sexta-feira, 25 de julho de 2014

DISTRITO DE CASTELO BRANCO

A Lusitânia que convido a visitar é uma viagem no tempo a uma região totalmente romana com o fim das guerras civis internas, a partir do ano 27 a.C., com Augusto o “criador” da Pax Romana, o Império Romano viverá um longo período de paz de cerca de dois séculos. A pacificação total da Hispania, designação dada pelos romanos à Península Ibérica, a vida quotidiana das populações pôde-se desenrolar com tranquilidade é neste período de maior estabilidade que alguns pormenores da vida que nos antecederam ficaram preservados para a história, apesar de não existirem grandes espaços monumentais no nosso território garanto-vos que vestígios não nos faltam encontram-se é dispersos bem debaixo dos nossos pés. É motivo mais do que suficiente para nos sentirmos pequenos nesta história? Óptimo, a ideia era essa, embarquemos nesta viagem pelos trilhos dos romanos pela Beira Baixa no distrito de Castelo Branco.

O distrito de Castelo Branco com a sua diversidade cultural e paisagística do seu território proporciona cenários de pura beleza, a sua dimensão e configuração, aliadas às condições de mobilidade proporcionam momentos de lazer onde a rota traçada é sempre diferente e mais surpreendente que a anterior, por aqui passaram inúmeras personalidades da nossa história aquando da ocupação romana, no século I a.C., Idanha-a-Velha impôs-se como uma importante cidade e ponto de partida para uma centralidade rica em património histórico-cultural. Hoje poderá fazer esta viagem por um território que engloba o Geoparque Naturtejo, sob os auspícios da UNESCO, o Parque Natural do Tejo Internacional. Natural do Tejo Internacional.

Castelo Branco foi a capital eleita pelos Templários, há 800 anos, mas anteriormente na ocupação romana era um vicus, um povoado de pequena dimensão confinado ao lugar da Cardosa, no triângulo formado pelo Monte S. Martinho, Santuário Nossa Senhora de Mércoles e Capela de Santa Ana, e localizado numa região rica em minério das minas do Pó e Tinta, o minério extraído seria depois transportado ao rio Tejo. Pelos inúmeros vestígios recolhidos cujo espólio se encontra exposto no Museu Francisco Tavares Proença seria uma área fortemente romanizada.

Atravessavam-na duas vias importantes: de Aritio Vetus a Salmantica (Salamanca) fazendo a ligação à Via da Prata, e a ligação entre a cidade Igaedis (Idanha-a-Velha) e Ammaia

Museu Francisco Tavares Proença Júnior

O Museu na área destinada à época romana tem um vasto espólio recuperado de todo o distrito, dos trabalhos arqueológicos na villa romana da Qtª da Fórnea e de Centum Celas, diversos pesos de tear e dolium (talhas), originalmente, semienterrados para manterem frescos os líquidos que continham, fragmentos de cerâmica comum, cerâmica cinzenta fina polida, cerâmica pintada, fíbulas, alfinetes, fragmentos de ossos incinerados, objectos de ferro, duas mós, dois marcos miliários, várias moedas com destaque para um sestércio do imperador Adriano.

em breve (imagens)

Malpica do Tejo
Ponte Romana?-Medieval do Pônsul 

Estado de conservação actual: pedonal
Via romana: Alvega a Salamanca, de Castelo Branco via a Malpica do Tejo e Monforte
Acesso: Malpica do Tejo (EN18-8) a ponte é visível do viaduto
Coordenadas: 39º 45´59.2´´N 7º 26´52.2´´W

Rota I 
Castelo Branco - Vila Velha de Ródão - Perais

Vila Velha de Ródão
Ponte do Cobre 


Estado de conservação actual: rural
Via romana: Alvega a Salamanca, ligação a Vila Velha de Ródão e Perais para travessia do rio Tejo na Lomba da Barca 
Acesso: Vila Velha de Ródão (EN18), desviar à esquerda junto a complexo fabril por estrada municipal passa-se fábrica de cerâmica (desativada) seguindo a lugar do Sítio sem indicação do local, por isso, é necessário alguma atenção
Coordenadas: 39º 41´02.6´´N 7º 39´36.7´´W

Perais
Calçada das Telhadas


Característica: vestígios da calçada lajeada
Via romana: Idanha-a-Velha a Évora e Ammaia 
Acesso: em Perais (EN355) seguir Rua da Estalagem
Coordenadas: 39º 39´40.8´´N 7º 34´48.2´´W 

Ficha Técnica
Acesso
Rua da Estalagem ao rio Tejo
Época recomendada
PRIMAVERA,VERÃO E OUTONO
Distância percorrida
6,0 Kms
Duração estimada do percurso
1h 20 minutos

Barragem/Represa Romana da Lameira


Estado de conservação actual: pouco visível
Acesso: Perais/Alfívrida (EM553) está sinalizada na estrada à saída dos Perais

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
39,7 kms
Duração recomendada
1 dia

Rota II
Castelo Branco – S. Pedro do Esteval - Sertã – Chão da Telha - Pedrógão Grande

S. Pedro do Esteval (Proença-a-Nova)
Ponte Romana-Medieval da Ladeira de Envendos 



Estado de conservação actual: rural - com vestígios de calçada
Construção: séc. I a.C./séc. I d.C.
Via romana: Alvega a Salamanca 
Acesso: S. Pedro do Esteval/Envendos (EN351) está sinalizada à saída de S. Pedro do Esteval
Coordenadas: 39º 37´26.9´´N 7º 51´05.3´´W
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Sertã, segundo a tradição,  é atribuída as fundações do castelo a Quinto Sertório, no entanto, as intervenções aqui realizadas revelam ser da época islâmica. Sertório, mal sucedido como pretor da Hispânia Citerior e Ulterior, cargo que assumiu em 83 a.C., é expulso e refugia-se no norte de África, mais tarde, regressa à Península Ibérica, em 80 a.C., com o assassinato de Viriato inicia uma campanha para recuperação das suas províncias após os Lusitanos lhe terem prometido o seu apoio e o terem convidado a ser seu líder.

Torre de Sertório

Obteve várias vitórias contra os exércitos romanos enviados contra si, comandados por generais romanos com alguma reputação, como, Pompeu e Cecílio Metelo Pio, dominando grande parte da Península Ibérica, este sucesso fez com que a Península Ibérica se torne um refúgio a vários romanos fugidos de Roma em virtude a atividades políticas lá vividas. Um destes reforços terá vindo por Marco Perpena, em 77 a.C., após derrota em Itália da revolta conduzida por Lépido, entretanto, a pressão exercida pelos generais romanos que adotaram novas estratégias de lutas resultaram em várias derrotas para Sertório perdendo território e apoio por parte das tribos indígenas e na sequência de uma revolta, mandou executar diversas crianças dos chefes tribais que ele tinha enviado para escola em Osca vendendo as sobreviventes como escravas. Sertório foi assassinado num banquete proporcionado por Perpena e por outros dos seus oficiais, com a sua morte a resistência lusitana colapsou contra o poder de Roma.

Ponte Romana?-Filipina da Carvalha 

Estado de conservação actual: pedonal - requalificada recentemente
Via romana: Bobadela a Alvega por Pedrógão Grande com a ligação à via Tomar a Covilhã 
Coordenadas: 39º 47´59.4´´N 8 º05´56.3´´W
Classificação: Monumento de Interesse Público

Cumeada/Chão da Telha (Sertã)
Ponte da Cova do Moinho ou Ponte da Tamolha

Estado de conservação actual: rural
Construção: entre séc. I d.C. e séc. IV d.C.
Via romana: Bobadela a Alvega por Pedrógão Grande com a ligação à via Tomar a Covilhã 
Acesso: Sertã (Cumeada)/Vila de Rei (EN2está sinalizada em Chão da Telha
Coordenadas: 39º 44´34.9´´N 8º 07´41.4´´W

Pedrógão Grande

Forno Romano

Na sociedade romana os artigos de cerâmica estavam presentes em todas as actividades do quotidiano. Uma grande propriedade rural podia dispor da sua própria olaria (edifício, fornos e matérias-primas) e contratar oleiros que ali se deslocavam sazonalmente, seriam artesões livres para executarem as suas tarefas, desconhece-se se era prática ou excepção sobre os regimes de propriedade e de trabalho, ou modos de funcionamento das olarias. As olarias assumiam-se como centros de artesanato intensivo, provavelmente em laboração contínua, fabricando uma grande variedade de artigos: materiais de construção (tijolos, telhas planas e de meia-cana), recipientes de armazenagem, loiça de cozinha, ânforas ou candeias de iluminação (lucernas). 

Instalavam-se na proximidade das fontes de matérias-primas (argila, lenha e água) e centros de consumo tirando partido das vias de comunicação disponíveis fossem terrestres, fluviais ou marítimas. Os fornos romanos eram de planta aproximadamente, circular ou rectangular e, compostos por duas partes sobrepostas separadas por uma grelha perfurada para facilitar a circulação do ar quente: a câmara de cozedura e a câmara de combustão.

Na câmara da cozedura era colocada, as ânforas, a loiça doméstica, as telhas, os tijolos e outras peças empilhadas cuidadosamente sobre a grelha, depois de fechada, inicia-se o aquecimento do forno, queimando lenha na câmara de combustão, atingindo temperaturas de 800 a 900º C. O arrefecimento do forno podia demorar dias, a entrada de ar contribuía para determinar a coloração das peças: acinzentadas quando rareava; beije ou alaranjadas quando circulava em maior quantidade.

Ficha Técnica
Local
Pedrógrão Grande            
Acesso
Traseiras da Serração no Cabeço da Cotovia a caminho do Miradouro, sem sinalização, com muita vegetação envolvente
Duração da visita
10 minutos

Ponte Romana-Filipina 

Estado de conservação actual: aberta à circulação
Via romana: Bobadela a Alvega por Pedrógão Grande ligação à via Tomar a Covilhã a Oleiros por Vila de Rei 
Acesso: Pedrógão Grande, junto à Capela da Senhora dos Milagres, pela Rua da Via Romana à ponte filipina sobre o rio Zêzere e sobe a Pedrógão Pequeno
Coordenadas: 39º 54´19.0´´N 8º 08´20.6´´W

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
114,5 kms
Duração recomendada
1 dia

Rota III
Castelo Branco – Soalheira – Atalaia do Campo – Castelo Novo

Soalheira (Fundão)
Calçada Romana e Fonte do Goducho



Característica: vestígios da calçada lajeada muito irregular por caminho rural
Via romana: Alvega a Salamanca, de Castelo Branco via ao Fundão
Acesso: Soalheira (EN18) pela Fonte do Goducho e Rua Caminho Romano à Igreja Matriz e caminho lado esquerdo

Atalaia do Campo (Fundão)
Ponte Velha 


Estado de conservação actual: aberta à circulação rodoviária
Via romana: Alvega a Salamanca, de Castelo Branco ao Sabugal e Salamanca 
Acesso: Atalaia do Campo, seguir a placa indicativa de Campo de Jogos
Coordenadas: 40º 03´02.7´´N 7º 26´31.9´´W


ALDEIA HISTÓRICA DE CASTELO NOVO

Calçada Romana



Característica: calçada lajeada no interior da aldeia 
Via romana: Alvega a Salamanca, de Castelo Branco via ao Fundão
Acesso: Castelo Novo, saída nó 27 (A23)
Coordenadas: 40º 04´39.4´´N 7º 29´32.7´´W

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
42,9 kms
Duração recomendada
1 dia 

Rota IV
Castelo Branco – Idanha-a-Velha - Medelim - Proença-a-Velha


ALDEIA HISTÓRICA DE IDANHA-A-VELHA

Por Idanha-a-Velha, a antiga Egitânia romana, passaram vários povos ao longo dos tempos sem qualquer existência duma povoação, haveria talvez decerto uma ocupação dispersa na região antes da ocupação romana quer isto dizer que outros povos aqui passaram mas sem que seja certo que tenham estabelecido um local para viver de forma duradoura.

Não existe data precisa quando se instalaram os romanos ou o ano da fundação da cidade, perante a ausência de certezas concretas vão surgindo hipóteses aí surge um cenário dos primórdios da futura cidade romana no lugar do acampamento militar de Júlio César e das suas legiões quando estas se dirigiram aos Mons Herminus, designação atribuída à Serra da Estrela e último reduto dos Lusitanos, em meados do séc. I a.C., como afirma o historiador Díon Cássio, ainda que tal cenário seja possível até ao momento ainda não está confirmada, apesar das intervenções arqueológicas realizadas no local.

Idanha-a-Velha foi a capital da “civitas Igaeditanorum”, que parece ter sido fundada por Augusto, mais tarde, “municipium” durante a dinastia dos Flávios, anos 69-96 d.C.. Aqui passava a grande via imperial do ocidente ibérico de Bracara Augusta (ou Braga) e Legio (Leão), grande base militar da Hispânia, a Emerita Augusta (actual Mérida) e capital da província da Lusitânia.

Motivos mais que suficientes para nos demorarmos um pouco mais na visita a esta antiga cidade romana e classificada como Monumento Nacional, pasme-se somente em 1997.


A entrada faz-se passando as duas torres no Arco da Porta Norte pisando as enormes e pesadas lajes graníticas do pavimento da via que terão sido percorridas por milhares de cavalos e pessoas, ao mesmo tempo, não deixa de ser marcante o estado de conservação das paredes, independentemente da questão ser ou não atribuível à época romana. 


A muralha romana, em forma oval, reconstruída e restaurada em muitos locais, é a primeira construção que se observa, na verdade, desconhece-se quando a fortificação foi construída tudo indica que tenha sido em época tardo-romana, uma datação medieval, pelos múltiplos elementos arquitectónicos que se encontram reaproveitados na construção, como, cornijas, frisos, silhares de época romana. Curiosamente, a destruição da muralha ocorreu no início do século passado quando a pedra foi reutilizada para outras edificações, nomeadamente, na regularização das margens do rio Pônsul ou levada para outros locais, como aconteceu para a aldeia de Alcafozes, não será pois de estranhar que alguns testemunhos epigráficos tenham tido destino semelhante.

Destaca-se a existência de uma monumental basílica paleocristã de três naves convertida mais tarde em basílica visigótica, provavelmente do séc. IV, quando Idanha-a-Velha foi sede de bispado.


Modestinus, pouco se conhece acerca desta personagem, se casou, se teve filhos e quantos, mas sabe-se que teria o mesmo nome de seu pai por uma inscrição romana que pode ser vista, junto à fachada lateral da Basílica. O tal pai da Severa Modestano entanto, houve uma Severa em Idanha talvez até mais do que uma, dela nada se sabe a não ser que morreu mais cedo que a mãe pois foi a sua mãe que mandou gravar numa grande pedra a inscrição da qual apenas se conserva o nome SEVERA.


No ponto mais alto uma imponente torre de menagem, edificada pelos Templários, assente numa estrutura anterior reconhecível pelo recorte das suas pedras e moldura que a finaliza na parte inferior da edificação, ou seja, o podium do templo romano que lhe pertenceria, embora não sejam conhecidos todos os restos que poderiam fazer parte do centro político, administrativo e religioso – o Fórum - da cidade.


Na Porta Sul, as ruínas de uma domus, do séc. I d.C./séc. III d.C., tendo sido sacrificada para a construção da muralha defensiva aquando da crise interna do império. Se continuarmos em direcção ao rio Pônsul passando a Porta Sul, à esquerda, por um caminho estreito, a cerca de 200 metros, em terreno agrícola privado, sobressaem estruturas, provavelmente, do complexo balnear a sul do fórum nas margens do rio Pônsul.


Quando entramos em Idanha-a-Velha em terreno privado do lado esquerdo deparamos com umas sepulturas, seria a Necrópole da antiga cidade podendo ainda observar oito sepulturas dispersas.



Museu Epigráfico de Idanha-a-Velha

Ara consagrada à deusa Vitória por Maurião


Inscrição

VICTORIAE
MAVRIO MARCI
F (ilius) . V (otum) . L (ibens) . S (olvit)

Tradução

A Vitória Maurião, filho de Marco, cumpriu a sua promessa de livre vontade.

Bloco arquitectónico de pedestal para estátua dedicada ao filho do imperador Augusto


Inscrição

C (aio). CAESARI. AVGVSTI. F (ilio)
PONTIF (ici) CO (n) S (uli)  IMP (eratori)
PRINCIPI. IVVENTVTIS
CIVITAS. IGAEDIT (anorum)

Tradução

A Gaio César, filho de Augusto, pontífice, cônsul, imperador, príncipe da juventude – a cidade dos Igeditanos

Miliário a Augusto
Imp (erator?) / Aug [ustus?]



Abertura e horário de funcionamento
Manhã:
Tarde:
Encerra:
Duração da visita
20 minutos

Ponte Romana-Medieval


Estado de conservação actual: rural
Construção: entre o séc. I a.C. e séc. I d.C.
Via romana: Braga a Mérida, na variante Centum Cellae (Catraia da Torre) – Idanha-a-Velha – Mérida
Acesso: Aldeia Histórica de Idanha-a-Velha
Coordenadas: 39º 59´43.8´´N 7º 08´31.9´´W
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Medelim (Idanha-a-Nova)
Calçada Romana (pequeno troço)


Característica: calçada lajeada no interior da povoação
Via romana: Braga a Mérida, na variante Centum Cellae (Catraia da Torre) – Idanha-a-Velha – Mérida
Acesso: Medelim (EN239) - Largo da Igreja perto do cemitério
Coordenadas: 40º 03´01.0´´N 7º 11´06.2´´W

Proença-a-Velha (Idanha-a-Nova)
Ponte Antiga e Fonte da Goma 




Estado de conservação actual: aberta à circulação rodoviária
Via romana: Alvega a Salamanca, de Castelo Branco via a Idanha-a-Velha por Ladoeiro 
Acesso: Proença-a-Velha (EN239)
Coordenadas: 40º 01´43.4´´N 7º 13´58.2´´W

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
64,0 kms
Duração recomendada
1 dia

Rota V
Castelo Branco – Ladoeiro – Alcafozes - Segura

Ladoeiro
Ponte Romana da Munheca/Monheca

Estrutura da antiga ponte romana (visível na base de um dos pilares da atual ponte)
Via romana: Alvega a Salamanca, de Castelo Branco via a Idanha-a-Velha por Ladoeiro 
Acesso: Castelo Branco/Ladoeiro (EN240)
Coordenadas: 39º 51´30.6´´N 7º 20´00.6´´W

Alcafozes (Idanha-a-Nova)
Miliário


Local: muro em habitação – na Rua Fonte Nova

Segura (Idanha-a-Nova)
Ponte Romana de Segura


Estado de conservação actual: aberta à circulação (intervencionada recentemente)
Via romana: Braga a Mérida, na variante Centum Cellae (Catraia da Torre) – Idanha-a-Velha – Mérida e Alvega a Salamanca, de Castelo Branco a Idanha-a-Velha à ponte de Alcântara por Segura 
Acesso: Segura (EN355)
Coordenadas: 39º 49´02.8´´N 6º 58´54.9´´W

Miliário Anepígrafo


Local: saindo pela Porta Sul

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
78,9 kms
Duração recomendada
1 dia

Rota VI
Castelo Branco – Alpedrinha – Fundão – Ferro - Valverde

Alpedrinha/Alcongosta
Calçada Romana


Característica: calçada lajeada por terreno montanhoso e florestal, numa extensão de 4 km
Via romana: Alvega a Salamanca, de Castelo Branco via ao Fundão
Acesso: Alpedrinha (EN18), inicia-se no Largo D. João V, junto ao Palácio do Picadeiro e Capela de S. Sebastião, ligando Alpedrinha a Alcongosta pela serra da Gardunha
Coordenadas: 40º 06´03.4”N 7º 28´09.2”W

Ficha Técnica
Acesso
Início no Largo D. João V, junto ao Palácio do Picadeiro e Capela de S. Sebastião, ligando Alpedrinha a Alcongosta pela Serra da Gardunha
Época recomendada
PRIMAVERA,VERÃO E OUTONO
Distância percorrida
3,0 kms
Duração estimado do percurso
1 hora

Fundão

Museu Arqueológico Municipal José Monteiro



Terminus Augustallis – marco territorial

Miliário a Licínio

Miliário a Maximiano 

Lápide de Avita


Inscrição

AVITAE CELSI F (iliae) MATRI ET/SABINAE SABINI (iliae) AVEAE
CLAVDIA MARCEA F (aciendum) C (uravit).

Tradução

À mãe, Avita, filha de Celso e à avó Sabina, filha de Sabino, Cláudia Márcia tratou de fazer (este monumento).

Ara votiva a AETIUS


Inscrição

AE/TIO / CISIA / L (ibens) A (nimo) S (olvit)

Tradução

A Écio, Císia cumpriu de bom grado (a sua promessa)

Ara votiva a Bande Vorteaico


Inscrição

REBVRRVS / TANGINI (filius) / BANDI VO/RTEAECEO V (otum) S (olvit)

Tradução

Reburro, filho de Tangino, cumpriu o seu voto a Bande Vorteaico

Abertura e horário de funcionamento
Manhã: 09,00h – 12,30h (Terça-feira a Sexta-feira)
Tarde: 14,00h – 17,30h (Terça-feira a Sexta-feira)
Tarde: 14,00h – 17,30h (Sábado e Domingo)
Encerra: Segunda-feira e Feriados Nacionais e Municipais
Duração estimada da visita
1 hora

Valverde (Fundão)
Ponte Romana?-Medieval de Pêroviseu


Estado de conservação actual: aberta à circulação rodoviária
Via romana: Alvega a Salamanca, do Fundão à Covilhã por Pêro Viseu 
Acesso: estrada regional Valverde (a 8 km)/ Pêroviseu
Coordenadas: 40º 11´15.0”N 7º 26´39.5”W

Ferro (Covilhã)
Inscrição Romana
Local: Junta de Freguesia (9,00h/12,00h – 14,00h/18,00h)

em breve (imagem)

Peso de Lagar Romano

Local: Jardim Público

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
73,7 kms
Duração recomendada
1 dia

Rota VII
Castelo Branco – Capinha - Paúl - Souto da Casa 

Capinha (Fundão)
Ponte Romana?-Medieval 

Estado de conservação actual: aberta à circulação viária
Via romana: Braga a Mérida, na variante Centum Cellae (Catraia da Torre) – Idanha-a-Velha – Mérida e Alvega a Salamanca, de Castelo Branco a Sabugal e Salamanca 
Acesso: Capinha (EN346)
Coordenadas: 40º 11´23.7”N 7º 21´43.1”W

Paúl (Fundão)
Ponte Romana? do Paúl

Estado de conservação actual: aberta à circulação (recentemente requalificada)
Via romana: Tomar a Idanha-a-Velha em Oleiros – Covilhã – Belmonte 
Acesso: Paúl (EN341-1) ao Fundão
Coordenadas: 40º 12´12.2”N 7º 38´20.8”W

Souto da Casa
Epitáfio Romano


Trata-se de uma inscrição romana da 1ª metade do séc. I d.C., que se encontrava num jazigo familiar, hoje desaparecido. Na lápide estava escrita uma mensagem contando uma história familiar, tão antiga como trágica de Lúcio Júlio Timélico, pois ali, estariam sepultadas sua filha Júlia Modesta de 18 anos e a sua mãe Lívia Ninfa de 40 anos, sendo que ele próprio também esperaria ser sepultado um dia.
Pela análise de estudiosos dos nomes tratar-se-ia de um casal de “libertos”, ex-escravos que alcançaram a liberdade dos seus donos.

Local: exterior da Igreja Matriz S. Pedro junto à porta da sacristia e outra interior

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
113,1 kms
Duração recomendada
1 dia 

Rota VIII
Castelo Branco – Belmonte - Bendada - Vale Formoso


ALDEIA HISTÓRICA DE BELMONTE

Belmonte e a primitiva ocupação humana é incerta mas tudo indica que a passagem da importante via imperial Braga a Mérida em muito contribuiu para que toda esta região se viesse a florescer devido ao escoamento dos seus produtos e matérias-primas para regiões desenvolvidas e prósperas do litoral, esta já estaria referenciada em documentos medievais do século XII pela existência dum caminho “Via da Covilhã” com ligações a Tomar (Seilium) e a Condeixa-a-Velha (Conimbriga) à Serra da Estrela, conhecido por “Estrada da Lã”.

Miliários


Local: na entrada no Castelo de Belmonte

Miliário ao imperador Probo (276-282 d.C.)

Local: habitação em frente à escadaria da Igreja de Santiago


I - Estação Arqueológica de Centum Celas ou “Torre de S. Cornélio

Muitas hipóteses têm sido propostas para a funcionalidade desta Torre, mais recentemente desde villa, a mansio ou estalagem devido à sua proximidade da passagem da via militar, a atalaia ou prisão, a acampamento militar, a um vicus até à ideia de ter sido um Santuário, de facto estamos perante uma Torre para tantas ideias.

A Torre revela-se na parte central e melhor conservada daquela que terá constituído a villa de Lucius Caecilius, um abastado cidadão negociante de estanho, que mandou edificar a sua casa, onde Lúcio Cecílio viveria com a sua família, onde teria os seus escravos, onde tomava os seus banhos em termas aí existentes mas, na verdade, não sabemos se esta era, de facto, a sua casa, mas quem seria este Lúcio Cecílio cujo nome estava gravado numa pedra, datada do século I d.C., no sítio de Centum Celas. É colocada a hipótese do nosso Lúcio Cecílio integrar um ramo da família Caecilia, uma das mais antigas e nobres de Roma, descendente de Quinto Cecílio Metelo Pio que combateu Sertório na sequência das guerras que opôs a Pompeu Q. Cecílio Metelo Pio (79-72 a.C.), terem fixado residência em Centum Celas


Desconhece-se a origem do topónimo, embora a tradição atribua esta designação a “cem celas” da prisão aqui teria existido, nos finais dos séculos III d.C./IV d.C., houve um incêndio que a destruiu parcialmente e, mais tarde, era alvo de reconstrução. Segundo a tradição, esteve encarcerado neste edifício/prisão Cornélio, morreu no ano de 253 d.C., dando a designação Torre de S. Cornélio.



Ficha Técnica
Coordenadas: 40º 22´40.5”N 7º 20´31.5”W 
Local
Colmeal da Torre
Acesso
Aberta ao público e entrada gratuita
Distância percorrida
5,7 Kms
Duração estimada da visita
20 minutos
Classificação
MONUMENTO NACIONAL


II - Villa Romana da Quinta da Fórnea

A villa romana da Quinta da Fórnea localiza-se no sopé de uma pequena montanha, numa zona plana, na parte oriental da Serra da Boa Esperança, abre-se para um vale que na época romana deveria fornecer a riqueza necessária aos proprietários desta grande propriedade.

Podemos comparar uma villa romana a uma quinta agrícola dos nossos dias, uma grande quinta, onde existia uma casa também ela grande e com várias comodidades, mas que inclui igualmente a propriedade que lhe fornece a riqueza, de onde provêm os recursos agrícolas que tornam a quinta rentável do ponto de vista económico. 

Também na época romana esta diferenciação era notória e importante, sendo que todas as villae possuíam uma pars urbana, isto é, a zona destinada ao dono e à sua família, com uma habitação que poderia ser muito rica e ornamentada como, em outros casos, poderia ser mais modesta. Estas grandes villae tinham também uma pars fructuaria ou pars frumentaria, ou seja, o celeiro, os lagares de vinho e azeite, o estábulo e o cercado, os armazéns de produtos agrícolas e as unidades transformadoras dos produtos da terra e animal.


villa romana - vista geral

A ocupação da villa agrícola é, dos finais séc. II d.C. e início séc. III d.C., posteriormente, abandonada no decurso do séc. IV d.C. A entrada da villa era pelo lado nascente passando uma zona lajeada com grandes blocos (originais) notando-se as concavidades dos rodados dos carros que transportavam os produtos que iam e vinham, comprovando assim o dinamismo do local.  

entrada da villa - lajes de pedra originais


casa do guarda - corredor - triclinium 

Transposta a entrada, esta abre-se para grande um grande pátio central com um pequeno jardim central, e caminhando ao longo de um extenso corredor estamos área específica da residência do proprietário, a pars urbana, identificados estão; a casa do guarda, o triclinium (sala de jantar), dois quartos (cubiculas), a cozinha e lareira. Ao fundo desse corredor daria para um pátio rectangular de acesso à pars rústica, e para um jardim central que servia os balneários da villa.

pars urbana - triclinium (sala de jantar)

pars urbana - cozinha e lareira

No pátio rectangular de acesso à pars rústica, área destinada aos alojamentos dos criados, estão identificados; sete quartos, a casa do forno, a casa da lenha ou de armazém da lenha, e o telheiro são perceptíveis no terreno onde assentavam os suportes que o sustentavam.

pars rústica - alojamentos dos criados

telheiro

Na área dos balneários existia um jardim central rectangular que acedia a salas de apoio aos banhos, o vestiário (apodyterium), a latrina, a sala dos banhos quentes e tépidos (caldarium e tepidarium), dos banhos frios (frigidarium/natatio) e as fornalhas (praefurnium).  

balneários - vista geral

latrina

apodyterium (vestiário)

sala dos banhos quentes - fornalhas (praefurnium)

natatio (piscina)

Muito próximo aos balneários, os restos do reservatório de água e a pars frumentaria desta exploração agrária, aqui que se localizam os lagares de vinho, inserido num edifício próprio, o celeiro, o estábulo e cercado, e estruturas ainda não definidas, provavelmente, seriam as unidades transformadoras, de armazém e tecelagem, junto à tecelagem é possível observar um espaço rectangular que seria o vão de escada que daria acesso ao piso superior da casa.

reservatório de água

lagares

cercado e estábulos

pars frumentaria - unidades transformadoras

E não muito distante em frente do outro lado da estrada, encontram-se dois mausoléus que terão servido para morada eterna de duas ilustres personagens, colocando-se a hipótese de terem sido mandados fazer pelo dono da villa para serem morada, a si e à sua mulher, numa outra vida.

Ficha Técnica
Coordenadas: 40º 19´54.0”N 7º 21´09.9”W
Local
Entre Belmonte/Caria (EN 345) está sinalizada na estrada
Acesso
Aberta ao público e entrada gratuita
Distância percorrida
2,5 Kms
Duração estimada da visita
40 minutos
Classificação
IMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO

Bendada (Belmonte)
Pontão Romano do Bacelinho sobre a ribª de Moinhos

Acesso: Inguias seguir a Bendada, na povoação seguir direcção a Qtª da Ribeira, no alto da subida, cruzamento por caminho de terra batida à esquerda
Coordenadas: 40º 22´15.6”N 7º 15´48.0” W

Vale Formoso (Belmonte)
Calçada Romana das Quintarias (pequeno troço)

Característica: calçada lajeada 
Via romana: Rede viária da Serra da Estrela, via Seia – Loriga – Covilhã – Belmonte
Acesso: Vale Formoso (EN232) - do cemitério, partindo junto a poste transformação EDP à estrada nacional
Coordenadas: 40º 22´37.5”N 7º 22´21.9”W 

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
104,2 kms
Duração recomendada
1 dia 

Rota IX
Castelo Branco – Orjais – Covilhã – Cortes de Baixo - Casegas


Covilhã

Calçada Romana (pequeno troço)

Característica: só visível junto à berma da rua (alcatroada)
Via romana: Rede Viária da Serra da Estrela, via Seia – Loriga – Covilhã – Belmonte
Acesso: Covilhã (cidade), perto da estação da CP, pela rua da Corredoura

Orjais

Templo Romano da Nossa Senhora das Cabeças

Na encosta da Serra da Estrela e sobranceiro à povoação de Orjais, localiza-se um magnífico Templo Romano conservando ainda parte do podium, em frente à Capela da Nossa Senhora das Cabeças.

Não é muito visível devido à intensa vegetação rasteira que o encobre, construído no séc. I a.C., foi provavelmente um santuário regional ou templo que fazia parte de uma antiga cidade romana civitas dos Oppidani. Para todos os efeitos, trata-se de um Templo idêntico ao da cidade de Évora, enquanto, o de Orjais está na encosta duma serra voltada a Leste. 


Trata-se de um edifício de planta rectangular, toda a estrutura é constituída por silhares de grande aparelho, de faces perfeitamente regularizadas, apresentando almofadas ao longo da fachada principal do edifício. 

As duas inscrições encontradas em Orjais poderão estar relacionadas com o culto praticado neste templo, crê-se que o templo terá sido dedicado a uma divindade indígena ou a Jupiter

Coordenadas: 40º 20´25.2”N / 7º 25´02.1” W

Cortes de Baixo (Covilhã)
Ponte Antiga do Ourondinho sobre a ribª de Cortes

Estado de conservação actual: aberta à circulação rodoviária
Via romana: Rede Viária da Serra da Estrela, via Seia – Loriga – Covilhã – Belmonte
Acesso: Tortosendo (EN230) a Unhais da Serra
Coordenadas: 40º 14´26.5”N 7º 35´27.7”W 

Casegas (Covilhã)
Ponte Romana? 

Estado de conservação actual: aberta à circulação rodoviária
Via romana: Tomar a Belmonte por Vila de Rei 
Acesso: Fundão/Silvares (EN238) a Ourondo/Casegas
Coordenadas: 40º 10´32.8”N 7º 41´49.2”W 

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
111,0 kms
Duração recomendada
1 dia

Rota X
Castelo Branco – Aldeia de Sta Margarida - Meimoa

Aldeia de Sta Margarida
Templo Romano


Local: Ermida da Nossa Senhora da Granja, construção sobre templo romano
Acesso: Castelo Branco/Penamacor (EN 233) está sinalizada na estrada após placa indicativa Aldeia Sta Margarida, por caminho de terra batida (800 metros)
Coordenadas: 40º 03´16.7”N 7º 15´25.6” W

Meimoa (Penamacor)
Cipo Romano 

Local: Largo da Igreja, no jardim como Cruzeiro

Inscrição


… / BVTI / PETOBI F / CIPVS / VIVO / MAELO / CILI F / DONAV / ET PSF



Tradução

… / Bouti / Petobi . f(ilii) / cipus / vivo / Maelo / Cili . f(ilius) . / donav(it) / et p (ecunia) s (ua) . f (ecit)

Fonte: Portugal Romano

Ponte Romana?-Filipina de Meimoa

Estado de conservação actual: aberta à circulação (recentemente requalificada)
Via romana: Rede viária da Póvoa de Mileu (Guarda), via Póvoa do Mileu a Idanha-a-Velha
Acesso: Meimoa (EN233) ao Sabugal
Coordenadas: 40º13´32.7”N 7º 11´15.9”W 
Classificação: Imóvel de Interesse Público

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
69,1 kms
Duração recomendada
1 dia 

1 comentário:

  1. Boa tarde, José
    Encontro-me aqui vindo através do Google+, onde me fiz sua amiga.
    Vi o seu outro blog, que achei interessante, mas este agradou-me mais porque sou "vidrada" em História.
    Claro que é preciso fôlego para ler esta postagem:)))
    Estive cá de manhã, li parte, e voltei agora para ler o resto. Gostei imenso, até porque conheço grande parte dos locais aqui assinalados.
    É claro que no meu blog este material teria dado para três ou quatro posts...
    Fiz-me sua seguidora e vou anotar o endereço para voltar mais vezes.
    Entretanto, se quiser visitar o meu blog (que nada tem a ver com este...) dar-me-á muito prazer.

    Bom fim de semana.
    Beijinhos

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