sábado, 7 de fevereiro de 2015

IMAGENS da LVSITÂNIA - Distrito de Setúbal

O património arqueológico e histórico da antiga província romana da LVSITANIA é rico e diverso, e está espalhado por todo o território. Apesar de não termos grandes espaços monumentais, posso garantir que vestígios do nosso passado não nos faltam e que estão por aí, bem debaixo dos nossos pés. Consegui fazer-vos sentir pequenos nesta grande história? Óptimo, a ideia era essa. Agora viagem comigo pelos trilhos dos romanos.


Setúbal

A presença dos estuários do Tejo e do Sado com enseadas abrigadas envolvidas por terras ricas e produtivas permitiu a fixação de diferentes comunidades humanas e os vestígios arqueológicos provam ocupações pré-romanas e sob a dominação romana, o advento do estuário do Sado como centro produtor de sal, as fábricas de salga de peixe descobertas em Tróia e Setúbal, com as ruínas da cidade romana de Miróbriga em Santiago do Cacém.

Em Setúbal teremos dois pontos de interesse de vestígios romanos, a passagem pelo Pelourinho de Setúbal, localizado na Praça Marquês de Pombal e, numa observação atenta, verifica-se que os elementos da coluna e capitel são romanos, provavelmente, de Tróia, gratificante será ainda recuar no tempo percorrendo parte da via romana Lisboa a Mérida, de Setúbal no Casal das Figueiras (Bº do Viso), rua do Caminho Romano, e conhecida pela “Estrada do Viso”, em direcção ao Grelhal (EN10).  

1º Dia

Capitel Romano
Praça da República - Coluna com capitel romano

Capitel Romano
Calçada Romana Estrada do Viso

Característica: calçada sobre terra batida coberta por camada de pedras talhadas em bom estado de conservação na extensão
Via romana: itinerário XII Lisboa – Alcácer – Évora - Mérida
Acesso: Setúbal, no Casal das Figueiras (Bairro do Viso) rumo ao Grelhal (EN10)

Portinho da Arrábida

Estação Arqueológica do Creiro

No acesso à praia do Portinho da Arrábida, do lado esquerdo, está acessível ao público, uma villa que seria um complexo industrial de produção de salgas de peixe e molho de peixe (garum) à base de cavala e muito apreciado entre os romanos, a sua ocupação é datada entre o séc.I d.C./séc.V d.C., ainda é possível observar, a unidade fabril e os armazéns, o edifício termal com a área destinada aos banhos quentes (caldarium e tepidarium) e frios (frigidarium), um pouco mais escondido, um poço bastante útil ao bom funcionamento do complexo de preparados piscícolas que exigia um grande volume de água.


Tanques de salga de peixe

Área Termal
2º Dia

Corroios/Seixal
Olaria Romana

A primeira olaria de época romana conhecida no estuário do Tejo foi identificada em 1986, na Quinta do Rouxinol, junto ao Ecomuseu Municipal do Seixal, e classificada como Monumento Nacional.

Na sociedade romana os artigos de cerâmica estavam presentes em quase todas as actividades do quotidiano. Uma grande propriedade rural podia dispor da sua própria olaria (edifício, fornos e matérias-primas) e contratar oleiros que ali se deslocavam sazonalmente, seriam artesões livres para executarem as suas tarefas, desconhece-se se era prática ou excepção sobre os regimes de propriedade e de trabalho, ou modos de funcionamento das olarias.



Mas, em muitos casos, como na Quinta do Rouxinol, as olarias assumiam-se como centros de artesanato intensivo, provavelmente em laboração contínua, fabricando uma grande variedade de artigos: materiais de construção (tijolos, telhas planas e de meia-cana), recipientes de armazenagem, loiça de cozinha, ânforas ou candeias de iluminação (lucernas). Instalavam-se na proximidade das fontes de matérias-primas (argila, lenha e água) e centros de consumo tirando partido das vias de comunicação disponíveis fossem terrestres, fluviais ou marítimas.

No primeiro forno, ainda se conserva a câmara de combustão, em forma de pêra e um pequeno corredor de acesso na zona mais estreita, denota-se três arcadas que suportariam a grelha sobre a qual eram colocadas as peças, já não havendo vestígios quer da grelha nem da câmara de cozedura. 


No segundo forno, semelhante ao primeiro mas a estrutura aqui está melhor conservada, também com três arcadas se suporte da grelha e a existência de pilar de suporte a uma dessas arcadas. 



O terceiro forno limitado a pequeno fragmento da parede. Para além dos três fornos, é visível uma pequena estrutura em forma de ferradura, podendo ter funcionado de apoio ao segundo forno, para cozedura de materiais mais sensíveis.


A olaria romana da Quinta do Rouxinol produziu essencialmente ânforas e loiça doméstica, de várias formas para diversas utilidades e, reprodução de lucernas para iluminação a óleo colocado no interior ou azeite, embebido em pequenas mechas de fibras entrelaçadas vegetais, saíam por um ou mais bicos e facilmente se inflamavam. 





3º Dia

Tróia

Estação Arqueológica de CETOBRIGA

As ruínas romanas de Tróia são testemunho de um grande complexo industrial de salgas de peixe construído na primeira metade do século I d.C., provavelmente, durante a dinastia dos Júlios-Cláudios. O seu abandono verificou-se por volta do século VI d.C., mas a sua decadência já se vinha verificando a partir do século IV d.C., com a desagregação do império levou à progressiva deterioração das rotas comerciais e dos mercados consumidores.


Este complexo com o seu desenvolvimento veio a tornar-se um povoado urbano, para além das múltiplas “oficinas de salga”, uma zona residencial, um complexo termal, um mausoléu, uma basílica paleocristã e necrópole.

Mausoléu


Estrutura da Basílica e Necrópole
De facto, este povoado banhado pelo Atlântico não foi um ponto isolado mas parte de uma ampla cadeia comercial garantindo o fornecimento de produtos e iguarias do mar e a excepcional produção de sal das margens do rio Sado, fabricava-se peixe salgado e molhos de peixe, entre os quais o famoso garum, pasta ou molho que servia para condimentar os alimentos, obtida das vísceras de atum ou cavala misturadas com outros peixes a que eram adicionadas ervas aromáticas, depois de acondicionados em ânforas seriam levadas por barco para Roma e a outras províncias do Império.

Cetarias

Entrada e escadaria de acesso ao poço
A villa industrial era servida por um balneário pertencendo certamente ao dono do complexo, assegurando os banhos tanto aos proprietários como aos trabalhadores, fossem livres ou escravos. As termas possuíam numa ala, sala de ginástica (palaestra), apodyterium, frigidarium e piscinas, na outra, a parte aquecida, o tepidarium e o caldarium sobre hipocaustum, zona subterrânea formada por arcos que sustentavam o piso superior ligada a uma fornalha (praefurnium) que produzia o calor.

Palaestra, fundo Frigidarium e Tepidarium, lado direito Apodyterium

Fornalhas (piso subterrâneo)

Caldarium
Pela esquerda, na entrada da área arqueológica e não muito distante desta, ainda em fase de escavações estamos em presença de uma terceira oficina de tanques de salga (cetarias), ao fundo o local dos fornos.  




Todo o espólio arqueológico das ruínas está em exposição no Tróia Golf, com entrada gratuita.

O que se visita é uma pequena amostra da totalidade do complexo arqueológico cujos vestígios se estendem ao longo de 2 km de areal, pela margem esquerda do rio Sado, todo o sítio arqueológico está classificado como Monumento Nacional desde 1910 e Património da Humanidade da UNESCO desde 2016.

Como nota final, a abertura e o horário de funcionamento é diferente ao longo do ano devendo-se consultá-lo previamente evitando-se deste modo uma deslocação em vão.


4º Dia

Alcácer do Sal 

A região de Alcácer do Sal desde a Antiguidade foi um local de forte presença humana como demonstram os vestígios arqueológicos descobertos desde a Idade do Ferro, do período Romano ao Muçulmano, da época Medieval Cristã à Moderna, e à Contemporânea, talvez devido ao facto do seu clima e da sua localização.

Foi precisamente na zona onde hoje se ergue o Castelo de Alcácer do Sal, num morro protegido e sobranceiro ao rio, onde se implantou o núcleo populacional primitivo da Idade do Ferro, com a conquista romana este também foi o local escolhido para a implantação de uma nova cidade. Aquando da ocupação romana, o povoado já seria romanizado e a sua população no decorrer do conflito que opôs Pompeu e Júlio César, aliou-se a Pompeu recebendo em troca o estatuto de Direito Latino “Forum Romano de Salacia Urbs Imperatoria”, o fim do conflito a favor de César, claramente, seriam desfavorecidas.

A área geográfica de SALACIA, no século I d.C. encontrava-se para além do limite, controlando um território relativamente afastado de si, entre Setúbal a Grândola, mas muito devido ao facto do seu clima e da sua localização com um amplo vale de terras férteis uma agricultura diversificada proporcionada pelo rio Callipus (atual rio Sado) como via fluvial no desenvolvimento económico da região na produção de sal, no desenvolvimento da pesca e da indústria conserveira, do garum (pasta de peixe), na produção de artigos de cerâmica e materiais de construção (tijolos, telhas planas e de meia-cana), loiça de cozinha, ânforas ou candeias de iluminação (lucernas), muito contribuindo para uma intensa actividade comercial a outras províncias do Império da bacia do Mediterrâneo. 

Salacia - Forum no morro do Castelo
A entrada da cidade fazia-se pela rua da Fábrica, Convento de Santo António no Largo de S. Francisco, contornando a necrópole de S. Francisco Frades até se atingir a base do morro do Castelo numa área plana em frente da Igreja Stª Maria a sua grande praça pública “forum”, está identificado um edifício de carater público um templo ou santuário de planta rectangular, sendo possível observar algumas placas marmóreas “in situ” revestindo o pavimento, do lado sul, uma enorme muralha destinada à contenção de terras da plataforma onde outros edifícios que se implantavam num dos lados menores, desconhecendo-se a sua funcionalidade específica, poderemos estar em presença da Basílica ou a da Cúria, onde se reunia o senado.

Forum Romano no morro do Castelo






Cisterna Romana da Fonte da Talha

A presença da cisterna romana, situada na rua da Fonte da Talha nas imediações da Escola Secundária da Fonte da Talha, poderá estar associada a Aqueduto Romano no Bairro rio Clérigos, abastecendo a cidade e fontes de água.  



Cripta Arqueológica do Castelo - Museu Municipal Pedro Nunes 

As obras de beneficiação do Convento de Nossa Senhora de Aracaeli em pousada D. Afonso III, permitiu por a descoberto uma enorme quantidade de ruínas da ocupação humana deste local de diferentes épocas.

A visita à Cripta Arqueológica do Castelo será imprescindível pela espetacularidade do património arqueológico em exposição e a diversificada riqueza do numeroso espólio composto por peças de cerâmicas, epígrafes, moedas, objetos de adorno e de vidros romanos correspondendo a uma das mais importantes coleções a nível nacional. A visita inicia-se com a visualização de um pequeno documentário, na sala multimédia, sobre a história da ocupação humana de Alcácer do Sal.

Imperador Cláudio
A visita inicia-se com a visualização de um pequeno documentário, na sala multimédia, sobre a história da ocupação humana de Alcácer do Sal. A área visitável consta:

Poço Islâmico
Cisterna do Convento
Construções da Idade do Ferro
Casa da Idade do Ferro
Casa Romana
Casa Islâmica
Calçada da Idade do Ferro
Calçada Romana
Santuário Romano
Poço Votivo
Silos/Fossas

O sítio arqueológico está classificado como Monumento Nacional





Santa Catarina de Sítimos


Villa Romana de Santa Catarina de Sítimos

Originalmente uma villa romana cujas edificações formavam o centro de uma propriedade agrícola, datada dos meados do séc. I a.C. que terá perdurado até aos meados do séc. V/VI d.C., como uma importante estrutura económica na economia rural pela localização perto a Salacia e do porto fluvial, principalmente, no apoio à via romana Alcácer do Sal a Beja, passando por Torrão. No local é possível a visualização de uma “natatio” (piscina) e escadaria para acesso ao interior, denotando-se ainda vestígios do pavimento, desconhecendo-se ainda a sua finalidade, provavelmente, fazendo parte do complexo termal mais amplo da villa, ou como um espaço de culto pagão à deusa “Venus”, deusa romana do amor e beleza. 






Relativamente acessível de Alcácer do Sal (EN253), cerca de 12 km, a pacata aldeia alentejana de Santa Catarina de Sítimos é possuidora de um importante património arqueológico que se encontra devidamente sinalizado quando se entra na povoação e facilmente se chega, a villa romana encontra-se aberta ao público e sem protecção de qualquer tipo.

5º Dia
Torrão

Estação Arqueológica da Fonte Santa

Estamos perante um complexo industrial ou edifício termal e tanque na Fonte Santa, localizados no interior do Centro Escolar do Torrão, podendo ser observáveis pelo exterior, porque a zona encontra-se delimitada com gradeamento do Centro Escolar, na rua da Fonte Santa e rua Dr. Bento Jesus Caraça, a ocupação prevista da é entre os séc. I/V d.C., é suposto que se tratasse dum complexo termal pelos vestígios em presença, um conjunto de tanque, duma cisterna compartimento e uma conduta de abastecimento de água, ou de um complexo balnear.




Ao mesmo tempo, percorrendo um pequeno troço da via romana que de Alcácer do Sal passava na villa romana de Santa Catarina de Sítimos rumo a Beja, são cerca de 400 metros de calçada localizados à entrada do Torrão.

Calçada Romana


Característica: calçada sobre terra batida coberta por camada de pedra talhada numa extensão de 300 metros
Construção: séc. I d.C.
Via romana: Alcácer a Beja
Acesso: Torrão (EN5-2), num pequeno morro (à direita), imediatamente ao entroncar com a estrada oriunda de Alcáçovas e Évora, sinalizada no local


Grândola

Um pequeno desvio a Grândola para quem circule no (IC 1), servirá para repousar e ao mesmo tempo proporcionará a visita a uma villa romana, no interior da Escola Básica 1, na rua Nossa Senhora da Penha. De facto, a existência de uma pequena ribeira e uma barragem romana, situada a sul no lugar conhecido por Pêgo da Moura numa pequena elevação, proporcionava uma fácil irrigação aos terrenos de cultivo e ao abastecimento de águas às termas romanas e a existência deste complexo balnear indicia um pequeno povoado integrado no conjunto de uma villa ou estalagem, cuja a ocupação é entre séc. I/V d.c., prestando apoio à via romana Alcácer do Sal a Santiago do Cacém, a existência de apoio informativo e descritivo sobre a estação arqueológica ajudará o visitante na identificação do espaço, o mesmo sucedendo na visita à barragem romana.

Barragem Romana Pego da Moura


Local: denominado por Pêgo da Moura, no caminho para TR do Monte Cabeço do Ouro
Acesso: Grândola, saída (IC1) para Santa Margarida da Serra (EN120), cerca de 2km, na placa indicativa na estrada
Classificação: Imóvel de Interesse Público


Estação Arqueológica do Cerrado do Castelo


D) - Poço 

B) - Natatio

C) - Salas
Local: interior EB1 de Grândola
Classificação: Imóvel de Interesse Público

6º Dia

MIROBRIGA

Em Santiago do Cacém no cimo de uma colina, dotada de uma localização estratégica situam-se as ruínas da cidade romana de MIROBRIGA, ocupada desde a Idade do Bronze e do Ferro, beneficiando das trocas comerciais púnicas no séc. IV a.C. mas foi com a romanização entre o séc. I a.C. até ao séc. V d.C. que se deu a revitalização do povoado tornando-o a principal cidade romana da costa ocidental a sul do Tejo, e possivelmente com o “estatuto de estipendiária” como Plínio a assinalou, ou seja, povoado fortificado sem qualquer privilégio e que pagava imposto. No decurso das dinastias imperiais do Flávios (69-96) o quotidiano do povoado foi intenso, podendo mesmo ter obtido o estatuto de Direito Latino ou Romano “municipium”, confirmando assim uma integração plena dos seus habitantes na cultura, economia e sociedade romana, com as construções do Forum, do Templo e das tabernae adjacentes, posteriormente, na dinastia dos Antoninos o aglomerado urbano estende-se a zonas mais baixas onde se edificaram os dois edifícios balneares ou termais e o hipódromo, único existente em Portugal.

Vista geral da área arqueológica

Legenda

1. Escadaria de acesso à calçada
2. Zona habitacional, séc. I a IV
3. Termas Oeste, séc. II
4. Ponte Romana
5. Domus com frescos
6. Tabernae, séc. I
7. Forum, séc. I
8. Templo Central, séc. I
9. Templo de Vénus, séc. I
10. Calçada Romana

A cidade estende-se por mais de 2km, apresentando ruínas de edifícios de habitação, ruas pavimentadas, um forum e templo, dois edifícios balneares ou termais, uma ponte e um hipódromo.

Zona habitacional 
A Norte, escadaria à zona habitacional “insulae”, desenvolvendo-se uma calçada que funcionava como entrada à praça pública “forum”.

Na Acrópole, o grande santuário centrado num Templo a culto imperial, local de excelência para qualquer cidade romana, de culto e intensa actividade comercial, consequentemente, ponto de convergência da população onde se afixavam editais públicos ou eram lidos, em voz alta, os decretos emanados do senado, em Roma, e um pouco mais a oeste, as fundações de outro Templo de planta absidal, dedicado a “Venus”, ambos os casos, construções do séc. I d.C.. A sul do fórum, desenvolve-se a área comercial constituída por diversas lojas “tabernae”, de pequenas dimensões situadas no rés-do-chão das habitações, comunicando directamente para a rua junto das calçadas e desenvolvendo-se em redor da praça pública, nalguns casos acedia-se ao piso superior por escadas aos aposentos, os depósitos ou armazéns localizar-se-iam em compartimentos mais interiores, nas traseiras. Em frente à zona mercantil existe uma edificação que tem sido identificada como hospedaria ou stabulum, pela existência de vários quartos e salas de refeições decorados com pinturas murais, os frescos permitem datar como sendo dos meados do séc. I d.C., do tempo de Nero ou inícios do período Flaviano, no entanto, a planta articula-se em torno de um átrio que deveria ser porteado fazendo admitir que a mesma se trate de uma “domus de grandes dimensões.

Forum - Templo central (séc. I a.C.)


Hospedaria ou Domus (pinturas murais)
A oeste, seguindo a calçada romana daremos com dois edifícios balneares ou termais. O primeiro a ser construído, as Termas Este (séc. I d.C.), e mais tarde devido ao desajuste da sua capacidade foi construído um segundo edifício, as Termas Oeste (séc. II d.C.). 


A entrada ao edifício das Termas Oeste, é uma porta de grandes dimensões e soleira “in situ”, pela esquerda, um corredor em forma de L e ao fundo a latrina, em frente, outra porta e uma sala e duas divisões “apodyterium” (vestiários), de seguida, passagem para uma sala rectangular “frigidarium” (banhos frios) com uma “natatio” (piscina) no topo de cada lado, finalmente passagem às salas aquecidas, compostas por duas “natatio” (tepidarium e caldarium) assentes sobre “hipocaustum”, uma zona subterrânea formada por arcos que sustentavam o piso superior ligada a uma fornalha (praefurnium) que produzia o calor mas a característica mais significativa e diferenciadora às Termas Este, segundo arqueólogos que estudam o local, reside no seu sistema de hipocausto porque no caso a circulação do ar quente é através de paredes duplas das salas, ainda visível.

Termas Oeste - Entrada e Latrina (esq.), Sala e Apodyterium (fr.) 

Termas Oeste - Caldarium e Hipocaustum 
As Termas Este contíguas às Termas Oeste, por uma porta com dois degraus, pela direita, um corredor de acesso a divisória sem especificada a sua função, o mesmo sucedendo a uma sala de construção circular no topo, pela esquerda, sala com longo corredor rectangular “apodyterium” (vestiário) ainda é visível a estrutura do banco, decorado com frescos detectáveis nalguns pontos, por uma passagem no topo do vestiário acesso a uma “natatio” pavimentada mas protegida, e passagem às salas dos banhos frios “frigidarium”, e salas dos banhos quentes “tepidarium” e caldarium”, assentes sobre o hipocausto, zona subterrânea formada por arcos que sustentavam o piso superior ligada a fornalhas (praefurnium) que produziam o calor. 


Termas Este - Entrada
Termas Este - Apodyterium (banco corrido) e Caldarium

Termas Este - Hipocaustum e Praefurnium (fornalhas) 

Ponte Romana

Ponte Romana (séc. I a.C.)
Ponte Romana e Calçada (séc. I a.C.)
A cerca de um quilómetro da zona central do aglomerado urbano, encontram-se as ruínas do Hipódromo de Miróbriga, provavelmente, talvez o único em Portugal com uma capacidade de 25.000 espectadores, datado do séc. II d.C. e ao auge da utilização séc. III d.C., estes lugares são afastados por motivos práticos, dada a grande afluência de público, ao mesmo tempo é provável que o espaço entre a cidade e o local dos jogos existissem também outras estruturas que habitualmente se desenvolveriam junto aos núcleos urbanos, tais como, unidades fabris ou agrícolas e villaes.

Ainda é possível detectar as fundações da Spina, os muros que definem a zona de corrida e os cárceres, ou seja, compartimentos das cavalariças e dos carros puxados por cavalos, relativamente, as bancadas do público devido a serem em princípio de madeira já não existem.



A área arqueológica tem um Centro de Acolhimento e Interpretação com exposição permanente, está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1940. 


Alvalade
Peso de Lagar Romano


Local: Praça D. Manuel I  (idêntico a um outro no Jardim Público em Ferro/Fundão, ver distrito de Castelo Branco) 

Ponte Romana?-Medieval de Alvalade

Estado de conservação: pedonal
Via romana: Santiago do Cacém-Alvalade-Beja
Acesso: Alvalade (IC1), a ponte encontra-se sinalizada no interior da povoação