As intervenções arqueológicas que ocorreram resultantes dos projetos de reabilitação e recuperação deste espaço permitiram a criação do Centro de InterpretaçãoUrbi Scallabis” onde está patente todo o espólio descoberto, e das obras na Casa de Alcáçova puseram a descoberto, no pátio, o podium do Templo Romano, datado dos finais do séc. I a.c., de planta quadrangular mas a construção de uma cisterna, o pavimento original do centro do podium, foi removido, boa parte das pedras aparelhadas do Templo estão dispersas em fachadas de edifícios medievais e modernos. No centro histórico é ainda percetível notar o traçado perpendicular das duas artérias principais (cardus maximus e decumanus maximus) além das vias secundárias retilíneas no Bairro do Pereiro.


Muge
Ponte Romana? de Muge 

Estado de conservação: pedonal - requalificada recentemente
Via romana: itinerário XIV Lisboa-Alter do Chão-Mérida
Acesso: Muge (EN114), junto ao Palácio dos Duques do Cadaval
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Coruche
Ponte “Romana” da Coroa 

Estado de conservação: pedonal
Via romana: Santarém a Évora
Acesso: Coruche (EN114-3), à esquerda na segunda ponte junto de habitação
Classificação: Imóvel de Interesse Municipal


Torres Novas

Villa Romana de Cardillio


A villa romana de Cardílio era uma villa agrícola, composta por 22 divisões, e a denominação deve-se a inscrições que refere o nome de “Cardilium”, proprietário que a mandou erigir para residência de família. As diversas campanhas arqueológicas revelaram alterações substanciais na planta da casa, entre os séc.I d.c. e séc.IV d.c., trazendo igualmente à luz do dia um significativo complexo de termas privadas a sudoeste da habitação. 




A entrada principal seria a poente do claustro, pavimentada em mosaicos de tesselas, constituído por vários painéis distribuídos pelos diversos quartos de cores vivas e motivos geométricos, predominando as tranças e os entrelaçados, aves de grupos opostos e os retratos dos proprietários da villa com motivos agrícolas, num dos quais, a meio da segunda fila, a inscrição:


 Inscrição

“VIVENTES CARDILIUM
ET AVITAM FELIZ TURRE”

 Tradução

CARDÍLIO E AVITA
SEJAM FELIZES VILLA DA TORRE



Noutro painel, na fila imediatamente abaixo, e descentrado para a esquerda, busto de CARDILLIO, de cabelo curto e ombro direito nu, com pregas na toga de púrpura, presa por fíbula, e o de AVITA, de cabeleira de vidros azuis-claros e tesselas azuis-escuros, e com veste que deixa desnudado o ombro direito.


Em terceiro painel, bem emoldurado, um grupo de quatro aves com flores pendentes nos bicos, postas duas a duas, em sentidos diametralmente opostos, no entanto, esta figuração humana poderá ser uma alegoria relacionada com as estações do ano, neste caso, com o Outono e o Inverno.

O peristilium elemento central da villa permitia a entrada de luz natural e arejamento da casa, tinha um jardim interior embelezado com inúmeras plantas, uma fonte e diversas esculturas. Denotam-se vestígios de doze colunas, quatro de cada lado, formando um claustro, pavimentado por seis tapetes de mosaicos. Ao centro, um quadrado que seria um jardim com um poço revestido de alvenaria, de cerca de sete metros de profundidade, no extremo sul. No jardim ainda podemos ver uma conduta e ruínas de paredes de construção anterior e uma calha ao longo dos quatros lados do quadrado. 

A entrada principal seria a poente do claustro, pavimentada por mosaicos de tesselas. Este mosaico é constituído por vários painéis, num dos quais, colocado a meio da segunda fila, inscrição atrás referida. Noutro painel, na fila imediatamente abaixo, e descentrado para a esquerda, busto de CARDILLIO, de cabelo curto e ombro direito nu, com pregas na toga de púrpura, presa por fíbula, e o de AVITA, de cabeleira de vidros azuis-claros e tesselas azuis-escuros, e com veste que deixa desnudado o ombro direito. Em terceiro painel, bem emoldurado, um grupo de quatro aves com flores pendentes nos bicos, postas duas a duas, em sentidos diametralmente opostos.




A exedra, precedida de pórtico com quatro colunas de frente e duas laterais, as bases que se conheceram de três de colunas eram em mármore das quais só uma ainda existe.

A nordeste do peristilo descortinamos um “tanque”, ladeado por colunas de tijolo, em três das suas quatro faces, a “latrina”, compartimento equipado com um banco de alvenaria, eventualmente, de mármore com orifícios ovoides, semelhantes aos atuais assentos sanitários sob este banco corria permanentemente água, proveniente da cloaca, e muito perto o edifício termal


Falta entretanto dar o relevo ao, ex-libris da villa, o magnífico estado de conservação e preservação do sistema de aquecimento central (hipocaustro) das “praefurnia” em arcaria de tijolo, através do qual o ar quente produzido circularia pelos arcos e pelas paredes duplas dos quartos com canalizações em chumbo permitindo o aquecimento e sobre as praefurnia eram normalmente colocadas caldeiras, geralmente de bronze, a partir das quais a água quente em canalizações de chumbo era conduzida às salas dos banhos quentes ao tepidarium e ao caldarium.


Toda a visita à villa romana é acompanhada por um guia após uma apresentação prévia. Situa-se no perímetro urbano de Torres Novas, saída da (A23), é Monumento Nacional

Museu Municipal Carlos Reis

No Museu Municipal Carlos Reis está patente todo o espólio das escavações da villa Cardílio, nomeadamente, moedas dos séculos II, III e IV d.c., vidros assírios e egípcios gravados e estuques coloridos, cerâmicas dos séculos I e II d.c., supondo-se produção de Valerius Paternus que as criava em Mérida e a estátua de Eros, datada séc. I d.c., revelando-se como uma das mais importantes peças encontradas.


Calçada Romana Bom Amor (Casal Quebrada)

Estado de conservação: vestígios da calçada nas bermas
Via romana: itinerário XVI Braga a Lisboa
Acesso: Torres Novas, na Fonte do Bom Amor seguir pela esquerda até habitações, a partir daqui por caminho de terra batida descendo à ribeira passando pela Quinta Marquês (Gateiras)


Alcorochel
Ponte Romana?  

Estado de conservação: rural – vestígios de calçada
Via romana: itinerário XVI Braga a Lisboa
Acesso: Alcorochel, pela rua da Garcia, Largo do Poço Novo e rua da Ribeira, segue por caminho de terra batida


Tomar (SEILIUM)

Após a ocupação definitiva da Hispânia, o imperador Augusto reorganiza-a política e administrativamente, criando-se novos núcleos urbanos e adaptando-se outros já existentes, construindo-se vias de comunicação e desenvolvendo-se as preexistentes, quer terrestres quer fluviais. Seilium, identificada com a atual cidade de Tomar, estava integrada numa das três províncias da Hispânia, a Lusitânia, entre 16-13 a.c., seria uma das 34 civitates stipendiariae e estaria sob a alçada judicial do conventus Scallabitanus, com sede em Scallabis (Santarém), no reinado de Vespasiano (69-79 d.c.). Durante a governação dos Flávios ascende à categoria de “municipium” comprovada pela inscrição “genius municipii” podendo ser vista no exterior da base do lado poente da Torre de Menagem do Castelo Templário e o busto do imperador Augusto, no Claustro da Lavagem do Convento de Cristo. 




A cidade romana situava-se na margem esquerda do rio Nabão, ocuparia uma área circunscrita à rua da Carrasqueira, rua Manuel de Matos, rua Sta Iria e rua Carlos Campeão. Na rua Carlos Campeão, foi identificado vestígio de Templo e fórum (séc. I d.c.). Conservam-se ainda na área do fórum, os alicerces da Praça Pública, da Basílica (Tribunal), da Curia (reunião do Conselho) e vestígios de tavernae (lojas) abertas para a praça pública. A Basílica e a Curia, ocupavam o lado sul da praça pública. Nas imediações do fórum estão identificados vestígios dum edifício de utilidade pública, provavelmente, um mercado “Macellum” e os alicerces de duas insulae (prédios de rendimento), a norte e a nordeste, na Alameda Um de Março e Avenida Norton de Matos.  




Toda a área circundante da Alameda Um de Março e Avenida Norton de Matos, e as ruas circunscritas: Rua Carlos Campeão, Rua Amorim Rosa, encontram-se classificadas como Imóvel de Interesse Público

Paialvo
Calçada Romana Casal Salgueiro

Estado de conservação: vestígios restando somente o caminho
Via romana: itinerário XVI Braga a Lisboa
Acesso: Paialvo (EM558), pela rua da Escola, passando a via férrea, ao Centro de Dia e rua Via Romana por caminho de terra batida 


Vila Nova de Paialvo
Ponte "Romana" da Pedra

Estado de conservação: rural – com vestígios de calçada
Via romana: itinerário XVI Braga a Lisboa
Acesso: Lamarosa/Pé de Cão (EM539), passando zona fabril, à direita por caminho de terra batida ao lado da ribeira


Póvoa
Ponte Romana? da Póvoa 

Estado de conservação: em ruínas
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Caxarias
Acesso: Tomar/Póvoa (EM526), pela Estrada do Prado, na povoação, rua da Ponte Romana (frente a Escola Primária)

parte do percurso em caminho de terra batida 


Carvalhal/Fervenças
Ponte Romana? da Azenha do Curto

Estado de conservação: rural
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Caxarias
Acesso: da Póvoa a Vale Venteiro, cortar a Carvalhal/Fervenças, passando Fervenças na curva à direita, segue à ponte romana no açude e Azenha do Curto

Junceira/Carril (Tomar)
Ponte Romana? 

Estado de conservação: pedonal - enquadrada em parque de merendas
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha, Mouriscas - Rio Tejo pela “Estrada da Serra”
Acesso: Tomar/Serra (EM 531) seguir placa indicativa de Instituto Politécnico passar debaixo da A13 seguir sinalização de ponte romana, junto à barragem do Carril

Carregueiros (Tomar)
Calçada Romana de Valinhos
Estado de conservação: falta reconhecer o local
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Caxarias
Acesso: Carregueiros (IC9/EN 113)


Ourém

Atalaia Romana no morro do castelo na Porta de Santarém

Calçada Romana da Mulher Morta

Estado de conservação: bom estado
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Ourém
Acesso: Castelo de Ourém (centro histórico)

Atouguia
Ponte Romana? de S. Sebastião 

Estado de conservação: aberta à circulação
Construção: séc. II d.c. e séc. III d.c.
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Ourém
Acesso: Atouguia/S.Sebastião, na placa indicativa para Atouguia, por rua a 20 metros mais à frente à direita

Valada
Ponte Romana? da Valada

Estado de conservação: necessita intervenção
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Caxarias
Acesso: Valada (EN113), seguindo as ruas Penha de França e do Canto, passando uma primeira ponte, por caminho de terra batida pela direita, ponte a 200 metros

Agroal/Porto Velho (Ourém)
Calçada Romana
Estado de conservação: falta reconhecer o local
Via romana:
Acesso: Agroal


Rio Maior


Villa Romana de Rio Maior I

Acesso: Rio Maior - para visitas será através da Galeria Municipal – Casa Senhorial d´El Rei D. Miguel 243 907 424

Casais da Igreja (Rio Maior)
Forno Romano

Local: Casais da Igreja (EN 114)

Alcanede
Ponte Romana?-Medieval de Alcanede

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Construção: séc. III d.c.
Via romana: Leiria a Santarém, variante por Porto de Mós
Acesso: Alcanede (EN361), pela rua da Ponte Romana
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Alqueidão da Serra (Porto de Mós)
Calçada Romana

Estado de conservação: bom estado
Via romana: Leiria a Santarém
Acesso: Alqueidão da Serra, seguir sinalização na povoação, inicia-se junto a parque de merendas
Classificação: Imóvel de Interesse Público


Ortiga

Estação Arqueológica de Vale de Junco

A estação arqueológica de Vale de Junco, situa-se na freguesia de Ortiga, concelho de Mação, na transversal à Rua dos Mouros e sinalizada junto a posto de abastecimento passando a última habitação do lado esquerdo no início da descida em caminho de terra batida (200 metros) em encosta privilegiada com vista para o rio Tejo - acesso livre, ao abandono total.

Seria uma villa romana agrícola, de apoio à via romana Alvega a Salamanca que perto passaria. Da villa resta parte do complexo termal, devido ao seu estado de ruínas ainda é possível ter-se a perceção da entrada do edifício, o atrium ladeado pelo apodyterium (vestiário), a sala destinada aos banhos frios frigidarium, a natatio (piscina), no interior do tanque consegue-se ver parte do revestimento, e a sala destinada aos banhos quentes o tepidarium e o caldarium. Distingue-se ainda, parte dos muros e da canalização que abasteceria o edifício com a água da ribeira de Eiras e a existência diversos vestígios espalhados na área envolvente







Mação
Ponte Romana? da Ladeira d´El-Rei

Estado de conservação: pedonal - requalificada recentemente
Construção: séc. I a.c./ séc. I d.c.
Via romana: Alvega a Salamanca
Acesso: Mação
Classificação: Imóvel de Interesse Público


Mação
Ponte Romana? da ribeira de Eiras (Ribra de Paia Fome)

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Construção: séc. I a.c./ séc. I d.c.
Via romana: Alvega a Salamanca
Acesso: Mação/Envendos (EN 3)
Classificação: Imóvel de Interesse Municipal

Mação
Ponte Romana? do Coadouro sobre o rio Frio

Estado de conservação: aberta à circulação
Via romana: Conimbriga a Alvega/Aramenha (Ammaia)/Idanha-a-Velha
Acesso: Mação/Abrantes (EN 3)

Vale da Mua
Ponte Romana? da ribeira do Carvoeiro
Estado de conservação: falta reconhecer o local
Via romana: Alvega a Salamanca
Acesso: Vale da Mua

Portela de Colos (Cardigos)
Ponte Romana-Medieval dos Três Concelhos

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Construção: séc. I a.c./ séc. I d.c.
Via romana: Conimbriga a Alvega/Aramenha (Ammaia)/Idanha-a-Velha e  
Tomar a Oleiros por Vila de Rei
Acesso: Cardigos (IC 8)/Portela de Colos seguir placa de sinalização
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Alferrarede (Abrantes)
Ponte Represa-Romana? de Alferrarede
Estado de conservação: falta reconhecer o local
Construção: séc. I d.c./ séc. IV d.c.
Via romana: Conimbriga a Alvega/Aramenha (Ammaia)/Idanha-a-Velha
Acesso: Olho-de-Boi, saída 10 (A 23) Alferrarede/Sardoal
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Mouriscas (Abrantes)
Inscrições Romanas (3)

Local: interior da Igreja Matriz no corredor do lado direito