sábado, 7 de fevereiro de 2015

DISTRITO DE SETÚBAL

A Lusitânia que convido a visitar é uma viagem no tempo a uma região totalmente romana que, com o fim das guerras civis internas, a partir do ano 27 a.C., no reinado do imperador Augusto e “criador” da Pax Romana, o Império Romano irá ter um longo período de paz e de estabilidade durante quase dois séculos. A pacificação total da Hispania, designação dada pelos romanos à Península Ibérica, muito contribuiu para que a vida quotidiana das populações se desenrolasse com paz, tranquilidade e prosperidade, também será neste período de maior estabilidade que detalhes da vida quotidiana daqueles que nos antecederam ficaram preservados para a história, mesmo apesar de não existirem grandes espaços monumentais no nosso território garanto-vos que vestígios não nos faltam encontram-se é dispersos um pouco por todo o lado por vezes bem debaixo dos nossos pés. Motivo suficiente para nos sentirmos pequenos nesta história? Óptimo, a ideia era essa, embarquemos nesta viagem pelos trilhos dos romanos nos estuários dos rios Tejo e Sado com enseadas abrigadas envolvidas por terras ricas e produtivas como centro produtor de sal e salga de peixe em Tróia e Setúbal, permitindo a fixação de diferentes comunidades pré-romanas e romanas com as ruínas da cidade romana de Miróbriga em Santiago do Cacém. 

Em Setúbal como pontos de interesse de vestígios romanos temos o Pelourinho de Setúbal, na Praça Marquês de Pombal, verificando-se que os elementos que compõem o pelourinho, a coluna e o capitel são romanos, provavelmente, oriundos de Tróia, gratificante será recuar no tempo ao realizar a pé um troço da via romana que ligava Lisboa a Mérida de Setúbal em Casal das Figueiras (Bairro do Viso) na rua do Caminho Romano terminando em Grelhal, na denominada “Estrada do Viso”.

Praça da República - coluna e capitel romano

Capitel romano

Calçada Romana Estrada do Viso

Característica: calçada sobre terra batida coberta por camada de pedras talhadas 
Via romana: itinerário XII Lisboa – Alcácer – Évora – Mérida 
Acesso: Setúbal, no Casal das Figueiras (Bairro do Viso) rumo ao Grelhal (EN10)
Coordenadas: 38º 31´33.7” N 8º 54´52.6” W

Portinho da Arrábida

Estação Arqueológica do Creiro

Na estrada de acesso à praia do Portinho da Arrábida, encontra-se o que seria um complexo industrial de produção de salga e molho de peixe à base de cavala e muito apreciado entre os romanos denominado por garum, a sua ocupação é datada entre o séc. I d.C./séc. V d.C., é possível observar a unidade fabril, os armazéns e o edifício termal com a área destinada aos banhos quentes (caldarium e tepidarium) e frios (frigidarium), um pouco mais afastado, um poço indispensável ao bom funcionamento do complexo de preparados piscícolas que exigia um grande volume de água.


Tanques de salga de peixe (cetarias)

Ficha técnica
Coordenadas: 38º 28´53.5” N 8º 58´36.7” W
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
13,1 kms
Duração da visita 
30 minutos

Corroios/Seixal

Olaria Romana

Na sociedade romana os artigos de cerâmica estavam presentes em quase todas as actividades do quotidiano. Uma grande propriedade rural podia dispor da sua própria olaria (edifício, fornos e matérias-primas) e contratar oleiros que ali se deslocavam sazonalmente, seriam artesões livres para executarem as suas tarefas, desconhece-se se era prática ou excepção sobre os regimes de propriedade e de trabalho, ou modos de funcionamento das olarias.


Mas, em muitos casos, como na Quinta do Rouxinol, as olarias assumiam-se como centros de artesanato intensivo, provavelmente em laboração contínua, fabricando uma grande variedade de artigos: materiais de construção (tijolos, telhas planas e de meia-cana), recipientes de armazenagem, loiça de cozinha, ânforas ou candeias de iluminação (lucernas). Instalavam-se na proximidade das fontes de matérias-primas (argila, lenha e água) e centros de consumo tirando partido das vias de comunicação disponíveis fossem terrestres, fluviais ou marítimas. 

Os fornos romanos eram de planta, aproximadamente, circular ou rectangular e, compostos por duas partes sobrepostas separadas por uma grelha perfurada para facilitar a circulação do ar quente: a câmara de cozedura e a câmara de combustão.

Na câmara da cozedura eram colocadas as ânforas, loiça doméstica, telhas, tijolos e outras peças empilhadas cuidadosamente sobre a grelha, após fechada, inicia-se o aquecimento do forno queimando a lenha na câmara de combustão que pode atingir temperaturas de 800º a 900º C. O arrefecimento do forno podia demorar dias, onde a entrada de ar contribuía para a determinação da cor das peças: acinzentadas quando rareava o ar; beije ou alaranjadas quando circulava em maior quantidade.

No primeiro forno, ainda se conserva a câmara de combustão, em forma de pêra e um pequeno corredor de acesso na zona mais estreita, denota-se três arcadas que suportariam a grelha sobre a qual eram colocadas as peças, já não havendo vestígios quer da grelha nem da câmara de cozedura.

No segundo forno, semelhante ao primeiro mas a estrutura aqui está melhor conservada também com três arcadas para suporte da grelha e a existência de pilar de suporte a uma dessas arcadas.



O terceiro forno limitado a pequeno fragmento da parede, para além dos três fornos, uma pequena estrutura em forma de ferradura talvez de apoio ao segundo forno, para cozedura de materiais mais sensíveis.

A olaria romana da Quinta do Rouxinol produziu essencialmente ânforas e loiça doméstica, de várias formas para diversas utilidades e, reprodução de lucernas para iluminação a óleo colocado no interior ou azeite, embebido em pequenas mechas de fibras entrelaçadas vegetais, saíam por um ou mais bicos e facilmente se inflamavam.


Ficha técnicaAbertura e funcionamento
LocalCorroiosAcesso
Condicionado, realizando-se apenas em contexto de acções pontuais em Programas de Iniciativas acompanhadas pelo Serviço de Arqueologia, deve-se contactar previamente o Ecomuseu Municipal do Seixal ou a Câmara Municipal do Seixal
Duração estimada da visita
2 horasClassificaçãoMONUMENTO NACIONAL

Ficha técnica
Coordenadas: 38º 38´42.9” N 9º 08´42.0” W
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
36,1 kms
Duração recomendada
2 dias 

Rota I
Setúbal - Tróia – Alcácer do Sal

Tróia

Estação Arqueológica de Tróia

As ruínas romanas de Tróia são testemunho de um grande complexo industrial de salgas de peixe construído na primeira metade do século I d.C., provavelmente, durante a dinastia dos Júlios-Cláudios, com o abandono por volta do século VI d.C., mas a sua decadência já se vinha acentuando desde o século IV d.C. devido à desagregação do Império conduzindo à progressiva deterioração das rotas comerciais e dos mercados consumidores.




Área residencial do complexo
Este complexo com o seu desenvolvimento veio a tornar-se um povoado urbano, para além das múltiplas “oficinas de salga” também foi zona residencial, complexo termal, necrópoles, um mausoléu e uma basílica paleocristã, de facto, este povoado banhado pelo Atlântico não foi um ponto isolado mas parte de uma ampla cadeia comercial garantindo o fornecimento de produtos e iguarias do mar e a excepcional produção de sal das margens do rio Sado, fabricava-se peixe salgado e molhos de peixe, entre os quais o famoso garum, pasta ou molho que servia para condimentar os alimentos, obtida das vísceras de atum ou cavala misturadas com outros peixes a que eram adicionadas ervas aromáticas, depois de acondicionados em ânforas seriam levadas por barco para Roma e a outras províncias do Império.


Basílica paleocristã (direita), necrópole e mausoléu (fundo)
Túmulos da família do proprietário 


Armazém e tanques de salga de peixe (cetarias)


Entrada para acesso ao poço
A villa industrial possuía um balneário assegurando os banhos tanto aos proprietários como aos trabalhadores, fossem eles livres ou escravos. As termas tinham numa ala, a sala de ginástica (palaestra), apodyterium, frigidarium e piscinas, e na outra, a parte aquecida, o tepidarium e o caldarium sobre hipocaustum, zona subterrânea formada por arcos que sustentavam o piso superior ligada a uma fornalha (praefurnium) que produzia o calor.


Palaestra, apodyterium (direita) e frigidarium (fundo)

Tanque do frigidarium

Caldarium e praefurnium (fornalhas)

Caldarium
Pela esquerda, na entrada da área arqueológica e não muito distante desta, ainda em fase de escavações estamos em presença de uma terceira oficina de tanques de salga (cetarias), ao fundo o local dos fornos.


A área visitável é uma pequena amostra dum vasto complexo arqueológico cujos vestígios se estendem ao longo de mais de 2 km de areal pela margem esquerda do rio Sado. 

Todo o espólio arqueológico das ruínas está em exposição no Tróia Golf (entrada gratuita).

Ficha técnicaLocalTróiaAbertura e encerramentoVisita das ruínas ao longo do circuito com o acompanhamento de uma arqueóloga (tlf: 265499400)Março a Maio e Outubro – 1º Sábado às 15,00hJunho e Setembro – Sábado às 15,00h
Julho e Agosto – Quartas e Sábado às 10,30hJaneiro e Fevereiro – EncerradaDistância percorridaFERRY
Duração da visita
1h 30 minutosCoordenadas: 38º 29´09.0” N 8º 53´05.6” WClassificação
MONUMENTO NACIONAL e PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE PELA UNESCO

Ficha técnicaÉpoca recomendadaTODO O ANODistância percorrida46,8 kms
Duração recomendada1 dia 

Alcácer do Sal


A região de Alcácer do Sal desde a Antiguidade foi local de forte presença humana como demonstram os vestígios arqueológicos descobertos desde a Idade do Ferro, do período Romano ao Muçulmano, da época Medieval Cristã à Moderna, até à época Contemporânea.

Precisamente onde actualmente se ergue o Castelo de Alcácer do Sal num morro protegido e sobranceiro ao rio se implantou o núcleo populacional primitivo da Idade do Ferro que mais tarde depois com a ocupação romana também foi o local escolhido para a implantação da cidade SALACIAQuando aqui chegaram os romanos o povoado já estaria romanizado e no decorrer do conflito opondo Pompeu e Júlio César a população ao aliar-se a Pompeu recebeu em troca por esse facto o estatuto de Direito Latino “Forum Romano de Salacia Urbs Imperatoria”.

A área geográfica da cidade encontrava-se muito para além do seu limite, controlando um território relativamente afastado de si, entre Setúbal a Grândola, num amplo vale de terras férteis permitindo uma agricultura diversificada, condições favoráveis para outras indústrias surgiram na produção de sal, no desenvolvimento da pesca e da indústria conserveira, garum (pasta de peixe), na produção de artigos em cerâmica e de materiais de construção (tijolos, telhas planas e de meia-cana), loiça de cozinha, ânforas ou candeias de iluminação (lucernas), muito contribuindo para uma intensa actividade comercial com outras províncias do Império da bacia do Mediterrâneo, proporcionada pelo rio Callipus (rio Sado) como via fluvial.

A entrada da cidade fazia-se pela rua da Fábrica, seguindo ao Convento de Santo António no Largo de S. Francisco, contornava a necrópole de S. Francisco Frades até à base do morro do castelo numa área plana em frente da Igreja Stª Maria, a sua grande praça pública fórum e edifício de caracter público, Templo ou Santuário de planta rectangular, é possível observar-se algumas placas marmóreas revestindo o pavimento, do lado sul, uma muralha destinada à contenção de terras da plataforma onde outros edifícios se implantaram num dos lados menores, desconhecendo-se a sua funcionalidade, podemos estar na presença da Basílica ou da Curia, local de reunião do senado.





Cisterna Romana da Fonte da Talha

A presença da cisterna romana, situada na rua da Fonte da Talha nas imediações da Escola Secundária da Fonte da Talha, está associada ao Aqueduto no Bairro rio Clérigos, abastecia a cidade e fontes de água.  


Coordenadas: 38º 22´34.7” N 8º 30´50.0” W

Cripta Arqueológica do Castelo - Museu Municipal Pedro Nunes

As obras de beneficiação do Convento de Nossa Senhora de Aracaeli em pousada D. Afonso III, permitiu por a descoberto uma enorme quantidade de ruínas da ocupação humana deste local de diferentes épocas, e para quem aqui se desloque ao morro do Castelo a visita à cripta arqueológica é imprescindível pela espectacularidade do património arqueológico em exposição, pela diversificada riqueza do numeroso espólio em exposição composto por, cerâmicas, epígrafes, moedas, objetos de adorno e vidros romanos correspondendo a uma das mais importantes coleções a nível nacional. Inicia-se a visita à cripta com a visualização de um documentário, na sala multimédia, sobre a história da ocupação humana de Alcácer do Sal.




Busto do imperador Cláudio



Ficha técnicaAbertura e encerramentoManhãs: 09,30h – 13,00h (horário de verão: Julho e Agosto)Tardes: 15,00h – 18,30h (horário de verão: Julho e Agosto)Manhãs: 09,00h – 12,30h (horário de inverno: Setembro a Junho)Tardes: 14,00h – 17,30h (horário de inverno: Setembro a Junho)Encerra: Segunda-feira e FeriadosClassificaçãoMONUMENTO NACIONAL

Ficha técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
46,8 kms
Duração recomendada
1 dia 

Rota II
Setúbal - Santa Catarina de Sítimos – Torrão - Grândola

Santa Catarina de Sítimos


Villa Romana de Santa Catarina de Sítimos

A pacata aldeia alentejana de Santa Catarina de Sítimos possui um importante património histórico-cultural devidamente sinalizado quando se entra na aldeia, contudo, facilmente se acede ao espaço arqueológico porque está sem qualquer tipo de vigilância e protecção.

Originalmente era uma villa agrícola, datada dos meados do séc. I a.C. e terá perdurado até meados do séc. V/VI d.C., era uma importante estrutura económica na economia rural onde estava integrada pela localização perto a Salacia e do porto fluvial, mas principalmente, no apoio à via romana Alcácer do Sal a Beja.

Da observação do sítio arqueológico é possível ver uma “natatio” (piscina) e a escadaria de acesso ao seu interior, visualizam-se ainda vestígios do pavimento, ainda está por definir a finalidade, provavelmente, fazendo parte do complexo termal mais amplo da villa, ou como um espaço de culto pagão a Venus, deusa do Amor e Beleza. 



Ficha técnicaCoordenadas: 38º 23´35.4” N 8º 25´55.9” WLocal
Santa Catarina de SítimosAcessoAberta ao público e entrada gratuitaDuração da visita
20 minutos


Torrão

Estação Arqueológica da Fonte Santa

Neste caso estamos perante um complexo industrial ou edifício termal e um tanque/piscina, a ocupação do espaço é entre o séc. I d.C. e séc. V d.C., é suposto que se tratasse dum complexo termal pelos vestígios em presença, um tanque, uma cisterna, um compartimento e uma conduta de abastecimento de água.

A estação arqueológica está localizada no interior do Centro Escolar do Torrão, pode ser observada pelo exterior, pois, encontra-se delimitada com gradeamento do Centro Escolar, na rua da Fonte Santa e rua Dr. Bento Jesus Caraça.


Coordenadas: 38º 17´29.3” N 8º 13´27.9” W

Ainda nesta vila alentejana podemos recuar no tempo ao percorrer um pequeno troço da via romana que de Alcácer do Sal passava na villa romana de Santa Catarina de Sítimos rumo a Beja, são cerca de 400 metros localizados à entrada do Torrão, na curva apertada (à direita) descendo para a travessia do rio Xarrama, onde deveria existir uma ponte romana.

Calçada Romana
“Calçadinha Romana”  


Característica: calçada sobre terra batida coberta por camada de pedra talhada numa extensão de 300 metros
Construção: séc. I d.C.
Via romana: Alcácer – Torrão - Beja
Acesso: à entrada do Torrão (EN5-2) situada num pequeno morro (à direita), imediatamente ao entroncar com a estrada oriunda de Alcáçovas e Évora, sinalizada no local.
Coordenadas: 38º 18´03.4” N 8º 13´45.1” W


Grândola

Estação Arqueológica do Cerrado do Castelo

Quem circule no (IC1), uma breve paragem em Grândola servirá para retemperar energias para a viagem que ainda falta realizar, ao mesmo tempo proporcionará uma rápida visita a um património histórico-cultural escondido fora dos roteiros turísticos, refiro-me neste caso uma villa romana, localizada no interior da Escola Básica 1, na rua Nossa Senhora da Penha. De facto, a existência de uma pequena ribeira e identificada uma barragem romana situada a sul, no lugar conhecido por Pêgo da Moura numa pequena elevação, proporcionava uma fácil irrigação a terrenos de cultivo e abastecimento de água indicia um pequeno povoado integrado no conjunto de uma villa ou estalagem romana em apoio à via romana Alcácer do Sal (Salacia) a Santiago do Cacém (Mirobriga). 

A ocupação do lugar está datada entre o séc. I d.C. e séc. V d.C., a existência de apoio descritivo sobre a estação arqueológica ajudará o visitante na identificação do espaço e o mesmo sucedendo na visita à barragem romana.


Poço (D)

Salas (C)

Natatio (B)

Ficha TécnicaCoordenadas: 38º 10´21.4” N 8º 34´03.1” WLocalGrândola - interior EB1 de Grândola (Rua Nossa Senhora da Penha)
AcessoAberta ao público e entrada gratuitaDuração da visita
20 minutosClassificaçãoIMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO

Barragem Romana Pêgo da Moura 



Ficha técnicaCoordenadas: 38º 09´18.4”N 8º 34´41.0” WLocalPêgo da Moura, no caminho para TR do Monte Cabeço do Ouro
AcessoGrândola, saída (IC1) para Santa Margarida da Serra (EN120) na placa indicativa na estradaDistância percorrida3,0 KmDuração da visita
15 minutosClassificaçãoIMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO


Ficha técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
148,3 Kms
Duração recomendada
1 dia

Rota III
Setúbal - Santiago do Cacém - Alvalade

Santiago do Cacém

MIROBRIGA

Em Santiago do Cacém e não muito distante desta, no cimo de uma colina, dotada de uma localização estratégica outros povos desde a Idade do Bronze e do Ferro escolheram este local para se fixarem na procura de segurança e bem-estar que o lugar lhes proporcionava para si e para a sua família e gerações vindouras, criando um povoado que mais tarde com a ocupação romana aproveitaram para também fundarem a sua própria cidade, MIROBRIGA, no século I d.C. até ao séc. V d.C..

Foi neste período que se deu a revitalização do antigo povoado tornando-o na principal cidade romana da costa ocidental a sul do Tejo, muito devido ao “estatuto de estipendiária” como Plínio a assinalou, ou seja, povoado fortificado sem qualquer privilégio e que pagava imposto. A cidade estendia-se por mais de dois quilómetros, a população fixa não deveria ultrapassar os dois mil e quinhentos habitantes, comum às cidades de pequena dimensão, tornando-se livres, submetidas como era usual a vários tipos de imposições e cargas fiscais.

No decurso das dinastias imperiais do Flávios (69-96), no reinado de Vespasiano e seus dois filhos Tito e Domiciano, o quotidiano da cidade foi intenso, com a obtenção do estatuto de direito latino ou romano “municipium”, confirmando assim uma integração plena dos seus habitantes na cultura, economia e sociedade romana, o impulso surge com as construções do fórum, do templo e das "tabernae" (lojas) adjacentes e, mais tarde, na dinastia dos Antoninos o aglomerado urbano estende-se a zonas mais baixas onde se edificaram os dois edifícios balneares ou termais e o hipódromo, único existente em Portugal.

A vitalidade da cidade mantém-se até ao séc. III d.C., com uma progressiva diminuição na segunda metade do séc. IV d.C., contudo, não se pode falar propriamente de um colapso, apesar da crise interna continua a verificar-se importações de cerâmicas de origem africana a que se juntam trocas comerciais com o Mediterrâneo Oriental. O abandono definitivo ter-se-á verificado após ter sido pilhada e incendiada em que as construções funcionaram como matéria-prima para edificações seguintes medievais, para o castelo de Santiago do Cacém.

Vista geral da área arqueológica

Legenda
1 - escadaria de acesso à calçada
2 - área habitacional, séc. I d.C. a séc. IV d.C.
3a - termas oeste, séc. II d.C.
3b - termas este, séc. I d.C.
4 - ponte romana, séc. I a.C.
5 - domus
6 - tabernae
7 - acrópole/fórum, séc. I d.C.
8 - templo central, séc. I d.C.
9 - templo de Venus, séc. I d.C.
10 - calçada romana
11 - capela de S. Brás

A entrada às ruínas da antiga cidade inicia-se pela zona habitacional grande parte ainda por escavar, o acesso faz-se por uma larga escadaria, algumas estruturas de habitações podem ser ainda observadas desenvolvendo-se uma calçada que funcionava como entrada à praça pública, o fórum.

Área residencial 
Na Acrópole, o santuário centrado num Templo, dedicado a culto imperial, na praça pública, do lado esquerdo ao templo principal, dois outros templos, um rectangular e quadrangular, à direita, diversas estruturas de edifícios de apoio ao fórum, este seria o local de excelência de qualquer cidade romana, de culto e intensa actividade comercial, ponto de convergência da população onde se afixavam editais públicos ou eram lidos, em voz alta, os decretos emanados do senado, em Roma. 


A sul do fórum, desenvolve-se a área comercial constituída por diversas lojas “tabernae”, de pequenas dimensões comunicando directamente para a rua, uma calçada faz a ligação do fórum e da praça pública a esta área comercial e a uma “domus”, admitindo-se que fosse de grandes dimensões em torno de um átrio que deveria ser porteado, esta domus tem sido identificada como sendo uma hospedaria pela existência de vários quartos e salas de refeições decorados com pinturas murais, datadas dos meados do séc. I d.C., do período de Nero ou inícios do período Flaviano. 

Tabernae a sul do forum

Tabernae e escadaria de acesso ao forum

Domus ou hospedaria

A oeste, descendo a calçada romana irá desembocar nos dois complexos balneares da cidade, o primeiro edifício a ser construído foram as Termas Este (séc. I d.C.), mais tarde, devido ao desajuste da capacidade do primeiro foi construído um outro, as Termas Oeste (séc. II d.C.).



Termas Oeste (séc.II d.C.)
A entrada ao edifício das Termas Oeste fazia-se por dois degraus, à esquerda, um corredor em forma de um L ao fundo seria a latrina, em frente, uma porta de grandes dimensões e uma soleira “in situ” acede-se a sala ampla com duas divisões o apodyterium (vestiários) em ambos os lados, à direita, uma porta para a parte superior a palaestra (sala de ginástica). Em frente, por duas portas passa-se a uma sala rectangular dos banhos frios, o frigidarium, com duas natatio, uma de cada lado no topo, e finalmente, a área destinada às salas dos banhos quentes composta por quatro divisões, duas delas indefinidas, um tepidarium e um caldarium, todas assentes sobre o hipocaustum, zona subterrânea formada por arcos que sustentavam o piso superior ligada a uma fornalha (praefurnium) que produzia calor. 

Entrada, latrina (esquerda) frigidarium (fundo)

Latrina
Palaestra (à esquerda) 

Frigidarium e tepidarium 

Tepidarium e Caldarium

A característica diferenciadora em relação às Termas Este está no sistema de aquecimento, em que a circulação do ar é através de paredes duplas do tepidarium e do caldarium, com alguma atenção minuciosa é ainda visível.


Contíguo às termas Oeste está o edifício das termas Este, acedendo-se a ele descendo mais dois lanços de degraus à porta de entrada, esta bem mais pequena relativamente à porta de entrada das termas oeste, no interior pela direita, um corredor dá acesso a uma divisão sem função específica e o mesmo sucede a divisória de construção circular no topo, à esquerda, uma sala com longo corredor rectangular, o apodyterium, e um extenso banco ao longo de toda a sala, por uma passagem no topo, as salas de banhos, o frigidarium, com uma natatio pavimentada mas protegida, o tepidarium e o caldarium, assentes sobre o hipocaustum e fornalhas (praefurnium).

Entrada das termas Este (séc. I d.C.)

Sala não definida

Entrada para apodyterium (vestiário)

Apodyterium e sala não definida (ao fundo)

Sala não definida

Entrada para o frigidarium e natatio (ao fundo)


Entrada para o tepidarium e caldarium

Tepidarium e caldarium

Sistema de hipocaustum (praefurnium - fornalhas)
Ponte Romana

Em local não aberto ao público, a cerca de um quilómetro do aglomerado urbano, as ruínas do hipódromo, provavelmente, talvez o único em Portugal com uma capacidade de 25.000 espectadores, datado do séc. II d.C.. Estes lugares encontravam-se sempre afastados por motivos práticos, dada a grande afluência de público ao mesmo tempo entre a cidade e o local dos jogos existissem também outras estruturas que habitualmente se desenvolveriam junto aos núcleos urbanos, tais como, unidades fabris ou agrícolas e villaesAinda é possível detectar as fundações da Spina, os muros que definem a zona de corrida e os cárceres, ou seja, compartimentos das cavalariças e dos carros puxados por cavalos, relativamente, as bancadas do público devido a serem em princípio de madeira já não existem. 


Ficha técnicaCoordenadas: 38º 00´37.3” N 8º 41´09.2” WAbertura e encerramentoManhãs: 09,00h – 12,30hTardes: 14,00h – 17,30hEncerra: Segunda-feira e Feriados
Duração estimada da visita
2 horasClassificaçãoIMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO

Sines

Complexo industrial (cetarias)

Complexo de produção de salgas e molhos de peixe, um preparado piscícola “garum” condimento muito apreciado na época romana, feito de sangue, vísceras e outras partes seleccionadas do atum e cavala, era um edifício de planta rectangular, no seu interior um pátio de sete cetarias, terá sido construído no século I d.C. mantendo a sua actividade até ao século IV d.C.

Local: Largo João de Deus
Coordenadas: ---

Alvalade
Peso de Lagar e Lagareta 


Local: Praça D. Manuel I  

Ponte Romana?-Medieval de Alvalade 

Estado de conservação: rural
Via romana: Santiago do Cacém (Mirobriga) -Alvalade-Beja
Acesso: Alvalade (IC1), encontra-se sinalizada no interior da povoação
Coordenadas: 37º 56´42.9” N 8º 24´09.0” W

Ficha técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
145,8 Kms
Duração recomendada
1 dia


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