domingo, 30 de novembro de 2014

DISTRITO DE ÉVORA

O património arqueológico histórico-cultural da antiga província da LVSITANIA na parte que corresponde ao território de Portugal que chegou aos nossos dias é bastante diversificado, apesar de não existirem grandes espaços monumentais posso garantir que vestígios não nos faltam, encontram-se é dispersos um por pouco por todo o lado e bem debaixo dos nossos pés, pontes e vias romanas, cidades e villas que outrora fervilharam vida. Motivo mais do que suficiente para nos sentirmos pequenos nesta história? Óptimo, a ideia era essa. Agora embarquemos nesta viagem nos trilhos dos romanos pelo Alto Alentejo no distrito de Évora.

A cidade Évora é como um mil-folhas, camada a camada, foi-se formando desde há mais de dois milénios que gentes decidiram ocupar esta região para dela fazer o seu lar e a sua vida. Tem muitos sítios arqueológicos desde o Neolítico à Idade do Ferro no maior universo megalítico de toda a Península Ibérica, o Cromeleque dos Almendres (dos mais relevantes monumentos do género na Europa), o Menir dos Almendres e a Anta do Zambujeiro (o maior dólmen em Portugal), às grandes conquistas Romana e Muçulmana, à reconquista do território pelos cristãos e formação do Reino alcançando a época dourada durante o século XV quando se tornou residência dos Reis de Portugal até aos dias de hoje, tudo se torna claro neste emaranhado: uma cidade rica carregada de história a descobrir e um centro histórico como Património da Humanidade pela UNESCO.


A romana cidade de Ebora (Évora) é elevada a municipium sob o nome de Ebora Liberalitas Iulia, em homenagem a Júlio César. Na dinastia do imperador Augusto, entre (27-14 d.C.) ao ser integrada na província da Lusitânia e nas seguintes dinastias imperiais dos Flávios (69-96 d.C.) nos reinados de Vespasiano e seus dois filhos Tito e Domiciano pôde beneficiar de uma série de transformações urbanísticas, provavelmente, com as construções do fórum e praça pública, do templo do fórum dedicado ao culto imperial e do edifício termal, como em tantas outras cidades da Lusitânia, em que, o templo do antigo fórum, o Templo de Diana, é o vestígio mais importante que sobreviveu até aos nossos dias, assim como as ruínas do edifício termal, construídas entre os séculos II e III, no interior da Câmara Municipal, na Praça de Sertório, estas terão sido as termas públicas da cidade. Compõem-se de uma sala circular e abóbada – laconicum, com revestimento a mármore, para banhos quentes e vapor, no centro encontrava-se um grande tanque, com três degraus, rodeado por um sistema de aquecimento, o hipocaustum, e pelas fornalhas, a praefurnia, onde se queimaria a lenha, sendo o sistema central de aquecimento de água às salas de banho aquecidas. A natatio, a piscina rectangular ao ar livre não está acessível aos visitantes.




Não muito tempo após a fundação da cidade, no âmbito de um plano de desenvolvimento urbanístico e de afirmação imperial, na dinastia imperial de Augusto foi construído, na primeira metade do século I d.C., um Templo como elemento central do fórum e da praça pública, que se estendia do limite sul do jardim até à Sé e do Palácio da Inquisição até ao Palácio do Cadaval, a praça seria o centro de qualquer cidade romana e local de encontro da população, das decisões a tomar, onde se afixavam editais públicos ou eram lidos, em voz alta, as decisões emanadas do senado, em Roma. 


O Templo como hoje o podemos observar é o único vestígio visível do fórum e a envolvê-lo existiria um tanque embelezando-o, criava um espelho de água. Durante muito tempo foi considerado como dedicado a Diana, é hoje mais consensualmente aceite que tenha sido dedicado a culto imperial. Desde a morte de Augusto os imperadores tentaram a sua permanência no poder pela assunção divina e o culto imperial tornou-se no principal meio de coesão do império, no local do fórum é construído um santuário dedicado ao culto imperial centrado num templo e de pórticos monumentais.




Finalmente, nas imediações do Convento São Bento de Cástris, por caminho de terra batida ao Aqueduto Quinhentista da Água de Prata, numa das sapatas assente em materiais diferentes de construção relativamente às actuais, tudo indica a presença de fortes indícios de anterior Aqueduto Romano, em resultado das últimas sondagens arqueológicas e alvo de estudos científicos. 


A instabilidade do império a partir do séc. III d.C., obrigou à construção de uma muralha defensiva em seu redor, da qual alguns elementos ainda subsistem, nomeadamente, o Arco Romano D. Isabel (antiga porta da muralha romana) no entroncamento da rua do Menino Jesus com a rua D. Isabel, entre outras, a Porta do Raimundo, Porta do Machede e Porta da Lagoa.



Miliário
, dedicado ao imperador Maximino (235-238) e Máximo (383-388), na entrada do edifício das Estradas de Portugal (Circular de Évora – Rua Aníbal Tavares).



Rota I
Évora – Tourega – S. Brás do Regedouro – Valverde – Nossa Sra da Boa Fé

Tourega (Évora)

Villa Romana de Tourega ou das Martas

As villas romanas tinham uma área residêncial (pars urbana), do proprietário e sua família, uma área afecta aos criados, a pars rustica, outra destinada às instalações de transformação dos produtos da terra e armazenagem (celeiros, estábulos, lagares de vinho e azeite), a pars frumentaria, e um complexo termal.

Os banhos romanos sempre estiveram associados à cultura romana, para onde quer que os romanos fossem, os banhos iam também e não se limitavam à lavagem do corpo embora o asseio fosse o objectivo, incluindo uma mistura de diversas e diferentes actividades: libertar suor, o exercício, a sauna, a natação, os banhos de sol, os jogos com bola e ser “raspado” e esfregado, em banhos privativos, nalguns casos, separados por sexos.

Vista do Edifício Termal 


A data de ocupação foi entre o séc. I d.C./séc. IV d.C., e um importante estabelecimento rural na economia na região pela sua localização limítrofe a Évora e no apoio à via imperial de Olisipo (actual Lisboa) a Emerita Augusta (Mérida).

A visita incide no edifício termal, a entrada fazia-se por um corredor que nos conduz a um edifício com duas áreas aquecidas pressupondo-se tratar de um edifício dotado com termas duplas, para homens e mulheres, é possível observar a sala dos banhos frios, o frigidarium e uma natatio, e salas destinadas aos banhos quentes, o tepidarium e o caldarium, aquecidas através de um sistema de aquecimento, assente sobre suspensurae (arcos em tijoleira), o hypocaustum, sob os quais circulava o ar quente produzido proveniente das praefurnia (fornalhas) sobre as quais eram colocadas as caldeiras geralmente de bronze onde a água aquecida era conduzida através de canalizações em chumbo às salas dos banhos quentes, no mesmo local as estruturas de outro edifício de dimensões mais amplas que serviria de armazenamento de água.




Ficha Técnica
Local
Estrada nacional, Évora/Alcáçovas (EN380), em Tourega por caminho de terra batida cerca de 800 metros, situa-se nas traseiras de cemitério
Acesso
Aberta ao público, sendo para isso necessário solicitar as chaves na casa junto da igreja, entrada gratuita
Duração estimada da visita
45 minutos
Classificação
IMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO

S. Brás do Regedouro (Évora)
Ponte Romana?-Medieval de Alcalainha

Estado de conservação: rural – vestígios de calçada romana original
Via romana: itinerário XII Lisboa-Alcácer do Sal-Évora-Mérida
Acesso: S. Brás de Regedouro (EN380) no cruzamento para a povoação, caminho em frente de terra batida serão cerca de 3 km

Valverde (Évora)
Miliário da Mitra (Anepígrafo)


Ficha Técnica
Local
Valverde
Acesso
Caminho em terra batida até ao local, no cruzamento antes da Anta (à esquerda) a 200 metros
Distância percorrida
1 Km
Duração estimada da visita
10 minutos

Anta do Zambujeiro


Ficha Técnica
Local
Valverde – está sinalizado
Acesso
Caminho em terra batida até ao local
Distância percorrida
1,8 Kms
Duração estimada da visita
20 minutos
Classificação
MONUMENTO DE INTERESSE NACIONAL

Menir dos Almendres


Ficha Técnica
Local
Guadalupe – está sinalizado
Acesso
Caminho em terra batida até ao local a pé (200 metros)
Distância percorrida
7,0 Kms
Duração estimada da visita
35 minutos
Classificação
IMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO

Cromeleque dos Almendres


Ficha Técnica
Guadalupe, local sinalizado
Acesso
Caminho em terra batida até ao local
Distância percorrida
8,8 Kms
Duração da visita
30 minutos
Classificação
MONUMENTO NACIONAL

S. Brissos (Évora)
Miliário


Local: Igreja Paroquial numa da extrema da igreja
Acesso: saída Évora/Santiago do Escoural (EN370) a S. Brissos (CM1079-1)

Nossa Senhora da Boa Fé (Évora)
Ponte Antiga do Lagar da Boa Fé

Estado de conservação: rural
Acesso: saída Évora/Santiago do Escoural (EN370) a Boa Fé ponte está sinalizada no interior da povoação

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
54,0 kms
Duração recomendada
1 dia 

Rota II
Évora – Santuário de Nossa Senhora d´Aires 

Aguiar (Viana do Alentejo)

Anta de Aguiar



Ficha Técnica
Local
Aguiar – está sinalizada 
Distância percorrida
24,2 kms de Évora
Duração estimada da visita
15 minutos


Nossa Senhora d´Aires (Viana do Alentejo)

A data da fundação da primitiva ermida que deu origem ao actual santuário perdeu-se na história. Perante tal facto, surgem duas teses esgrimindo cada uma delas seus argumentos: a primeira, atribuindo a sua fundação à Ordem do Templo, sustentada pela presença da Cruz de Cristo na capela-mor, a segunda, que através duma inscrição em latim, atribui a sua fundação ao lavrador Martim Vaqueira, que por voto, terá ordenado a construção na sua Herdade de Paredes. Esta Herdade de paredes está num outro debate histórico, uma vez que alguns estudiosos põem a hipótese que também este espaço religioso, nomeadamente a designação de Aires, terá emanado da hipotética existência da cidade romana de Ares, que a existir, teria existido no espaço desta herdade. Deste modo, o nome de Senhora D`Aires terá evoluído ao longo dos tempos, desde senhora de Ares até à sua forma actual. O Santuário de Nossa Senhora D`Aires é Monumento Nacional desde 2012.


No adro do Santuário encontram-se duas Aras romanas (inscrições funerárias) a:

Epitáfio de Letoides



Epitáfio de Euprepria



Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
31,3 kms
Duração recomendada
1 dia

Rota III
Évora – Santana do Campo – Santa Vitória do Ameixial – Estremoz - Évoramonte

Santana do Campo (Arraiolos)
Templo Romano 




Ficha Técnica
Local
Igreja Paroquial de Santa Ana
Acesso
Arraiolos (EN370), direcção a Santana do Campo
Distância percorrida
7,8 Km
Duração estimada da visita
20 minutos
Classificação
MONUMENTO NACIONAL

Santa Vitória do Ameixial (Estremoz)


Villa Romana de Santa Vitória do Ameixial

A cronologia da villa terá sido construída entre finais do séc. I a.C. e inícios do séc. IV d.C.

Esta villa agrícola era constituída por diversas estruturas tradicionalmente presentes neste género de edificações, assim, além da imprescindível habitação do proprietário e família, a pars urbana, localizavam-se toda uma série de outras edificações destinadas aos criados, a pars rustica, e estruturas às actividades de transformação de produtos, a pars frumentaria (lagares de vinho e azeite, celeiro e armazéns diversos) na base da elevação norte, e claro, o edifício termal


Sabe-se que os trabalhos realizados puseram logo a descoberto parte das termas, a zona do frigidarium e o mosaico de Ulisses em exposição no Museu Nacional de Arqueologia, da casa do proprietário foi posto a descoberto, o peristylium o tanque central, ao seu redor, salas e quartos pavimentados a mosaicos, a cozinha e compartimentos de apoio, esta área da estendia-se ao longo de toda a elevação, descendo para oeste encontrando-se grande parte sob a povoação.

Ficha Técnica
Local
Santa Vitória do Ameixial (EN245), sinalizada à entrada da povoação
Acesso
Encerrada ao público
Duração da visita
10 minutos
Classificação
MONUMENTO NACIONAL

Évoramonte
Miliário dedicado a Crispo, Licínio Júnior e Constantino II

Tratando-se de uma visita ao interior da igreja, pelo facto, de que na maioria das igrejas e capelas deste país encontram-se encerradas teremos de ter algum cuidado aquando da deslocação a este local

Local: Igreja Matriz de Sta Maria – coincidir com a abertura da igreja a 15 de Agosto


em breve (imagens)


Estremoz

Museu Municipal de Estremoz Prof. Joaquim Vermelho


Capitel (séc. III/IV d.C.)
Ficha Técnica
Abertura e horário de funcionamento
Manhã:
Tarde:
Encerra:
Duração estimada da visita
1 hora

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
118,9 kms
Duração recomendada
1 dia








quinta-feira, 30 de outubro de 2014

DISTRITO DE SANTARÉM

O património arqueológico histórico-cultural da antiga província da LVSITANIA na parte que corresponde ao território de Portugal que chegou aos nossos dias é bastante diversificado, apesar de não existirem grandes espaços monumentais posso garantir que vestígios não nos faltam, encontram-se é dispersos um por pouco por todo o lado e bem debaixo dos nossos pés, pontes e vias romanas, cidades e villas que outrora fervilharam vida. Motivo mais do que suficiente para nos sentirmos pequenos nesta história? Óptimo, a ideia era essa. Agora embarquemos nesta viagem ao passado pelos trilhos dos romanos no distrito de Santarém iniciando pela capital e sede de distrito a cidade de Santarém.

Pouco se conhece acerca da fundação da cidade de Santarém mas por objectos recolhidos mostram que a ocupação pelo homem do sítio remonta ao quinto milénio antes de Cristo.

Na Idade do Ferro, o povoado é influenciado pelas civilizações mediterrânicas orientais e em particular pela Fenícia, desta forma, explica o antigo topónimo pelo qual Santarém foi outrora conhecida, Moron, palavra fenícia que significa “local elevado” e terá sido dado pelas populações oriundas da região de Cádiz que aqui se fixaram a partir do final do século nono antes de Cristo. É provável que já nesta altura o esporão, a antiga Alcáçova Medieval e o Jardim da Porta do Sol tenha sido fortificado, o seu domínio visual sobre o rio e as férteis terras da planície faziam dele o local ideal para este fim, a zona ribeirinha, por seu lado, foi eleita para a instalação do porto comercial, tudo aponta para que fosse o lugar de Alfange, e as duas áreas eram articuladas por vias que serpenteavam a encosta.

A influência fenícia-púnica foi interrompida quando Roma se impôs a Cartago como grande potência marítima do mediterrâneo e conquistando militarmente a Península Ibérica, assim, os primeiros vestígios da presença romana em Moron datam da ocupação militar, em 138 a.C., pelas tropas de Décimo Júnio Bruto, dando à localidade o nome de Scallabis (SC) e, entre 49-44 a.C., estabeleceu-se um acampamento militar fortificado (praesidium) em local ainda não identificado, o historiador Plínio atribui a fundação ao acampamento militar de Júlio César, chamando-lhe Praesidium Iulius

Por volta do ano 30 a.C., na dinastia do imperador Augusto, o Praesidium Scallabis tornou-se numa civitas cuja importância crescente acabaria por fazê-la a capital de um dos três conventus (ou distritos) da Lusitânia, denominada por “Conventus Scallabitanus“, em 16-15 a.C.. Atravessavam-na duas vias essenciais: uma delas, vinda de Bracara Augusta (ou Braga) e de Legio (Leão), a grande base militar da Hispânia, entrava pelo esporão e atravessava o planalto, inflectindo para sul, em direcção a Olisipo (a antiga Lisboa); a outra, ligava Olisipo a Emerita Augusta (actual Mérida), muito contribuindo para que se tornasse num dos mais importante entreposto comercial do médio Tejo a outras províncias do Império da bacia do Mediterrâneo Oriental. 


Foi no âmbito da candidatura da cidade a Património Mundial num trabalho de investigação se detectou que o plano urbanístico do Bairro do Pereiro possuiu uma particularidade muito peculiar, este plano está de acordo a modelos romanos de urbanismo, facilmente chegou-se à conclusão que se poderia estar perante o local do assentamento do acampamento militar, Praesidium Iulium (PI). 

Locais identificados da antiga Praesidium Iulium e da Scallabis trilhados pelos romanos que chegaram até aos nossos dias:

Bairro do Pereiro

Rua Miguel Bombarda/Rua Capelo e Ivans vs Rua João Afonso/ Rua 1º de Dezembro (decomanus maximus/cardus maximus)


Travessa das Capuchas vs Rua Tenente Valadim 


Rua José Paulo


Travessa S. Julião


Largo do Milagre – tudo aponta para que o fórum fosse no Largo do Milagre, na Igreja de Stº Estevão/Santuário do Santíssimo do Milagre, onde teria sido construído o Templo Minimus, templo sagrado do fórum, dedicado ao culto dos deuses


Travessa dos Capuchos


Av. António dos Santos – vários lanços da muralha medieval poderão ter correspondência aos limites do acampamento romano fortificado por paliçadas ou muralhas. 



Igreja de Santa Maria de Alcáçova
Abertura e Encerramento
Manhã: 10,00h – 12,30h
Tarde: 14,30h – 17,00h
Encerra: Segunda-feira e Terça-feira

Três capitéis romanos reutilizados nas colunas da nave da igreja
Templo romano desconhece-se a função (no interior da capela-mor), podium e cella


em breve (imagens)

Muralhas do Castelo 
Cisternas na vertente oeste da Alcáçova, junto à muralha virada à Estrada de Alfange


Urbi Scallabis
Centro de Interpretação Multimedia – Abertura
Quartas-feiras a Domingo
Manhã: 09,15h – 12,30h
Tarde: 14,00h – 17,15h


Rota I
Santarém – Muge - Coruche


Muge (Salvaterra de Magos)
Ponte Romana? de Muge 


Estado de conservação: pedonal - requalificada recentemente
Via romana: itinerário XIV Lisboa-Alter do Chão-Mérida
Acesso: Muge (EN114), junto ao Palácio dos Duques do Cadaval
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Coruche (Santarém)
Ponte “Romana” da Coroa 

Estado de conservação: pedonal
Via romana: Santarém a Évora
Acesso: Coruche (EN114-3), à esquerda na segunda ponte junto de habitação
Classificação: Imóvel de Interesse Municipal

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
60,1 Kms
Duração recomendada
1 dia

Rota II
Santarém – Torres Novas – Alcorochel – Alcanede – Alqueidão da Serra

Torres Novas

Villa Romana de Cardílio

A villa agrícola de Cardílio tinha 22 divisões, o seu nome deve-se a uma das inscrições que refere CARDILIO, o proprietário que a construiu para residência de sua família. As diversas campanhas arqueológicas revelaram alterações substanciais na planta da villa, entre o séc. I d.C. e séc.IV d.C., e colocando à luz do dia um significativo complexo de termas privadas a sudoeste da habitação. 



A entrada principal seria a poente do claustro, pavimentada em mosaicos, constituído por vários painéis distribuídos pelos diversos quartos de cores vivas e motivos geométricos, predominando, tranças e entrelaçados, aves de grupos opostos e retratos dos proprietários com motivos agrícolas, num dos quais, a meio da segunda fila, a inscrição:

 Inscrição

“VIVENTES CARDILIUM
ET AVITAM FELIZ TURRE”

 Tradução

CARDÍLIO E AVITA
SEJAM FELIZES VILLA DA TORRE


Num outro painel, na fila imediatamente abaixo e descentrado para a esquerda, o busto de CARDILLIO, de cabelo curto e ombro direito nu, com pregas na toga de púrpura, presa por fíbula, e o de AVITA, de cabeleira de vidros azuis-claros e tesselas azuis-escuros, e com veste que deixa desnudado o ombro direito. E o segredo permanece com a sedução daquela TVRRE (que pode estar na origem de TORRES novas) e do seu par romano, de agricultores com certeza, a julgar pela villa em que viviam e pelos vasos e foices, testemunhos de vida agrícola, e prováveis símbolos de vinho e pão.


Em terceiro painel, bem emoldurado, um grupo de quatro aves com flores pendentes nos bicos, postas duas a duas, em sentidos diametralmente opostos, no entanto, esta figuração humana poderá ser uma alegoria relacionada com as estações do ano, neste caso, com o Outono e o Inverno.

O peristilium elemento central da villa permitia a entrada de luz natural e arejamento da casa, tinha um jardim interior embelezado com inúmeras plantas, uma fonte e diversas esculturas. Denotam-se vestígios de doze colunas, quatro de cada lado, formando um claustro, pavimentado por seis tapetes de mosaicos. Ao centro, um quadrado que seria um jardim com um poço revestido de alvenaria, de cerca de sete metros de profundidade, no extremo sul. No jardim ainda podemos ver uma conduta e ruínas de paredes de construção anterior e uma calha ao longo dos quatros lados do quadrado. 




A exedra, precedida de pórtico com quatro colunas de frente e duas laterais, as bases que se conheceram de três de colunas eram em mármore das quais só uma ainda existe.

A nordeste do peristilo descortinamos um tanque ladeado por colunas de tijolo em três das suas quatro faces e, um compartimento, a latrina, equipada com um banco de alvenaria, semelhante aos atuais assentos sanitários onde corria permanentemente água proveniente da cloaca, na extremidade da villa, o edifício termal.




O ex-libris da villa é sem dúvida nenhuma o magnífico estado de conservação e preservação do sistema de aquecimento central, o hipocaustum e as praefurnia em arcaria de tijolo, através do qual o ar quente produzido circularia pelos arcos e pelas paredes duplas dos quartos com canalizações em chumbo, sobre as fornalhas eram colocadas caldeiras, geralmente de bronze, a partir das quais a água quente em canalizações de chumbo era conduzida às salas dos banhos quentes ao tepidarium e ao caldarium.



Ficha Técnica
Abertura e horário de funcionamento
Visita às ruínas com acompanhamento de um guia
Manhã: 10,00h – 12,30h (Terça-feira a Sábado)
Tarde: 13,30h -17,00h (Terça-feira a Sábado)
Encerra: Domingo, Segunda-feira e Feriados
Duração estimada da visita
1 hora
Classificação 
MONUMENTO NACIONAL 

Museu Municipal Carlos Reis (Torres Novas)

No Museu Municipal Carlos Reis encontra-se exposto todo o espólio das escavações da villa Cardílio, nomeadamente, moedas do séc. II, III e IV d.C., vidros assírios e egípcios gravados, estuques coloridos e cerâmicas do séc. I e II d.C., supondo-se produção de Valerius Paternus que as criava em Mérida e, finalmente, a estátua de Eros, datado séc. I d.C., revelando-se como uma das mais importantes objectos encontrados.


Calçada Romana do Bom Amor (Casal Quebrada/Fonte do Bom Amor)

Característica: vestígios da calçada nas bermas, muito irregular e danificada
Via romana: itinerário XVI Braga a Lisboa
Acesso: Torres Novas, na Fonte do Bom Amor seguir pela esquerda até habitações, a partir daqui por caminho de terra batida descendo à ribeira passando pela Quinta Marquês (Gateiras)

Alcorochel (Torres Novas)
Ponte Romana?  

Estado de conservação: rural – vestígios de calçada
Via romana: itinerário XVI Braga a Lisboa
Acesso: Alcorochel (9 km) de Torres Novas, pela rua da Garcia, Largo do Poço Novo e rua da Ribeira, segue por caminho de terra batida

Alcanede (Santarém)

Ponte Romana?-Medieval de Alcanede

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Construção: séc. III d.C.
Via romana: Leiria a Santarém, variante por Porto de Mós
Acesso: Alcanede (EN361), pela rua da Ponte Romana
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Alqueidão da Serra (Porto de Mós)
Calçada Romana


Característica: calçada em blocos de pedras regulares, na extensão de 300 metros, em bom estado de preservação
Via romana: Leiria a Santarém 
Construção: séc. I a.C./séc. I d.C.
Acesso: Alqueidão da Serra, seguir sinalização na povoação, inicia-se junto a parque de merendas
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
94,8 Kms
Duração recomendada
1 dia

Rota III
Santarém – Tomar – Póvoa – Junceira/Carril



Tomar 

A cidade romana Seilium ou Selium (actual Tomar) situava-se na margem esquerda do rio Nabão que a percorria, os povos desta região dedicavam-se, essencialmente, da agricultura e da exploração mineira.

Concluída a ocupação romana definitiva da Península Ibérica e clarificada a situação política em Roma, na dinastia do imperador Augusto reorganiza-a política e administrativamente, criando novos núcleos urbanos e adaptando os existentes, ao mesmo tempo, constroem-se novas vias de comunicação terrestres quer fluviais ou desenvolvem-se as preexistentes, e a  cidade de Seilium aproveitando da sua localização geográfica não perdeu a oportunidade de se tornar uma das trinta e quatro civitates stipendiariae, entre 16-13 a.C., sob a alçada do conventus Scallabitanus, com a capital em Scallabis


Durante a dinastia dos Flávios, 69-96 d.C., pelos reinados de Vespasiano e seus dois filhos Tito e Domiciano, ascende à categoria de municipium comprovada na inscrição “genius municipii”, embutida no exterior da base do lado poente da Torre de Menagem do castelo, este estatuto veio permitir que se tornasse num importante entreposto comercial sobretudo pela passagem da via imperial do ocidente ibérico de Lisboa, de Olisipo (actual Lisboa) a Bracara Augusta (Braga) e a Legio (Leão), a grande base militar da Hispânia, mas também por via fluvial porque o rio Tejo era navegável até Santarém, desta forma, permitia a subida de barcos de média calagem e não é de excluir a possibilidade das mercadorias subirem rio acima mas em barcos de pequeno porte, para as trocas comerciais de bens e produtos com outras províncias do Império e da bacia do Mediterrâneo Oriental.

Como referi, Seilium em boa medida beneficiava da sua localização geográfica em relação ao acesso ao litoral como entreposto comercial por este facto encontrava-se bem ligada às mais influentes cidades e regiões da Lusitânia, atravessava-a a via imperial Olisipo a Bracara Augusta ligando-a Scallabis e Conimbriga, mas para além desta importante ligação ao norte Seilium também estava conectado à capital da província da Lusitânia, Emerita Augusta, pela via romana proveniente de Lisboa a Mérida que cruza o rio Tejo em Tancos, segue próximo a Tamazim até à encruzilhada de Lagoa do Junco onde confluía na via proveniente de Lisboa por Santarém, e através da ligação a Idanha-a-Velha que cruza o rio Zêzere junto da foz do rio Codes seguindo a Vila de Rei rumo à Cova da Beira onde confluía na via para Mérida em IGAEDIS. Outras ligações, a Centum Cellae e a Belmonte e à vertente sudeste da Serra da Estrela, mais tarde, por “Estrada da Lã” e a Évora. 

Da antiga cidade pouco existe, estando confinada a uma pequena área circunscrita às ruas da Carrasqueira, Manuel de Matos, Santa Iria e Carlos Campeão, e por incrível que pareça, o sítio arqueológico encontra-se sem qualquer género de vigilância ou protecção com muita vegetação envolvente que serve de protecção natural, não permitindo visualizar em boas condições a área já intervencionada.

Locais da antiga Seilium e trilhados pelos romanos que estão identificados que podem ser vistos:

Ponte Velha


Rua Carlos Campeão alicerces de monumento público e da praça pública no Forum, datado do séc. I d.C., conservando-se ainda estruturas das tabernae (lojas), da Basílica (Tribunal) e Curia, é possível a identificação das duas vias principais o cardus maximus e o decumanus maximus, nascente/poente, a sul da Basílica e o cardus no lado do poente.



Toda a área circundante da Alameda Um de Março e Avenida Norton de Matos, e as vias que a suportam: Rua Carlos Campeão, Rua Amorim Rosa, estão classificadas como Imóvel de Interesse Público.

Claustro da Lavagem do Convento de Cristo
Busto do imperador Augusto

Castelo dos Templários (Torre de Menagem)
Inscrição “genius municipii” no exterior da base da torre do lado poente


em breve (imagens)


Ficha Técnica
Abertura e horário de funcionamento
Inverno (Outubro a Maio) – 09,00h às 17,00h
Verão (Junho a Setembro) – 09,00h às 18,30h
Encerra: Segunda - feira e Feriados
Duração estimada da visita
2 horas
Classificação
MONUMENTO NACIONAL E PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE PELA UNESCO 

Paialvo (Tomar)
Calçada Romana do Casal Salgueiro

Característica: resta somente o traçado do caminho
Via romana: itinerário XVI Braga a Lisboa
Acesso: Paialvo (EM558), pela rua da Escola, passando a via férrea, ao Centro de Dia e rua Via Romana por caminho de terra batida

Vila Nova de Paialvo (Tomar)
Ponte “Romana” da Pedra

Estado de conservação: rural – com vestígios de calçada
Via romana: itinerário XVI Braga a Lisboa
Acesso: Lamarosa/Pé de Cão (EM539), passando zona fabril, à direita por caminho de terra batida ao lado da ribeira

Póvoa (Tomar)
Ponte Romana? da Póvoa 

Estado de conservação: ruínas
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Caxarias
Acesso: Tomar/Póvoa (EM526), pela Estrada do Prado, na povoação, rua da Ponte Romana (frente a Escola Primária)
parte do percurso em caminho de terra batida

Carvalhal/Fervença (Tomar)
Ponte Romana? da Azenha do Curto

Estado de conservação: rural
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Caxarias
Acesso: Póvoa a Vale Venteiro, cortar a Carvalhal/Fervença, passando Fervença na curva à direita, segue à ponte romana no açude e Azenha do Curto

Junceira/Carril (Tomar)
Ponte Romana? da Lousã 

Estado de conservação: pedonal – enquadrada em parque de merendas
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha, Mouriscas - Rio Tejo pela “Estrada da Serra”
Acesso: Tomar/Serra (EM 531) seguir placa indicativa de Instituto Politécnico, viaduto da A13 seguir sinalização de ponte romana, junto à barragem do Carril

Carregueiros (Tomar)
Calçada Romana de Valinhos
Característica:
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Caxarias
Acesso: Carregueiros (IC9/EN 113)

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
119,5 Kms
Duração recomendada
2 dias

Rota IV
Santarém – Rio Maior – Atouguia – Ourém - Agroal

Rio Maior


Villa Romana de Rio Maior I


Ficha Técnica
Visitas através da Galeria Municipal – Casa Senhorial d´El Rei D. Miguel 243 907 424
Abertura e Horário de Funcionamento
Manhãs:
Tardes:
Encerra: 
Duração estimada da visita



em breve (imagens)

Ourém

Atalaia Romana no morro do castelo na Porta de Santarém


 Calçada Romana da Mulher Morta

Característica: calçada sobre terra batida coberta por pedra miúda, em bom estado de preservação
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Ourém
Acesso: Castelo de Ourém (centro histórico)

Atouguia (Torres Novas)
Ponte Romana? de S. Sebastião 

Estado de conservação: aberta à circulação
Construção: séc. II d.C. e séc. III d.C.
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Ourém
Acesso: Atouguia/S.Sebastião, na placa indicativa para Atouguia, seguir por rua a 20 metros mais à frente à direita

Valada/Seiça (Ourém)
Ponte Romana? da Valada

Estado de conservação: necessita intervenção
Via romana: Leiria a Tomar, variante por Caxarias
Acesso: Valada (EN113), seguindo as ruas Penha de França e do Canto, passando uma primeira ponte, por caminho de terra batida pela direita, ponte a 200 metros

Agroal/Porto Velho (Ourém)
Calçada Romana

Casais da Igreja (Rio Maior)
Forno Romano
Local: Casais da Igreja (EN114)



em breve (imagens)


Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
135,3 Kms
Duração recomendada
2 dias

Rota V
Santarém – Mação – Ortiga – Cardigos


Ortiga (Mação)

Estação Arqueológica de Vale de Junco

A estação arqueológica de Vale de Junco encontra-se, em Ortiga, numa transversal à Rua dos Mouros e sinalizada junto a um posto de abastecimento de combustível, contudo, daqui para a frente não existe qualquer indicação, passando a última habitação da rua acima mencionada quando a estrada inicia a descida, à esquerda, um pequeno caminho de terra batida (200 metros) no meio dum olival com muita vegetação rasteira envolvente a tapá-la sem qualquer protecção e ao abandono total em encosta privilegiada com vista para o rio Tejo.

Era uma villa agrícola, encontrava-se junto à passagem da via Alvega a Salamanca dando apoio às montadas a quantos aqui circulavam. Da villa resta-nos parte do complexo termal, devido ao seu estado de ruínas ainda é possível observar a entrada, o atrium, ladeado pelo apodyterium (vestiário), a sala dos banhos frios frigidarium ainda com uma natatio (piscina) e parte do revestimento, a sala dos banhos quentes, o tepidarium e o caldarium.

Distinguem-se as estruturas do que seria o edifício e parte da canalização que abasteceria o complexo termal com a água da ribeira de Eiras.





Ficha Técnica
Local
Ortiga
Acesso
Em terreno de olival com vistas para o rio Tejo
Duração estimada da visita
15 minutos

Mação
Ponte Romana? da Ladeira d´El-Rei 

Estado de conservação: pedonal - requalificada recentemente
Construção: séc. I a.C./ séc. I d.C.
Via romana: Alvega a Salamanca
Acesso: Mação
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Mação
Ponte Romana? da ribeira de Eiras (Ribra de Paia Fome)

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Construção: séc. I a.C./ séc. I d.C.
Via romana: Alvega a Salamanca
Acesso: Mação/Envendos (EN3)
Classificação: Imóvel de Interesse Municipal

Mação
Ponte Romana? do Coadouro sobre o rio Frio 

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Construção: séc. I a.C./ séc. I d.C.
Via romana: Alvega a Salamanca
Acesso: Mação/Envendos (EN3)
Classificação: Imóvel de Interesse Municipal

Vale da Mua
Ponte Romana? da ribeira do Carvoeiro
Estado de conservação: falta reconhecer o local
Via romana: Alvega a Salamanca
Acesso: Vale da Mua


em breve (imagens)


Cardigos (Mação)
Ponte Romana-Medieval dos Três Concelhos

Estado de conservação: aberta à circulação rodoviária
Construção: séc. I a.C./ séc. I d.C.
Via romana: Conimbriga a Alvega/Aramenha (Ammaia)/Idanha-a-Velha e Bobadela a Alvega por Pedrógão Grande e ligação à via Tomar a Covilhã a Oleiros por Vila de Rei 
Acesso: Cardigos (IC8)/Portela de Colos seguir placa de sinalização
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
159,4 Kms
Duração recomendada
1 dia